<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200</id><updated>2012-02-16T12:31:51.319-03:00</updated><title type='text'>Angel of Silence</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>93</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-7042239871182612074</id><published>2007-12-27T16:54:00.003-03:00</published><updated>2009-12-28T21:22:07.451-03:00</updated><title type='text'>três pontosPerfeita</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se eu fosse um homem de verdade, e não esse híbrido de pária e quasímodo humano que sou, iria até lá, a seguraria pela mão e diria, de uma vez, tudo aquilo que tenho vontade. Desde o primeiro dia em que a vi. Desde a primeira vez em que ela me tocou. Desde que me olhou com aqueles lindos olhos grandes e me fez desabar por completo do alto de mim mesmo. Com seu jeito meigo de falar, seus gestos delicados e, por vezes, desajeitados. Com aquela gargalhada gostosa que me dá uma vontade de sorrir que aperta o coração. Uma beleza mista, tão sexy quanto angelical, com um leve toque de selvageria e desleixo. E aquele olhar firme, petrificante, de quem sabe aonde pode ir e também onde quer chegar. Capaz de me esquentar e congelar ao mesmo tempo. E me reverter a um estado pré-adolescente, insípido e covarde. Inseguro, imaturo, imberbe, insuficiente, inútil. Ela podia ser chata. Besta, arrogante, metida, fresca. Mas não: é a criatura mais doce que já pisou sobre a crosta terrestre, pelo menos nos últimos 200 anos. Um tanto atrevida, é verdade. O que só a torna ainda mais encantadora. A mulher mais bela que já vi na minha vida. E olha que já estudei em colégio de padre e meu pai já foi assinante da playboy. Um metro e sessenta e cinco da mais pura perfeição, na forma da garota mais incrível que eu, há muito, já julgava inexistente. A boca que parece desenhada milimetricamente pela mão de Deus. Um corpo que parece ter sido esculpido do próprio barro divino do Olímpo. E os seios com as exatas dimensões que só se viu um dia no projeto original da própria Eva. Descrever assim parece tolo (mas quem não ficaria bobo diante de tal vislumbre?), mas esse é o grande fascínio das palavras. Elas codificam as imagens, emoções e sentimentos e transmitem em forma de texto. É como uma criptografia de traduções imprecisas. Com algoritmos que podem ser decodificados por qualquer um, mediante a concepção do receptáculo. Enfim, por mais que eu tente descrever, você não conseguiria visualizar a imagem que eu vi. Mas certamente pode entender, a partir da sua própria imagem, a perfeição daquilo que eu vi. E pode supor a sensação que me percorreu a espinha quando me viu, escondido ali naquele canto isolado do bar. Fazendo-me tremer como um garoto assustado quando caminhou em minha direção, com aquele jeito de olhar, um sorriso de menina levada e a desenvoltura de uma deusa. Mulher feita da mais pura essência feminina. Sexy, inteligente, desprotegida e devastadora. Chegou até perto da mesa e falou, com aquela voz que deslizava pelos meus ouvidos como fina seda, enquanto acariciava meus cabelos com seu toque de veludo quente que despia meu pescoço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– acho que te achei escondido aí nesse canto.&lt;br /&gt;– engraçado. eu tinha certeza de que era eu quem estava te procurando. bem aqui. a vida toda!&lt;br /&gt;– nossa!! eu vim até aqui disposta a te dar uma cantada, mas acho que você me venceu nessa.&lt;br /&gt;– isso não é uma disputa.&lt;br /&gt;– então por que você ainda não me deu um beijo?&lt;br /&gt;– estava esperando apenas você pedir.&lt;br /&gt;– eu não pedi!&lt;br /&gt;– então tenho que pedir eu mesmo.&lt;br /&gt;– só vem aqui e pega o que é teu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perfeita... o que mais eu poderia dizer?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-7042239871182612074?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/7042239871182612074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/7042239871182612074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2007/12/trs-pontos-perfeita.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Perfeita'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-6071196320274050943</id><published>2007-11-07T15:40:00.000-03:00</published><updated>2007-11-24T17:08:22.206-03:00</updated><title type='text'>rapsódia românticaKarma</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É... esse é um daqueles momentos em que eu costumo parar na frente do espelho, respirar fundo, olhar para essa minha cara de ‘tacho’ e dizer em alto e bom som: “é velho... agora fudeu!!” e é bem por aí... Os sintomas eu já conheço há tempos. Acostumei-me a vivê-los ao longo da puberdade e já há tempos que os mesmos não tornam a incomodar. Parecia uma vacina. Você passa por isso umas duas ou três vezes e fica calejado e imune. Ledo engano. Acabo de ter uma recaída. Maldita recaída. Os sintomas foram se manifestando pouco a pouco, de modo a não criar alarde, pois isso poderia atrapalhar a proliferação da ‘coisa’ através de meus genes. Um leve interesse em procurar saber alguns detalhes logo se transformara numa ansiedade tamanha pela sua chegada a cada atraso de poucos minutos. Tava na cara que isso só podia dar em merda. Depois veio aquela subserviência despretensiosa e sem sentido. Aqueles instantes a mais em que você fica no local que já deveria ter deixado só para ocupar mais alguns minutos de companhia. O próximo passo já seria crucial. E maldita foi a hora em que me propus a acompanhá-la até sua casa. Dali já não tinha mais jeito, e eu já sabia disso, mas não imaginei que fosse tão grave. Logo viria o convite para sair, as conversas mais longas, a curiosidade mútua em querer saber, querer entender, querer perguntar e de repente eu já queria tudo. E vem o calafrio quando a vejo no fim do corredor, a ânsia de que a noite passe para revê-la no dia seguinte e, o pior de todos os males, as horas intermináveis a espera de um telefonema. As reações envolvidas são determinantes. Nesse caso são as piores possíveis. E aí eu pergunto: “puta que pariu!! Tá vendo onde você foi se meter?” Agora é tarde. Voltar atrás é um caminho penoso e sofrível e eu não quero segui-lo. Seguir em frente é um caminho onde a direção se perde nas mãos alheias. E agora!? Fazer o quê!? O que é que eu faço quando você não me liga se já faz tanto tempo que esperar ligações alheias já não me causa o menor desconforto? O que é que eu faço se você não aparece se já faz tanto tempo que não sinto esse tremor na espinha ao esperar por quem quer que seja? O que é que eu faço quando encontro suas amigas no corredor e aquela vontade sem limites de perguntar por você vem à tona e eu quase não sei mais como segurar se já faz tanto tempo que não pergunto mais por ninguém e apenas escuto perguntarem por mim? Deve ser o que chamam de justiça poética, ou divina, tanto faz... eu pago hoje, com minha ânsia de vômito, pela indiferença que reservei a tantas outras no passado. É como se diz por aí: aqui se faz, aqui se paga. Você, agora, deve ser o meu karma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-6071196320274050943?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/6071196320274050943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/6071196320274050943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2007/11/rapsdia-romntica-karma.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;rapsódia romântica&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Karma'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-8340092267937251435</id><published>2007-10-16T15:57:00.000-03:00</published><updated>2007-10-22T16:13:22.922-03:00</updated><title type='text'>da sérieComédia Romântica</title><content type='html'>- alô?&lt;br /&gt;- hmmmmmmmmmmpffffff...&lt;br /&gt;- alô?!?!&lt;br /&gt;- hauffffmmmfflôôô...&lt;br /&gt;- Carlos?&lt;br /&gt;- sshhhommm eeu...&lt;br /&gt;- tá tudo bem contigo?&lt;br /&gt;- tá ssshiiiimm...&lt;br /&gt;- que voz é essa??&lt;br /&gt;- ‘va d’miiindu...&lt;br /&gt;- aah... acorda aí, vai!!&lt;br /&gt;- o que é...?&lt;br /&gt;- nada. deu saudades...&lt;br /&gt;- às doze e meia da noite?&lt;br /&gt;- tem hora pra sentir saudade??&lt;br /&gt;- não. claro...&lt;br /&gt;- quero te ver.&lt;br /&gt;- não pode ser amanhã?&lt;br /&gt;- queria que fosse agora...&lt;br /&gt;- eu tava dormindo.&lt;br /&gt;- você não quer me ver?!&lt;br /&gt;- eu?!&lt;br /&gt;- sim.&lt;br /&gt;- ãh... claro. claro... mas não dá pra ser amanhã?&lt;br /&gt;- por que você tá tão estranho??&lt;br /&gt;- eu!? impressão sua...&lt;br /&gt;- você tava dormindo mesmo?&lt;br /&gt;- tava, ué!!&lt;br /&gt;- Carlos, fala a verdade. tem outra mulher aí com você, né?!&lt;br /&gt;- que nóia!! claro que não... eu só tava dormindo.&lt;br /&gt;- então acorda. eu passo aí pra te pegar pra gente comer alguma coisa.&lt;br /&gt;- não! não vem. Eu quero dormir, sério... tô um caco.&lt;br /&gt;- Carlos, fala a verdade. se tiver outra mulher aí com você...&lt;br /&gt;- pára de nóia. não tem ninguém aqui comigo. eu só tava dormindo.&lt;br /&gt;- hmmmmmmm...&lt;br /&gt;- sério. não viaja.&lt;br /&gt;- tem certeza que não quer sair?&lt;br /&gt;- tenho sim. quero dormir. na boa. não fica chateada, por favor.&lt;br /&gt;- tudo bem. então, que tal assim: eu vou até aí agora, faço um sexo oral em você e depois volto pra casa e te deixo dormindo em paz.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- pode ser??&lt;br /&gt;- claro! quer dizer... bom, se você insiste, tudo bem... vou deixar a porta aberta, ok?!&lt;br /&gt;- não. não precisa. deixa pra lá.&lt;br /&gt;- hein?!&lt;br /&gt;- mudei de idéia. volte a dormir. amanhã a gente se fala.&lt;br /&gt;- ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-8340092267937251435?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/8340092267937251435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/8340092267937251435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2007/10/da-srie-comdia-romntica.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;da série&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Comédia Romântica'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115646171825013486</id><published>2007-09-19T20:21:00.000-03:00</published><updated>2007-10-22T15:55:00.166-03:00</updated><title type='text'>três pontosCozinha do Inferno</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Circulando pelas ruas abarrotadas da orla em um fim de tarde de outono. Um véu escarlate se apossando do firmamento e se estendendo desde as nuvens esparsas até o horizonte. Desfazendo a cortina cinzenta que enfeita o nosso dia e preludiando o rasgar imutável das constelações noturnas. É a noite se abatendo sobre a cidade, deslizando viscosamente pelas paredes de seus edifícios. Tomando o tempo para si, exigindo a existência como sua. Absorvendo a consciência das pessoas, trazendo-lhes ao seu habitat soturno, obscuro, submundo. É toque de recolher das criaturas diurnas, claras e sem graça. É alvorecer das criaturas do escuro, famintas por diversão e frivolidades. Sedentas por aventura e sacanagem. A cidade noturna emerge do ventre de sua mãe clara. Adquire vida própria e se alastra, perseguindo o breu e as pessoas que o levam a qualquer parte. Falando, gritando, sorrindo, gargalhando e gozando. A cidade sente o ecoar dos gemidos da noite, que circulam por suas ruas e becos escuros, se propagando pelo éter negro que se incorpora a todos os seus cantos, por todos os seus poros, por todos os meus poros. A noite me invade, me possui, percorrendo os torpes corredores da minha mente liquefeita. Mesclando-se aos meus sentidos, de forma simbiótica, sintomática. Tornando-me parte de si e me trazendo seus medos, seus anseios. Fazendo meus os seus desejos mais profundos e pervertidos. A noite é imberbe, é jovial. Mas é sedutora, é faceira, sonhadora e matreira. Ela é caprichosa, e transborda sua sensualidade pelas calçadas, emprestando-a a todos os seus filhos incautos, dotando-os de sua sagacidade marota e imbuindo-os de sua inquietude fugaz e fulminante. Ela altera seus hormônios e feromônios como parte de seu plano para perpetuar-se no seio das sociedades. Fazendo dos herdeiros de seus incansáveis seguidores, herdeiros de si mesma. Incontáveis hordas de adoradores nos rituais noturnos de veneração a sua presença magnânima. A noite é ardilosa. Não se dá por vencida e estende seu domínio sobre as almas que se atrevem a penetrá-la. Levando-as, em chamas, a invadir a dimensão diurna sob seu domínio irresistível e turbulento. Ela nos consome, se alimenta de vida, desejo, violência, libido e medo. Aprisiona a nossa essência e liberta os corpos secos para viver o dia em sua ausência. Aguardando o novo chamado crepuscular que vai trazer-nos de volta à plena consciência, novamente aos seus cuidados e sob a sua influência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115646171825013486?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115646171825013486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115646171825013486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/11/trs-pontoscozinha-do-inferno.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Cozinha do Inferno'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-931642057071676296</id><published>2007-08-30T18:43:00.000-03:00</published><updated>2007-09-03T19:08:47.996-03:00</updated><title type='text'>divagar imprecisoRecall</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;&lt;em&gt;é sangue mesmo, não é mertiolate...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A causa daquela insônia que me atormentou por toda a noite de repente passava a se tornar relevante quando, pela manhã, pude observar o hematoma que se formava ao redor daquela junta dolorida. Era apenas um dedo. Um jogo, uma bola, um lance mal desenvolvido e um dedo idiota latejando de madrugada. Antes de qualquer coisa, auto-medicação. Uma passada na farmácia e tudo resolvido. Afinal, era apenas um dedo. Mas, canhoto, uma entorse mal curada poderia me incomodar, não só na quadra, não só na escrita, mas também no trato com o braço da guitarra. Isso já assusta o bastante. Embora seja apenas um dedo. Uma passada no hospital não me faria mal algum, pensei. Hospital público, porque achei que não valia a pena atravessar toda a cidade de carro apenas por causa de um dedo. Achei errado. A urgência é por ali. Lá vou eu. Vou encaminhá-lo à ortopedia. Lá vou eu. Vá por ali bater um raio-x. Lá vou eu. esperaesperaesperaespera... não fosse um setor de consultórios, na certa seria uma visão dantesca. Como àquelas no fim do corredor ao lado. Cheiro de formol. Pessoas vão, pessoas vêm. Pedaços de pessoas passam ao longe. Muletas e pernas remontadas e apertadas com parafusos. O garoto na cadeira da frente levanta a blusa comprida enquanto a sua mãe conversa com a senhora ao lado. Andando de skate. Braço quebrado e mal cicatrizado. Dá até pra ver o antebraço do guri dobrado ao meio como se ali houvesse uma terceira articulação. E eu me lembro do meu dedo. Outro paciente cruzando o corredor para a radiologia com sua perna pendurada com aqueles espetos encravados. E eu com meu dedo para ser examinado. A moça gorda que mal consegue se mover vem numa cadeira de rodas, na verdade uma ‘cama-de-rodas’, sua perna parece ter sido dobrada ao contrário, tem pinos de uma ponta a outra e alguns pares de anéis ao redor para sustentá-los. Dou graças a Deus por não ter tido uma infância sedentária, o que me rendeu algumas escoriações, mas uma certa resistência. Já penso na tala de gesso que terei de usar durante umas duas semanas e percebo que realmente nada no meu corpo é inútil. As tarefas mais simples se tornarão altamente complicadas sem o dedo anular da mão esquerda. Sobretudo a maioria daquelas que se realiza no banheiro. Mais um galeto espetado passa na minha frente e já começo a pensar no que estou fazendo ali. Eu e meu dedo. Já começo a me sentir como se numa oficina autorizada de peças de reposição. Peças quebradas para serem substituídas como se o corpo humano fosse tão simples de se lidar quanto uma máquina. A senhora com sotaque açoriano irritante repete a história de sua vida para a moça ao seu lado, contando como Dr. Roberval fez isso... Dr. Adalberto disse aquilo... Dr. Claudionor aquilo outro... a simplicidade nem sempre é bela. Os simplistas geralmente não se explicam, mas se entendem. Embora isso não torne a sua simplicidade atrativa. O pai que entra no consultório traz os papeis de internação do garoto que se prepara para cirurgia reparadora do antebraço. Meu dedo já não incomoda tanto. A bem da verdade, não fora uma contusão tão grave. Com o formato de meus dedos, que já não foram feitos para usar aliança, depois dessa luxação ficará ainda mais difícil de aceitá-las. Ótima desculpa. Tenho um amigo eletricista que disse para a esposa que quem trabalha com eletricidade não pode usar nada de metal no corpo. Ela aceitou. Eu já não espero tanta compreensão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-931642057071676296?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/931642057071676296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/931642057071676296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2007/04/divagar-impreciso-recall.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;divagar impreciso&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Recall'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-5420063039703240898</id><published>2007-07-05T06:48:00.000-03:00</published><updated>2007-07-08T10:57:32.173-03:00</updated><title type='text'>três pontosDados Viciados</title><content type='html'>Aquela mancha de vinho nunca mais saiu da minha camiseta&lt;br /&gt;Ao contrário de outras marcas que você deixou no meu corpo que logo sanaram&lt;br /&gt;A marca que você deixou em meu âmago ainda espera para ser completada&lt;br /&gt;Como uma meia tatuagem que precisa ser acabada por você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela lembrança, que não deveria significar nada, ecoa ainda em minha mente&lt;br /&gt;Incansável e insistentemente, me impele a voltar aos dias em que acreditei viver&lt;br /&gt;Eu te avisei que não estava nem aí, mas você insistiu em morder minha jugular&lt;br /&gt;E dela extraiu meu sangue amargo depositando levemente seu veneno macabro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maquiavélica, você me armou uma armadilha&lt;br /&gt;Traiçoeira, você me apunhalou pelas costas&lt;br /&gt;Orgulhosa, você não admitiu ser sobrepujada por mim&lt;br /&gt;Teria de me dominar, me fazer teu troféu, teu escravo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditando-me intocável, baixei a guarda&lt;br /&gt;Deixando-me levar no seu jogo sujo, sofri o golpe&lt;br /&gt;Despreparado, deixei-me envolver pelo seu assédio&lt;br /&gt;E cai nas tuas graças, nas tuas artimanhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que já me considerava infalível, insensível&lt;br /&gt;De corpo fechado para estas emoções pueris&lt;br /&gt;E imune a falsas paixões fulminantes e arrebatadoras&lt;br /&gt;Vejo-me apanhado em meio a fantasias juvenis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrematado pelo teu toque efêmero de uma noite apenas&lt;br /&gt;Vejo-me enlaçado pelo teu toque de Midas&lt;br /&gt;Vejo-me capturado pelo teu beijo de Judas&lt;br /&gt;Vejo-me enfeitiçado pelo teu canto e tua sedução, sereia-ninfa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castigo divino, justiça poética&lt;br /&gt;Eu deveria, mas não me arrependo&lt;br /&gt;Porque quis me enfeitiçar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-5420063039703240898?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/5420063039703240898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/5420063039703240898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2007/07/trs-pontos-dados-viciados.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Dados Viciados'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-8091608110123507454</id><published>2007-06-21T16:49:00.000-03:00</published><updated>2007-06-24T16:08:26.076-03:00</updated><title type='text'>três pontosWallpapers</title><content type='html'>Procuro clicar em algo de mim que me leve a você&lt;br /&gt;Algum atalho escondido na mente que execute você&lt;br /&gt;Antes que meu sistema entre em pane, se torne inoperante&lt;br /&gt;Sem as funções de código que só você aciona em mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como posso rodar sem o seu comando&lt;br /&gt;se o meu programa é venerar os teus lábios, se o meu instinto é seguir você&lt;br /&gt;Desde a porta de casa até o infinito e ainda além&lt;br /&gt;Mantenho-me ao lado sugando de seus poros aquilo que me mantém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gravado em sua pele alva como uma tatuagem&lt;br /&gt;Sou seu papel de parede&lt;br /&gt;te enfeitando as costas&lt;br /&gt;guardado sob suas vestes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu corpo, minha área de trabalho&lt;br /&gt;Teu toque, combustível&lt;br /&gt;Me alimento se teus beijos me invadem&lt;br /&gt;Com o perfume suave de rosa rara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo meu de ver você&lt;br /&gt;desejo teu de me ter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;anjos em silêncio&lt;/span&gt;, olhando para o céu suplicando perdão&lt;br /&gt;Pelo pecado de consumar um amor tão belo&lt;br /&gt;Que de tão puro deveria ser platônico&lt;br /&gt;Deveria ser espírito e não carne&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como ser espírito e ignorar toda essa paixão que nos arde?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-8091608110123507454?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/8091608110123507454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/8091608110123507454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2007/06/trs-pontos-wallpapers.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Wallpapers'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-7768218087956929952</id><published>2007-05-25T07:52:00.000-03:00</published><updated>2007-06-04T14:10:33.956-03:00</updated><title type='text'>três x quatroextraindo da costela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;pernas... duas. belas. longas, grossas, roliças e bem torneadas. de pele lisa como porcelana e suave como seda. e com pés pequenos, delicados e macios, que se contorcem de cócegas eclodindo numa gargalhada gostosa e reconfortante. seios fartos, não enormes – apenas fartos, com bicos pequenos que se estremecem enquanto os pêlos se ouriçam a um leve carinho molhado na base da orelha. glúteos arredondados, firmes e sensíveis. cintura bem modelada, um pouco atlética, mas sem perder a delicadeza. curvas bem delineadas, daquelas que faz você se perder em devaneios mil e delírios eróticos e aconchegantes. como manhãs de domingo no inverno embaixo do edredom. mãos delicadas de dedos longos e toque arrebatador. uma sensualidade latente, com toques de cuidado maternal e caras e bocas e caretas e gestos eróticos na medida certa. uma boca carnuda, mas pequenina, com uma língua sempre úmida de movimentos terapêuticos e beijo delicioso, sabor de doce de pecado com cobertura cândida de leite condensado. um respirar flutuante, hora tranqüilo, hora ofegante, que desprende dos lábios um som de prazer que faz os ouvidos se desmancharem, desmontando todos os padrões de equilíbrio do corpo. o pescoço longo e o porte elegante contrastam facilmente com seus trejeitos de moleca atrevida, divertida e sorridente. um sorriso de desmanchar qualquer dia ruim. fulgurante, entorpecente, fascinante. bom humor para enfrentar de peito aberto todas as adversidades e aquela paciência que só a paixão nos permite cultivar. um corpo lânguido de formas esguias milimetricamente construídas para me receber. abdômen sarado? não... levemente sedentário e fofinho. uma âncora na realidade, afinal, ela tem de ser perfeita, não utópica. um tanto preguiçosa, só para aumentar o charme de sua meiguice apaixonante, mas sempre bem disposta nas horas certas. um gosto incontrolável por aventuras, mas sem abrir mão de tardes de preguiça e aconchego a dois, hibernando numa cama quente. pele alva rosada e olhos brilhantes. de que cor? verdes... não! azuis... ou melhor, negros de formas amendoadas... ah, isso não importa. o olhar sim. penetrante, firme e desconcertante. daqueles que desmontam suas certezas e te faz querer mergulhar naqueles olhos e nos seus sonhos. um olhar que transmite segurança e, ao mesmo tempo, pede por proteção. desmontando todos os muros edificados à sua frente. cabelos? tanto faz. hoje em dia isso não faz diferença mesmo. todos os tons podem ser pintados de vermelho (é, eu tenho um certa queda por ruivas). personalidade forte. teimosa, geniosa, ousada, lasciva e de posições firmes. inteligente, obstinada e sincera. sem papas na língua, sem meio-termos, sem querer agradar ninguém, nunca. e sarcástica, a ironia tem de correr nas suas veias como corre nas minhas. é a sua versão feminina? talvez, qual é o problema? nunca aceitei essa estória de que os opostos se atraem. não gosto de mulheres santas, nem boazinhas demais. sempre gostei mais da Lilith do que da Eva. ela tem de desafiar meus instintos mais ferinos, não apaziguá-los. fazer meus brios responderem daquela forma que só uma mulher completa de verdade pode fazer. mas não pode ser séria. meio menina, meio mulher, sempre nas horas e intensidades adequadas. altura? ah, sei lá... qualquer coisa entre 1,60 e 1,85. pode ser mais alta que você? o quê é que tem? é só um pouquinho... nada de mais. que tal um e setenta? um pouco baixa, mas está ótimo. e o nome? ela não precisa de nomes. mas sem um nome o programa não compila. ok, tá bom. eu pensei em algo meio escandinavo, meio leste europeu, talvez russo. é isso! russo. nome de agente espiã da KGB. a partir de agora ela se chamará... &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Natasha&lt;/span&gt;. enter...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-7768218087956929952?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/7768218087956929952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/7768218087956929952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2007/05/trs-x-quatro-extraindo-da-costela.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três x quatro&lt;/font&gt;&lt;br&gt;extraindo da costela'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-6068061427106355953</id><published>2007-05-11T16:36:00.000-03:00</published><updated>2007-05-13T16:44:57.371-03:00</updated><title type='text'>divagar imprecisoCem dias</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;&lt;em&gt;parece cocaína, mas é só tristeza...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;as constantes tentativas de manter esse sorriso amarelo-pálido na minha face têm se revelado extremamente desgastantes e cada vez mais inúteis. o peso de meus pensamentos e da minha tristeza parece crescer a cada dia que passo vendo as folhas do calendário caindo e meu tempo indo embora como a areia de uma ampulheta lacrada que não pode ser reposta. o trafegar de meus instintos, até então mantidos sob controle absoluto, padece de ansiedade e medo. gerando calafrios cada vez mais intensos na minha espinha e curvando-a em direção à gravidade. as maquiagens emocionais, os disfarces casuais e as máscaras que mantenho na face parecem não surtir mais efeito e minhas dores passam a eclodir de meus olhos como lava vulcânica. queimando todos os aparelhos internos de meu corpo, mas fazendo-me sentir, apenas, cada vez mais frio. perpetuando esse meu estado cíclico de humores dispares, eu chego a um vale. profundo, seco, gelado e escuro. e procuro, mas não encontro mais forças em meus membros para tornar a subir. o fundo do poço parece ter se instalado de forma permanente em minha alma. latejando com tanta força que minha natureza transparente não consegue mais se esconder entre minhas vestes e salta de meu peito. junto com essa dor que expele meu coração para fora do tórax quando ele se abre como uma flor e deixa cair pétala por pétala de minha sanidade ao relento das calçadas de mármore que rodeiam a estrada inóspita da solidão. a confusão se dissipa de minha mente, deixando apenas o vago. uma inércia imperativa que me suga por completo. deixando apenas uma carcaça vazia de semblante apático e atitude conformista. um negativo completo de tudo aquilo que sou. um toque fúnebre com sabor de desistência, de impotência. um olhar distante que persegue o horizonte. uma inexpressão estampada na face. um desejo incômodo de que tudo fosse diferente, de que eu fosse diferente. talvez outra pessoa. sensação de cansaço e vontade de desaparecer. a lei de Murphy, quando resolve atacar, vem de todos os lados e não te deixa respirar. e parece ter o poder de amplificar as tristezas mais particulares e sugar todas as crenças, as vontades e a confiança, até te deixar sem forças para reagir. sou eu, no olho de um furação feroz e sem espaço para sair. sem rota para fugir. tentando, inutilmente, me esconder do mundo a minha volta, dentro de mim mesmo. para quando sair do casulo, poder ter de volta as verdades que minha vida perdeu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-6068061427106355953?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/6068061427106355953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/6068061427106355953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2007/04/divagar-impreciso-cem-dias.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;divagar impreciso&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Cem dias'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-4989139526914831273</id><published>2007-04-26T21:13:00.000-03:00</published><updated>2007-05-13T17:16:37.969-03:00</updated><title type='text'>espelhosAbismo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela olha para baixo e enxerga a água turva sob seus pés. As lágrimas em seus olhos acusam as suas intenções. Ela realmente planeja pular. Quando o conheceu há apenas algumas semanas, uns dois meses sendo mais preciso, já imaginava a cena épica que estava prestes a realizar ali. O roteiro já sabia de cor e até o desenrolar dos acontecimentos vindouros já podia prever. Mas ela o conheceu. Aquela ponte era tão antiga que se passasse tempo demais pensando corria o risco de perder o direito de escolha. Ela odeia qualquer coisa que comprometa o seu livre-arbítrio. Sentir-se presa é pior do que a morte, e é por isso que veio até aqui. Maldita a hora em que resolveu ir até aquele show. Podia estar ainda livre, podia ser dona de si mesma. Mas não era mais. Sua vida desregrada a fazia feliz, apesar de tudo. Sentia-se bem com a falta de apego a tudo e a todos. Não mais agora. Ela o ama, e se odeia profundamente por isso. Sua vida, do dia para a noite, passou a fazer algum sentido. E todas as suas atitudes, festas, loucuras, seu adorado &lt;em&gt;way of life&lt;/em&gt;, já não tinham a mesma graça. Encontrava ali um motivo para seguir em frente, para fazer planos e até para ter algumas responsabilidades. E isso era detestável. A irresponsabilidade, a porralouquice e a falta de limites já faziam parte de sua essência. Como mudar agora? Como mudar algo que não se quer mudar? Ela olha para baixo novamente e pensa duas vezes. Num momento como aquele, em circunstancias como aquelas, pensar duas vezes é muito. Uma vez e meia já seria o bastante para desistir. E ela se odeia por isso. Sai dali sorrateiramente e se afasta da maldita ponte, já condenada, antes que perca aquilo que mais preza na vida: sua liberdade de escolha. Ela teve medo ali. E não sabe conviver com isso. Vai ao seu encontro agora. Marcou de encontrá-lo em uma hora na sua casa. Foi embora sem realizar o que planejou fazer. Não se atirou. Pelo menos não hoje. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-4989139526914831273?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/4989139526914831273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/4989139526914831273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2007/04/espelhos-abismo.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;espelhos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Abismo'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-1760916818748925441</id><published>2007-03-08T19:19:00.000-03:00</published><updated>2007-03-09T19:24:52.309-03:00</updated><title type='text'>rapsódia românticaRessonância</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu me segurei até onde pude. Mas você deixou uma brecha e me deu todos os meios de percorrer o caminho até meu destino. Na sua insegurança você trancou as portas, mas deixou as janelas entreabertas para que eu encontrasse a passagem. Atravessei os umbrais cautelosamente, buscando controlar os movimentos espúrios e tentando não transparecer o quanto estava apavorado. Aquele frio na boca do estomago e aquela sensação de instabilidade nas pernas denunciando que eu recaía no mal da adolescência. Era eu ali, do alto de minha pseudo-experiência de tão poucos anos de vida, caindo de novo nas armadilhas que já conhecia tão bem, desde o tempo em que, ainda imberbe, me aliciavam a perder a sobriedade e me entregar, mais que por inteiro, à sensação de ardor que dilacera mais do que nunca quando sua força é amplificada pela juventude, capacidade pífia de suportar as tensões, as dores e os prazeres. A consciência inexata dos atos e perda progressiva da percepção de realidade são efeitos sintomáticos. É a serenidade diluindo-se na adrenalina que inunda os vasos e expulsa o sangue com força e ferocidade. E faz as artérias se alargarem. Faz os sentidos se perderem quando tudo o que se vê são outros olhos, tudo o que se toca é outro corpo, tudo o que se respira é outro feromônio, tudo o que se degusta é outra língua e tudo o que se ouve é o compasso acelerado de musica ligeira de dois corações bombeando para fora da mente a lucidez em uníssono. Entrando em ressonância e se perdendo de todo e qualquer controle. Levando a sua freqüência a se propagar por entre os membros que vibram e tremem e ressonam com o bombear dos desejos. Amplificando, se amplificando, sendo amplificado, explodindo, instável. Sendo expelidas na forma de energia pelas forças ocultas de magnetismo e gravitação entre corpos que se atraem e entre almas que se tocam... num beijo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-1760916818748925441?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/1760916818748925441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/1760916818748925441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2007/02/rapsdia-romntica-ressonncia.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;rapsódia romântica&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Ressonância'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-3274507445392671249</id><published>2007-02-28T19:26:00.000-03:00</published><updated>2007-03-01T19:59:50.406-03:00</updated><title type='text'>da sérieComédia Romântica</title><content type='html'>- bom dia!!&lt;br /&gt;- bom dia...&lt;br /&gt;- tá bonito lá fora, né? vamos sair?&lt;br /&gt;- sair!?&lt;br /&gt;- vamos à praia!&lt;br /&gt;- praia?!? agora?!&lt;br /&gt;- sim, ué! qual o problema?&lt;br /&gt;- a gente acabou de acordar...&lt;br /&gt;- melhor ainda! levanta e vamos embora.&lt;br /&gt;- a essa hora? tu és louca?!?&lt;br /&gt;- por quê?! o que tem a hora?&lt;br /&gt;- tá muito cedo. vamos mais tarde.&lt;br /&gt;- mais tarde a que horas?&lt;br /&gt;- lá pras quatro.&lt;br /&gt;- quatro?! mas são nove da manhã!&lt;br /&gt;- isso mesmo. cedo demais.&lt;br /&gt;- não! vamos de meio dia, então. tempo suficiente pra acordar, comer e sair.&lt;br /&gt;- meio dia?? nem fudendo! pirou?? meio dia o sol é muito quente. vamos mais tarde. depois das três e meia tá bom.&lt;br /&gt;- nessa hora não tem mais sol, daí.&lt;br /&gt;- então! a idéia é justamente essa.&lt;br /&gt;- a sua, não a minha. vamos a uma hora, então.&lt;br /&gt;- muito quente ainda.&lt;br /&gt;- porra! mas sem sol, qual é a graça??&lt;br /&gt;- a areia, a água salgada, a multidão... o sol é a única coisa ruim que não vai ter.&lt;br /&gt;- ruim pra você. eu gosto de praia, seu chato!&lt;br /&gt;- tá bom... vamos às três, então.&lt;br /&gt;- às duas! duas horas é uma boa hora pra chegar na praia.&lt;br /&gt;- se você quiser almoçar na areia, pode ser...&lt;br /&gt;- ai, que saco!&lt;br /&gt;- depois das duas e meia, pronto! tá bom pra você?&lt;br /&gt;- duas e trinta e um, em ponto!&lt;br /&gt;- ok, ok. você venceu... você sabe que o seu desejo pra mim é uma ordem.&lt;br /&gt;- nossa! e tu ainda tem coragem de me chamar de manipuladora...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-3274507445392671249?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/3274507445392671249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/3274507445392671249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2007/02/da-srie-comdia-romntica.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;da série&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Comédia Romântica'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115646161779585423</id><published>2007-01-08T20:18:00.000-03:00</published><updated>2007-01-08T13:10:53.620-03:00</updated><title type='text'>três pontosInvasões Bárbaras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;passados todos os anos de montagem da minha personalidade e caráter. desde a fase dos aprendizados mais básicos até a puberdade, culminando com a busca de uma identidade própria na adolescência para estar apropriadamente formado na chegada da primeira pseudo-maturidade de vinte e poucos anos de vida irresponsável. continuo buscando determinar aquelas verdades que devem permanecer e aquelas das quais devo abrir mão. selecionar o que é dogma, o que é preconceito, o que é atitude, o que é teimosia, o que é motivo, o que é paixão, o que é entusiasmo, o que é razão. mas perco o controle das minhas certezas quando me desmancho no maço de crenças que se embaralham na minha percepção de mundo cinzenta e não encontro mais fé nenhuma em sequer uma parte do corpo. tomo nota dos fatos que se desenrolaram ante meus olhos e acrescento os capítulos da história que é escrita ao vivo diante de uma platéia de espectadores passivos na qual me encaixo. percebo que não há nada em meu caderno que me leve a ter um mínimo impulso de desejo por mudança. dando-me conta de que a verdade do mundo é outra que não esta impressa em livros. que a religião não é porta de salvação para nenhum dos nossos pecados. que o comunismo é uma utopia que caiu em desuso diante de todos, junto com aquele muro, e não pode nos dar mais nenhuma esperança. que o capitalismo não se preocupa com bem estar de ninguém e só levará a uma cada vez mais crescente desigualdade de valores, de classes, de poder, de dignidade. que o liberalismo não passa de um conto de fadas às avessas. que a globalização só globaliza na verdade às mazelas sociais e não fará do mundo um lugar nem de longe mais justo. que a tecnologia pode criar todos os meios para salvar vidas, mas sempre haverá um meio de usá-la para retirá-las. que a igreja é uma farsa. que Darwin estava certo. que o império da liberdade americano está ruindo. que ninguém é incorruptível. que todo político é, em essência, um escroto. que a sociedade que se deteriora produz dentro de si própria, os agentes de sua ruína. que a família é uma instituição auto-dissolúvel. que as guerras, a cada século que passa, encontram cada vez mais torpes razões de ser e existir. que a pólvora é hoje, tão somente, uma chave para o controle populacional. que todos os símbolos de liberdade do mundo moderno não são nada mais do que isso, símbolos. que o mundo é injusto. que a vida é ingrata. que a amizade, mesmo quando consensual, nunca deixa de ser algo condicional. que o amor não é algo em que realmente valha a pena se apegar, devido aos enormes riscos envolvidos, dada a sua condição finita. que o sexo em si, embora de extrema importância, não é a única coisa importante dos relacionamentos, tornando-os ainda mais complicados. que a lei de Murphy não foi criada à toa. que nada te dá garantia de que a pessoa ao teu lado hoje estará ao teu lado amanhã. que ninguém fará mais por você do que por si mesmo. que ninguém fará mais por você do que você mesmo. hoje, eu acredito apenas em mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115646161779585423?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115646161779585423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115646161779585423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2007/01/trs-pontosinvases-brbaras.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Invasões Bárbaras'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-116264819881962591</id><published>2006-12-19T10:47:00.000-03:00</published><updated>2006-12-22T14:46:04.790-03:00</updated><title type='text'>três pontosà espera do bom velhinho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Descurpa de vim até aqui atrapalhá a viagem de ocês, mas não é uma questão de escolha é de necessidade. Eu posso ter vindo de uma cidadezinha pequena no interior do nordeste, ou talvez tivesse nascido nargum gueto suburbano bem aqui perto mermo. Não faz muita diferença. O que faz é a condição em que me encontro agora. Desempregado, com a patroa adoentada e cinco filhos pequenos para cuidá. Há meses não consigo trabalho e nem uma vaga no hospital pra que minha mulher seje cuidada. Eu não tenho nem o suficiente para pagar a passagem de vorta pra casa e sequer para alimentar minhas crianças. Estou aqui pedindo uma ajuda a vocês porque é melhor do que roubar ou matar. Não tenho vergonha de fazê-lo porque ela, e a dignidade, já perdi há tempos. Talvez eu seja mais uma vitima dessa sociedade capitalista e mesquinha que não dá oportunidades a quem vem de baixo. Talvez não tenha tido a chance de me escolar, de aprender a ler ou escrever e tenha sido obrigado a começar a trabalhar desde muito cedo. Cuidando de carros nas ruas, lavando-os e pedindo um trocado nos sinais para comprar um pão e matar a fome de meus irmãos menores. Poderia ter me tornado um criminoso, um bandido, um viciado ou até mesmo um traficante. Poderia ter matado para comer. Para sobreviver. Podia ser um ex-detento arrependido, que no auge do desespero sucumbiu a uma atitude desesperada, com o perdão da redundância em minha frase, e foi parar numa cela imunda para conviver e aprender a sobreviver entre os indivíduos da pior espécie de nossa sociedade consumida pelo ódio e a violência e a desigualdade e a injustiça. Posso realmente ter saído da cadeia e tentado me redimir, colecionando insucessos ao longo da jornada infrutífera e cada vez mais angustiante da reabilitação social. Talvez a falta de oportunidade tenha me relegado ao posto de assistente de pedreiro e negado a chance de aprender um oficio de maior dignidade. Ou status. Nada disso justifica um comportamento criminoso, mas talvez eu nunca tenha caído no crime. Ou talvez nunca viesse a cair se alguém tivesse me estendido uma mão. Talvez eu tenha tido todas as oportunidades de construir algo de bom na minha vida, e talvez eu tenha estudado, concluído o colégio, mas nunca tenha conseguido uma chance de prosseguir estudando numa faculdade porque essa chance é negada àqueles de classes sociais desfavorecidas. Ou talvez eu tenha tido o privilégio de me formar dotô e isso não tenha me rendido um emprego que me garantisse um mínimo de dignidade. Talvez eu tenha sido obrigado a casar cedo, por falta de uma orientação que me impedisse de cometer o delito de trazer ao mundo uma criatura inocente para viver entre os porcos desse mundo podre e moderno. Talvez isso tenha consumido todos os meus sonhos e me jogado em uma avalanche de má sorte que me trouxe até aqui. Cinco filhos, uma esposa doente, nenhum emprego e ninguém a quem recorrer. E eu ainda nem atingi a maturidade suficiente para tanto. E aí você vai dizer q isso é frescura e eu lhe pergunto: quantos anos você espera ter ao atingir a sua? A sua geração não é a mesma que foi adolescente até mais tarde? Vivendo com os pais até quase trinta e tentando ainda se aceitar e ajustar. Quem lhe disse que você já é adulto? Eu lhe digo que você não vai saber quem eu sou. Eu posso ter sido o seu professor de colégio antes de tudo dar errado. Eu posso ter sido o moleque de rua com quem você brincou na infância, até que seus pais descobriram e o levaram pra longe de mim. Eu posso ter sido o flanelinha que lavou o para-brisas do teu carro. Eu posso ter sido o delinqüente que lhe roubou aqueles tênis caros. Eu posso ter sido seu colega de classe e ter tomado um rumo totalmente diferente do teu. Eu posso ter sido teu colega de faculdade e ter tropeçado e caído num abismo do qual jamais sairei. Eu posso ter sido o homem que roubou as jóias da tua avó no sinal de trânsito e matou o teu pai com um tiro no peito num momento de profunda loucura, fome e desespero por não conseguir ajuda para salvar a vida da minha mulher, que agonizava entubada numa cama de UTI. Eu posso ter sido muitas coisas e talvez você nunca tenha me visto e jamais me veja de novo em tua vida. Eu vim até aqui pedir ajuda, porque não tenho mais nada a perder e mais ninguém a quem recorrer. E eu poderia ter sido seu pai, ou até mesmo você, se tudo tivesse, simplesmente, dado errado. Por fim eu quero agradecer a todos vocês que me ajudaram e também aqueles que, por um motivo ou outro, não puderam fazer o mesmo. Quero agradecer ao cobrador que me deixou subir pela porta de descida. E que Deus abençoe a todos vocês...&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ffffff;"&gt;esse texto pode ter sido baseado em fatos reais, ou pode ter sido apenas um delírio do autor. mas você certamente já ouviu uma história parecida em sua vida. verdade ou não, quaisquer semelhanças com fatos reais &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;não terá sido mera coincidência. a pergunta é:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;que tipo de sentimento ou reação isso ainda provoca em você?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-116264819881962591?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/116264819881962591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/116264819881962591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/12/trs-pontos-espera-do-bom-velhinho.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;à espera do bom velhinho'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115637347990374328</id><published>2006-11-23T19:49:00.000-03:00</published><updated>2006-11-26T15:54:19.966-03:00</updated><title type='text'>três pontosYoungblood</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Existe uma diferença gritante entre autenticidade e rebeldia desfocada, é incrível como tanta gente se perde em meio às duas coisas. A garota que tinha os cabelos azuis, hoje os mantém negros, ao natural. Já não usa mais os seis brincos que perfuravam suas orelhas e trocou as roupas sempre escuras e com dizeres contestadores pela farda de secretária da loja de peças automotivas. Nunca mais pegou um baseado, mas mantém-se no vício das suas três carteiras semanais de cigarro. Ainda toma os mesmos ônibus todos os dias, mas já não chama mais a atenção de ninguém. O rapaz dos cabelos emaranhados e despenteados hoje os penteia a gel. Sempre bem curtos, eles já não podem mais esconder as argolas que já não usa mais nas orelhas. Ainda usa as calças bem abaixo da linha da cintura e as camisetas das bandas de metal que ouve (aquelas que de tão largas no passado se ajustam perfeitamente no seu novo corpo obeso), mas apenas em casa. No trabalho está sempre bem ensacado, abotoado, penteado e engomado para atender os clientes no caixa da loja de departamentos. Sua guitarra mofa guardada no armário. Sem cordas. Passou a evitar o pó, mas de vez em quando ainda experimenta uma erva com os colegas do irmão mais novo. Ainda toma os mesmos ônibus todos os dias, mas também não chama mais a atenção de ninguém. A garota faceira que raspava os cabelos para se misturar aos meninos e se vestia com tecidos da ‘índia’ hoje, aos 33 e recém formada médica, trocou os &lt;em&gt;piercings&lt;/em&gt; que usava nas orelhas, língua e nariz, pelo pequeno e discreto que esconde no umbigo. Embaixo do enorme jaleco branco que encobre suas quatro tatuagens quando precisa se apresentar no atendimento aos pacientes do hospital universitário, com suas longas e belas madeixas louras, sempre bem penteadas. Ela ainda tem mais dois anos de residência pela frente, e frequentemente se sente presa. Às vezes ao passado, outras ao futuro. Nunca ao presente. Todos eles queriam mudar o mundo. O mundo em que vivem hoje ainda é o mesmo no qual cresceram relutantes. As pessoas, eles sim, é que mudaram. Por quê?! O mundo é imutável? Não. Ele é maleável, sempre. Mas rejeita propostas vazias. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115637347990374328?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115637347990374328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115637347990374328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/11/trs-pontosyoungblood.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Youngblood'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115771350145258699</id><published>2006-10-27T08:02:00.000-03:00</published><updated>2006-11-26T15:53:49.146-03:00</updated><title type='text'>da sérieLuísparte III - Sr. Silva</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;&lt;em&gt;“se você deseja por ordem no inferno precisa negociar com o diabo”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A esperança que mantinha, de que um dia mudaria com seus sonhos a história pragmática de seu país, se esvanecia na imagem de apatia que se pintava nos rostos de um povo covarde, que não se acreditava dono de si mesmo. E quão difícil é acreditar em alguém que se enxerga incapaz e se faz inerte. Para domar a hierarquia de uma sociedade corrompida e amedrontada, teria de se reconstruir tão plácido e efêmero quanto seus eternos corruptores. Ele renunciou a convicções, cedeu em termos que julgava intocáveis e abriu mão, cada vez mais, do que considerava necessário, buscando negociar suas convicções para obter aquilo que se fazia primordial em detrimento da própria vontade. Agia da forma como se exigiam os protocolos que o seu povo, desconhecendo o motivo para tanto, ainda assim ansiavam por ver respeitados. Vendeu parte de sua luta aos velhos inimigos para que assim fosse possível comprar-lhes ao menos o que lhe fosse essencial. Abdicou de parte de si em nome de parte de seus desejos por mudanças para a vida de seus pares, que nunca, de fato, compreenderam e aceitaram a sua idéia. O fez em nome do que era maior, para suplantar a falta de coragem das pessoas em governar o próprio destino. Não foi a esperança que o pôs à frente de uma nação, mas o velho jogo do poder que ainda detinha o controle sobre as massas amedrontadas que se viam incapazes de se desgarrar dos velhos algozes, donos de suas vidas. O medo que o povo ainda tem de si mesmo. Medo este que o faz entregar seu destino incondicionalmente a antigas oligarquias quase monárquicas que o faz acreditar serem divinamente destinadas a dominar e conduzir, segundo a própria ambição, a vida dos mais fracos, destituindo-os da sua vontade sob um falso manto protetor que os aprisiona numa cínica noção de direito e igualdade calçada numa pseudo-liberdade que, na prática, é inexistente. Um povo que se nega a tentar compreender as regras de um jogo mesquinho do qual participa passivamente; que se deixa subjugar por regras a si impostas por aqueles que julgam mais fortes por falta de um esclarecimento que não lhes foi passado: de que todos os homens são iguais e a eles deve ser dado o direito de serem igualmente capazes de discernir sobre o próprio destino. Ele assumiu então a responsabilidade por um mandato que lhe foi dado, não como resultado decisivo da luta de seu povo pela própria emancipação, mas pelo descaso que esse povo já acumula por si mesmo, deposto de qualquer noção real de esperança. Alcançou o topo de uma pirâmide de poderes que se amontoam imiscíveis, cada qual em nome de si mesmo, e teve de negociar, mais uma vez, com os alicerces de um palácio magnífico de babel, a sustentação de seus princípios e do bem estar de toda uma população que entrava em conflito com o direito às mordomias de tão poucos. Viu-se obrigado a pôr de lado a sua bandeira e debater, insistentemente, aquilo que lhe parecia indiscutível: o direito de cada homem a sua dignidade deve superar os privilégios de tão poucos. Teve o seu exército degolado, com os princípios deturpados pelas falhas daqueles a quem confiou seus ideais mais profundos. Perdeu companheiros, mas se mantém firme na luta, ainda que limitado pelo jogo dos poderes oriundos das castas inimigas, e mais do que nunca, ciente das suas responsabilidades para com o seu povo. Que hoje deveria saber: que &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;nenhum homem é maior do que a idéia que representa&lt;/span&gt;. Nem aqueles que acertam, nem tampouco aqueles que erram. E que nenhuma nação será verdadeiramente grande enquanto seu povo não se vir alforriado da opressão dos falsos líderes que o representam, passando a exercer o controle da própria organização social. Ao homem carente de ideologia não é dado o poder de escolher sabiamente os seus representantes, e a obrigação de fazê-lo sem tal ciência é nada mais que um irreal conceito de liberdade e nada menos que uma deturpação dos princípios da democracia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115771350145258699?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115771350145258699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115771350145258699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/10/da-srielusparte-iii-sr-silva.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;da série&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Luís&lt;br&gt;&lt;font size=&quot;-1&quot;&gt;parte III - Sr. Silva&lt;/font&gt;'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115861721924168854</id><published>2006-09-25T09:03:00.000-03:00</published><updated>2006-10-07T11:17:46.540-03:00</updated><title type='text'>divagar impreciso...dos dias que entraram pra história</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;&lt;em&gt;“existem marés e existe a lua”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se a felicidade completa fosse alcançável, será que a vida teria a mesma graça? Sem o risco da derrota, que prazer a vitória traz? Que garantia se tem de ter feito, a cada escala, a escolha correta do itinerário? ou a melhor? Se na verdade não existem respostas certas ou erradas, existem apenas respostas. Não existem finais felizes ou tristes, mas apenas finais. Resultados dos inúmeros desdobramentos em efeito borboleta que me trouxeram até aqui. Não vale a pena perguntar, e talvez seja melhor mesmo não saber, aonde mais eu teria chegado, ou não, a cada um deles. Escolher um caminho e abrir mão dos demais. Olhar para trás, de vez em quando, para as supostas estradas vizinhas, nunca. As escolhas se exigem, não se concedem, cada qual a seu modo e momento, certos ou errados, para quem quer que seja, apenas os seus próprios momentos. A única escolha nunca se tem é a de não escolher. Que no fundo, ainda confere a responsabilidade pela opção que não se fez. E que sempre se faz. As conseqüências de minha história, aparentemente tão reta e, nas entrelinhas, tão errática e repleta de conflitos, dúvidas, mas não de omissões. Erros, falhas e decisões imprecisas. Tudo que parece hoje ter sido tão simples é só um resumo que empalidece o brilho de cada tomada e ofusca uma série de equívocos diluídos em meio às cinzas do tempo. O progresso se faz de acertos; a evolução dos erros; estes daqueles e a história de ambos em sua própria relevância. Já destruí toda a minha vida com as próprias mãos três vezes e, dos escombros, me reergui. Novo e ao mesmo tempo calejado, sem sucumbir, ainda assim, ao medo de correr novos riscos. Sem conflito, não há progresso. E nada se absorve da vida que não implique em arriscar-se de igual modo ao seu valor. Arriscar-se sempre, porque mais que ser feliz, é preciso viver. E se sentir vivo – bem mais do que apenas estar. Porque se a felicidade plena não existe, é a sua busca constante o que satisfaz. E a certeza de estar sempre fazendo mais e o melhor de si mesmo. por si mesmo e por quem lhe precise, nunca por quem lhe exige. Eu sou apenas dono de mim mesmo. E não preciso provar mais nada a mais ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115861721924168854?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115861721924168854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115861721924168854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/09/divagar-imprecisodos-dias-que-entraram.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;divagar impreciso&lt;/font&gt;&lt;br&gt;...dos dias que entraram pra história'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115677134646117672</id><published>2006-09-19T10:06:00.000-03:00</published><updated>2006-09-18T19:14:15.360-03:00</updated><title type='text'>da sérieLuísparte II - 300 picaretas</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;&lt;em&gt;“homens não seguem homens, seguem idéias.”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele conheceu o homem que proferiu esta frase e, com a benção do novo amigo, partiu acreditando que faria do seu povo uma nação tão grande quanto poderia ser. Deste honrado amigo, companheiro da luta pela liberdade, tirou lições, inspiração e paixões. Seu nome era Fidel, e ele nunca desistiu. Enfrentou com empenho uma ditadura tirânica sem esmorecer jamais. Primeiro judicialmente, depois ideologicamente e por fim, vendo todos os seus esforços se fazerem inúteis na busca pela realização dos anseios de seu povo, com armas em punho e uma idéia na cabeça, comandou um levante que tomou as rédeas de seu país das mãos de déspotas sanguinários e entregou-as ao povo em suas próprias. Assim como seu novo amigo, ele acreditava numa idéia, mas ao invés de um único antagonista, seu povo tinha vários. E ele sabia – teria de vencê-los democraticamente no plano ideológico, um a um, para atingir a libertação tão sonhada. Aprendeu, dia após dia, que o caminho tortuoso se faria cada vez mais penoso; que muitos dos que o acompanhavam tombariam no decorrer da dura jornada; que muitos seriam corrompidos e vários simplesmente desistiriam de lutar enquanto outros se aliariam a sua causa. Num ciclo de homens que vem e se vão para manter acesa a chama de uma idéia. E firme, ele sustentou-se diante das ofertas, tentações e ameaças que o quiseram derrubar. Ele percebeu que os déspotas eram muito mais e maiores do que pensava e que ficava cada vez mais difícil enfrentá-los. Pois o seu povo, sentido, sofrido, alienado e abduzido da fé em si próprio, entregara seu destino nas mãos daqueles que o iludiram e o fizeram acreditar que não apenas bons ou melhores, eram também os únicos capazes de guardá-los. A mais bela tribo era dia a dia arrasada por ser inocente, convencida de que era prova de amizade ser destituído até mesmo do que já não se tinha. O seu povo era ingênuo e não eram poucos os corruptos dispostos a se aproveitar de tais circunstancias, entre aqueles que o representavam com tanto vigor e ostentando palavras de ordem democrática, eram quase todos. E era difícil convencer um povo deposto de sua liberdade por tanto tempo, de que não era incapaz de cuidar de si mesmo; fazê-lo entender que sua dignidade estava ao alcance de todas as mãos que se pusessem a lutar por ela em lugar de seguir esperando pela vinda de subseqüentes salvadores da pátria que findavam sempre por violentá-la mais e mais. Mas isso um dia teria de mudar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115677134646117672?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115677134646117672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115677134646117672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/09/da-srielusparte-ii-300-picaretas.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;da série&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Luís&lt;br&gt;&lt;font size=&quot;-1&quot;&gt;parte II - 300 picaretas&lt;/font&gt;'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115455929153058125</id><published>2006-09-11T07:50:00.000-03:00</published><updated>2006-09-11T08:30:45.180-03:00</updated><title type='text'>. . .angels in black</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;"o senhor da guerra não gosta de crianças"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma mãe toca o rosto do seu filho. Acaricia-lhe a testa e tenta, uma vez mais, encontrar uma centelha mínima de vida que ainda lateje dentro de seu corpo inerte, pálido e perfurado por projeteis das armas de fogo empunhadas por aqueles que se dizem servos fiéis de um deus que pede por mortes e violência em troca da salvação de suas almas. Para guardá-las por toda a eternidade aos cuidados de 72 jovens virgens no seu paraíso psicodélico. Seres humanos, de carne e osso, com certeza, cujo espírito há de se duvidar da existência. Movidos pelo amor incondicional a um deus de ódio, que apenas eles acreditam existir. Empunhando suas armas e sua fé contra a vida de seus semelhantes, para obter a glória máxima de poder levantar aos céus suas mãos manchadas de sangue inocente de crianças que não votam em presidentes, que não entendem a balança comercial, que não escolheram um lugar para nascer ou para viver, que não entendem a distinção entre indivíduos da raça humana nascidos negros ou brancos, neste ou naquele continente e não tiveram a oportunidade de escolher um dentre os tantos deuses adorados ao redor do planeta. Crianças que não viverão para ver os seus sonhos nascerem e não terão oportunidade de escolher torná-los ou não realidades. Que não saberão a diferença entre amar e estar apaixonado. Que não conhecerão a sensação do primeiro beijo, do primeiro amor, da primeira decepção, das amizades duradouras, das dificuldades da convivência em sociedade. Que não sentirão a vergonhosa confusão de ver os seus pêlos nascendo, seus desejos surgindo, suas vidas sendo compostas e saciadas. Que não terão uma primeira vez, um primeiro emprego, uma formatura de colégio, uma adolescência, uma vida. Que foram privados do maior presente que Deus já lhes deu. Tomado de volta por covardes terroristas fanáticos em nome de um outro deus qualquer. Se o paraíso que eles buscam realmente existe eu não sei, mas se existir, hoje, certamente, todos os seus anjos vestem negro. Como os anjos que se preparam para receber os seus novos companheiros, nascidos a pouco e já falecidos, nas falanges de um exercito que um dia, terá de lutar uma guerra para, enfim, conhecer a paz. Assim como essa mãe que hoje não vê esperança, futuro ou chão sob os pés. Apenas o corpo gelado e putrefato de seu filho com um buraco de bala nas costas. Desalento, desconsolo e medo. O medo de todas as mães que não querem ter os seus filhos enrolados em sacos plásticos, misturando-se às estatísticas dessa guerra santa sem sentido. Que temem pelos seus filhos, que transitam pelas ruas das grandes e pequenas cidades de todo o mundo. Fortalezas do preconceito, da exclusão, do terror e da crescente desvalorização da vida. Onde os sonhos viram números amargos e frios em folhas de jornais e películas de TV. A essa mãe, não restam mais sonhos, não resta mais esperança, não resta mais vida, não resta mais nada. Ao mundo, resta uma comoção tênue por um pequeno lugar afastado e esquecido, que não se compara a uma grande metrópole com suas torres indo ao chão e levando consigo cifras incontáveis de dólares. A esta pequena cidade de trinta mil habitantes, resta uma marca que nunca será apagada, uma escola em ruínas rodeada por minas terrestres, algumas centenas de corpos a serem velados e um ginásio que guarda as recordações de uma tragédia incompreensível, em suas paredes crivadas de balas e no chão de sua quadra lavado com sangue.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;color:#ffffff;"&gt;Beslan, Rússia – 03 de setembro de 2004&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115455929153058125?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115455929153058125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115455929153058125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/09/angels-in-black.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;. . .&lt;/font&gt;&lt;br&gt;angels in black'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115637627142056429</id><published>2006-08-31T08:35:00.000-03:00</published><updated>2006-09-04T12:23:18.196-03:00</updated><title type='text'>da sérieLuísparte I - uma idéia na cabeça...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;“sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só...”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele nunca quis ser representante de nada. Nunca quis se meter em briga que, julgasse, não fosse sua. Mas eram. Tão suas quanto de todos os outros que dela compartilhavam consigo e até mesmo daqueles que, como ele antes, a ignoravam. Mas eram tempos difíceis e não se condenava quem abdicava da batalha pela paz da vida alheia ao mundo em volta. Ele ouviu o clamor de uma idéia que lhe parecia justa. Mais do que justa, lhe parecia necessária. E dali em diante, ele sonhou. Sonhou com dignidade e justiça para o seu povo. Sonhou com um mundo novo que deveria surgir, engolindo as velhas mazelas que insistiam em perdurar-se e decidiu travar a batalha pela realização do seu sonho. Não porque era um sonho seu apenas, mas porque era o sonho de tantos e anseio de muitos mais. E todos juntos sonharam, lutaram, discutiram, teorizaram sobre aquilo que, na verdade, sequer deveria ser discutido, simplesmente por ser nada menos que óbvio – justiça, liberdade e igualdade entre todos os homens. Ele quis libertar um povo, derrubar um sistema e reerguer uma nação. E eles todos sonharam com isso, juntos. Por muito tempo. Mas como não basta apenas sonhar, eles se propuseram a pôr em prática uma luta que lhes tomaria toda uma vida. Sem esmorecer, ergueram-se contra todas as evidências de que aquilo não seria possível e se puseram a caminhar, juntos. Levando à idéia adiante, porque sabiam: nenhum homem pode ser maior do que a idéia que representa. E ela deveria fortalecê-los até a vitória ou até o fim. Ele viu um povo que minguava à margem de uma minoria opressora e se pôs a defendê-lo. Viu um povo que sentia fome, dor e medo e escolheu seguir o impulso dos ideais que tinham por premissa um mundo mais justo e, por que não dizer?, melhor. Eles não sabiam quão duro e penoso seria o caminho que seguiriam dali por diante, mas tomaram o rumo porque, sem sombra de dúvida, era aquilo em que acreditavam. E ele, que nunca quis ser mais do que um homem, nunca quis ter em mãos poder algum, agora abraçava e levava adiante aquela idéia. Decidiu que queria representá-la e fazê-la crescer e reproduzir-se. Mal sabia que se tornaria um símbolo e que um dia ainda levaria aquela idéia, sua bandeira e todo aquele povo, ao topo, carregando-os até a presidência da república do seu país.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115637627142056429?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115637627142056429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115637627142056429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/08/da-srielusparte-i-uma-idia-na-cabea.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;da série&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Luís&lt;br&gt;&lt;font size=&quot;-1&quot;&gt;parte I - uma idéia na cabeça...&lt;/font&gt;'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115339337169072004</id><published>2006-08-04T08:01:00.000-03:00</published><updated>2006-08-09T09:47:14.260-03:00</updated><title type='text'>divagar imprecisoCaleidoscópio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;ornamentando a sala tal qual uma esfinge, mantenho-me alheio ao rugir do tempo e me fecho em casulo como se buscasse transpor barreiras que me construo por dentro. como se pudesse escapar das perguntas, acusações e cobranças. das pessoas que me param na rua pedindo explicações para o girar do planeta e o nascer do sol. obliterado da existência, trancado numa bolha de vidro, oscilo entre as horas – finjo que trabalho, me camuflo entre as paredes e ninguém me vê; oscilo entre os dias – finjo que aprendo, me calo e ninguém me ouve gritar; oscilo entre as noites – finjo que durmo, me escondo. pensando, buscando, tentando, digerindo, esperando... espero, desespero, grito, choro, entorpeço, adormeço e acordo para continuar esperandoesperandoesperando... pelos outros, pelas coisas, pelas horas, pelos dias, pelo dia. simulo que entendo e desaprendo. desconstruo meus eus. e as certezas. de conflitos em mesas de bar a debates telefônicos aquecidos a vela. desfaço a confiança das pessoas na clareza de entender que eu não sou apenas mais um inseto que se debate a frente de uma janela de vidro que se mantém fechada. prendendo meus apelos e aprisionando essa esperança de um futuro livre. pseudo-liberto. entre as madrugadas compreendo que cada liberdade que se almeja, lhe custa outra que se perde. que cada vida e liberdade que se escolhe viver implica também na escolha de uma prisão. e disfarço não perceber o quanto sou cada vez menos dono dos meus dias e cada vez mais escravo das minhas horas. tanto mais quanto busco o controle de mim mesmo, mais me afogo e decepciono. me debato e me percebo prisioneiro de uma vida que pára estagnada, estática, enquanto o tempo corre. como uma ampulheta entupida em que a areia não escorre (a não ser por entre meus dedos) enquanto os ponteiros se deslizam ao sabor do tempo. o mundo gira lá fora, se move, e as luzes piscam ininterruptamente frente às minhas córneas. eu apenas paro, e espero...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115339337169072004?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115339337169072004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115339337169072004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/08/divagar-imprecisocaleidoscpio.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;divagar impreciso&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Caleidoscópio'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115435553844676994</id><published>2006-07-31T14:15:00.000-03:00</published><updated>2006-08-02T07:59:05.706-03:00</updated><title type='text'>três pontosRiviera Francesa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu estava preso. Preso à magia daqueles intantes. Preso às delícias dos teus encantos de mulher, fada e feiticeira de meu deleite. Inebriado pelo perfume que exalava de tua pele e escravo de teus ardentes desejos. De carne, mente, cama e espírito. Era teu servo e bebia de teu prazer e suor adocicado enquanto minha língua devorava a ti, desde a pélvis até o pescoço. Enquanto aplacava tua sede e teu calor, me nutria dos líquidos que teu corpo me doava de bom grado e queimava em teu tesão. &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Labareda &lt;/span&gt;que incendiava meus órgãos e ainda hoje me faz arder. Com a lembrança febril de um gozo que explodia teu e reverberava por cada fibra do meu ser. E pela areia da orla, que se mesclava à água que fervia em nossa pele. Tua pele, tão doce e tão minha quanto era este corpo meu que te invadia, te preenchia, te pertencia e te sentia. Tão parte de mim quanto eu era parte tua. Acoitado pelos teus beijos e prisioneiro de tuas ancas. Aninhado em teus lindos seios e protegido de teu abraço morno. Aconchegado em teu calor que, então, me pertencia e me purificava com o ebulir de nosso sangue que se era único. Indiferentes ao inverno que nos cercava, combustível e comburente da labareda, incandescentes que nos somos, juntos, ainda mais quentes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115435553844676994?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115435553844676994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115435553844676994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/07/trs-pontosriviera-francesa.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Riviera Francesa'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115373794066168004</id><published>2006-07-26T09:44:00.000-03:00</published><updated>2006-07-26T08:31:02.703-03:00</updated><title type='text'>três pontosProvocações...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E lá vem você outra vez com a sua conversa mole de sempre. Como se achasse que vai mesmo me convencer de que tudo não é exatamente igual ao que sempre foi. Como se realmente se importasse com o que vai ser de mim amanhã, depois que você for embora pra casa. Como se não fosse você a pensar sempre tudo, sempre mais, sempre demais, sempre mais do que é preciso. Às vezes eu prefiro aquela velha pose de mulher audaz, independente e auto-suficiente que me visitava tarde da noite com um xaveco meia-boca pra me levar pra cama, sair sorrateira ao raiar do sol e me ligar no dia seguinte com a cara mais besta de quem não viu nem sabe. Porque essa candura santa não lhe cai tão bem quando a gente já sabe no que tudo sempre vai dar. E esse teu doce já amargou e não tem mais graça desde que, ácido, deixou de ser virgem anos atrás. Você pode convencer o mundo e a lua de que essa conversa de “amor” lhe desagrada. De que meus beijos sem compromisso lhe bastam ao corpo tanto quanto à mente. Particularmente, nunca beijei uma mulher que não quisesse comer. A gente sabe... E na verdade você não precisa de trotes. Axiomas à parte, já passamos dessa fase. Quando quiser aparecer não me ligue mais. Só toque a cigarra e traga o vinho de sempre. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115373794066168004?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115373794066168004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115373794066168004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/07/trs-pontosprovocaes.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Provocações...'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115339681543397850</id><published>2006-07-18T08:57:00.000-03:00</published><updated>2006-07-24T07:44:39.236-03:00</updated><title type='text'>nos becos de gothamthe man of tomorrow</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não é tão simples quanto eu faço parecer. Só se fosse capaz de sentir cada uma das coisas que eu sinto (da forma como eu sinto) é que você poderia entender o que cada uma delas significa. Você sabe: ver a vida com os meus olhos. Eu mesmo não conseguiria ver o mundo com os seus. Sua visão soturna e amargurada sobre as coisas e as pessoas. Mas acredite, você também não gostaria de vê-lo com os meus. Ainda hoje eu me assusto com os rostos em carne viva e os esqueletos com que às vezes me deparo caminhando na rua. Chega um ponto em que você se distrai e os olhos se manifestam de formas diferentes. Mas já foi bem pior. No começo era bem pior. Eu chamava de ‘raios-x’. É, eu sei... conceitualmente é uma denominação equivocada, mas na época me parecia uma boa idéia. Eu era pré-adolescente, dá um desconto, vai! Levei alguns anos até me acostumar e aprender a controlar essa coisa. E entender que era diferente e tinha que me aceitar assim mesmo também. Ao longo desse período isso me rendeu algumas situações constrangedoras. Às vezes eu acho que deveria fazer como você e viver enfurnado numa caverna (sem ofensas, ok!?). Isolado do mundo exterior. Esse mundo que não me pertence. Na verdade um mundo ao qual eu não pertenço. Imagine entrar na sala de aula e dar de cara com a professora completamente nua. Ou a sua turma inteira. É... é mais ou menos por aí. Tipo, o que você pensaria se uma amiga sua entra no seu apartamento totalmente pelada? Tá, eu sei o que você pensaria, eu sempre penso a mesma coisa. Mas daí você cerra os olhos e percebe que as roupas estão lá, ou só se dá conta disso quando tenta tocá-la e sente que há algo sobre a pele que está vendo. É... absurdamente frustrante, eu diria. Sobretudo se você é adolescente, ainda mais virgem. Ah, não me olhe com essa cara! Se estivesse no meu lugar você também teria medo disso. Imagine só: de repente eu me empolgo e rasgo a garota ao meio. Literalmente. E acredite, eu sei que sou capaz disso e morro de medo de que um dia aconteça. Sou capaz de matar alguém apenas de me descuidar com um sopro ou um abraço, quem dirá com algo assim. Quantas mulheres você acha que gostariam de ir pra cama com um alien se soubessem disso? Claro, tem a Lois. Eu sei que ela gostaria. Sempre soube quando uma garota gostava de mim. Não que eu tenha um dom especial com as mulheres ou algo assim. É que eu posso ouvir mesmo. E você sabe como são as garotas: elas sempre têm amigas. E não importa o quanto estejam falando longe ou baixo – eu sempre ouço. Ouço até mais do que gostaria na verdade. Você não tem noção do quanto foi complicado controlar isso. No começo achei que fosse enlouquecer. Parecia um esquizofrênico, e sob alguns aspectos eu até era mesmo. Podia ouvir uma torneira pingando lá na china, o que você acha disso? Claro que logo no começo não era tanto assim. Mas ouvir os meus pais transando todas as noites por mais silenciosos e mais distante que estivesse o quarto deles era altamente constrangedor, sério. E que tal seus amigos e vizinhos? Saber de tantos segredos e comentários impublicáveis? Cara, isso é foda! Desculpa, eu falei dos meus pais de novo. Não me esqueço do que aconteceu com os seus. Falando sério, se eu pudesse mudar isso, certamente seria algo que faria. Mas nem mesmo eu posso tudo. Eu já quis ter filhos, sabe? Mas já pensou no que poderia acontecer com um filho meu crescendo no ventre de uma mulher? Eu tenho náuseas de pensar no que seria da coitada quando ele começasse a chutar. Isso, claro, levando-se em conta que eu realmente pudesse fecundá-la. Pois é... sob muitos aspectos eu sei que estou realmente sozinho no universo, e viver assim, meio ‘alienado’ não tem sido nada fácil. Tem sido melhor à medida que tenho aprendido a controlar os diversos aspectos de minhas ‘habilidades’, mas ainda assim não foi fácil chegar até aqui. Nem sempre é tão legal quanto se imagina. Pelo menos até o dia em que eu saí do chão. Daí em diante tudo começou a mudar. Não sei se dá pra entender, mas a vida ganha novos contornos quando você enxerga lá do alto. Quando se aprende a voar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115339681543397850?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115339681543397850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115339681543397850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/07/nos-becos-de-gothamthe-man-of-tomorrow.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;nos becos de gotham&lt;/font&gt;&lt;br&gt;the man of tomorrow'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115197005725506152</id><published>2006-07-12T20:40:00.000-03:00</published><updated>2006-07-17T08:43:50.453-03:00</updated><title type='text'>três pontosFrio, doce e suave</title><content type='html'>O branco do véu que esconde o sol, prende sua luz e seu calor&lt;br /&gt;Muda a cara da cidade, muda a forma das pessoas, muda a vida dos lugares&lt;br /&gt;Asfalto molhado, cheiro de terra, frio, doce frio...&lt;br /&gt;Lar, doce lar... com pizza, um filme e vinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim misturado mesmo&lt;br /&gt;porque eu bebo vinho tinto barato doce e suave (e não tô nem aí!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por trás dos meus óculos escuros&lt;br /&gt;Que insisto em usar mesmo perante este éter cinza que encobre a cidade&lt;br /&gt;O mundo gira assim, em &lt;em&gt;slow motion&lt;/em&gt;, arrastado e tranqüilo, frio, embaçado&lt;br /&gt;Embriagado da chuva que molha as ruas e embala as vozes e violões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais vozes que violões&lt;br /&gt;Porque eu toco na varanda da casa de praia. No cru e no popular&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto as nuvens desabam sobre minha cabeça&lt;br /&gt;Dessa água bebe minha mente, solo fértil, sedento e juvenil&lt;br /&gt;Guardo minhas palavras, às vezes tão raras, para melhor aproveitá-las&lt;br /&gt;Mas quando jorram em abundancia, as deixo transbordar de minha boca inflamada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quão instável é o conceber das idéias&lt;br /&gt;Por vezes suave como um beijo&lt;br /&gt;Por vezes sofrível como um parto&lt;br /&gt;Penoso, choroso e sublime&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115197005725506152?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115197005725506152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115197005725506152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/07/trs-pontosfrio-doce-e-suave.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Frio, doce e suave'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115197001518805625</id><published>2006-07-06T20:38:00.000-03:00</published><updated>2006-07-10T18:07:31.876-03:00</updated><title type='text'>três pontosFirulas de uma manhã de inverno</title><content type='html'>chuva... tédio... bocejo... atitude.&lt;br /&gt;vou para o escritório, ligo o PC, leio os e-mails, notícias, mais chuva.... tédio...&lt;br /&gt;almoço. tédio... chuva, sono e mais tédio.&lt;br /&gt;volta pra casa – portão, chave, escada, porta, banheiro, cama... tédio.&lt;br /&gt;meu sono passa, as horas não...&lt;br /&gt;telefone que não toca... chuva... tédio...&lt;br /&gt;cadê o maldito celular?&lt;br /&gt;penso em você. me dá náuseas...&lt;br /&gt;penso em outra pessoa. telefone que nunca toca...&lt;br /&gt;mais chuva, mais tédio, mais nada, nada, nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nunca fui muito bom em ser concreto.&lt;br /&gt;natureza caótica. abstrata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ligar a TV? hmmmm... não.&lt;br /&gt;cama, lençol, travesseiro, sono que não volta, preguiça que não passa.&lt;br /&gt;apatia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cenário: quarto.&lt;br /&gt;texto: ...&lt;br /&gt;chuva, tédio e a porra do telefone que não toca (telefone idiota).&lt;br /&gt;apatia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nunca fui muito bom em ser concreto.&lt;br /&gt;abstrato. eu e a minha apatia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às vezes tudo que eu quero na vida é uma segunda-feira&lt;br /&gt;mas só às vezes... (muito às vezes mesmo!)&lt;br /&gt;ah... a apatia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115197001518805625?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115197001518805625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115197001518805625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/07/trs-pontosfirulas-de-uma-manh-de.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Firulas de uma manhã de inverno'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115196250515492818</id><published>2006-07-03T20:43:00.000-03:00</published><updated>2006-07-07T16:43:59.540-03:00</updated><title type='text'>na teia da aranhaRonaldin e o gênio da frança</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Apesar de tudo o que se diga, e de todas as críticas, ninguém em território nacional, nem mesmo eu, estava torcendo pela França no jogo do último sábado. O torcedor brasileiro é irracional e acredita sempre, mesmo contra todas as lógicas e problemas. Mas, justiça seja feita, saiu barato a derrota do time de Parreira que, mesmo com o auxílio providencial da arbitragem, não foi capaz de defender o título de campeão mundial. Ao contrário da França, essa sim, que entrou em campo como se ainda defendesse um título que já não mais era seu. Um a zero, fora o baile! Pena que a apatia do time (de) amarelo tende a criar culpas, desculpas e bodes-expiatórios, tirando o brilho daqueles que foram, realmente, melhores em campo. Num jogo em que fica clara a diferença entre um craque (aquele que consegue ser realmente surpreendente em seus melhores dias), que o Brasil tem muitos; e um gênio (aquele que faz o impensável, mesmo em seus dias ruins), que a França tem um: Zinedine ‘Zizou’ Zidane. Ou, como se referiu Pelé (o próprio. brasileiro e atleta do século XX), o “mágico” Zidane. Um dos jogadores mais injustiçados pela história do futebol brasileiro. Pois merecia, depois da Copa de 98, ser tão odiado pelos brasileiros quanto Paolo Rossi, mas não é. Por que a torcida preferiu distribuir a culpa entre Ronaldo, Zagallo, a Nike e etc. Mas os deuses da bola, caprichosos, lhe deram uma segunda chance. E tava na cara que o Brasil, do técnico que diz que “show é ganhar”, do jeito que vinha não ia longe. Não quando se deparasse com uma equipe de qualidade de verdade, ao contrário daquelas que o sorteio pôs em seu caminho fácil até às quartas. A França jogou bem e venceu. O Brasil ficou sem show e sem taça (que nos sirva de alguma forma como lição). E Zidane, se justiça for feita, receberá o privilégio de ser o novo alvo do ódio irracional que o brasileiro reserva apenas às grandes pedras nos seus sapatos, como Rossi, Maradona e até mesmo o efêmero Ghiggia. Então, assim como aconteceu por 24 anos entre 1970 e 1994, a vida continua. E acredite, será a mesma para todos nós, ainda com a derrota da Seleção. Assim como, aliás, também o seria mesmo no caso de sua vitória. E na Alemanha, a Copa continua. Agora sem o Brasil. &lt;em&gt;Allez, les bleus&lt;/em&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115196250515492818?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115196250515492818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115196250515492818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/07/na-teia-da-aranharonaldin-e-o-gnio-da.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;na teia da aranha&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Ronaldin e o gênio da frança'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115140651673790297</id><published>2006-06-27T08:06:00.000-03:00</published><updated>2006-07-03T20:34:16.836-03:00</updated><title type='text'>da sérieIranice, uma brasileiraparte III - eu quero ver o Brazil perder a copa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Iranice, a gente já sabe, é brasileira, igual a tantos mais (mas lembre-se de não mexer nos seus cabelos). Iranice pode ser um monstro, mas que culpa ela tem? Se a sociedade que a gerou é igualmente monstruosa, sem escrúpulos, sem freios morais e completamente carente de princípios? E que tipo de princípios você ainda tem? E que tipo de patriotismo você leva pro estádio? O mesmo que te faz ultrapassar em local proibido, dirigir bêbado, colar na prova, furar a fila, estacionar na vaga de deficiente e pedir pro guarda dar um ‘jeitinho’? Que tipo de Brasil você vende? O mesmo falso Brasil que se veste de amarelo e vai bater bola na Copa? Do carnaval, das mulatas, samba, axé, Bahia, Olodum, festa, alegria? Do povo sorridente que sofre, mas é feliz? Ou aquele de verdade? Eu quero ver o Brasil perder a Copa do Mundo. Mais do que isso, quero ver a imagem real e sem hipocrisia de um país que se esconde de si mesmo aflorar. O Brasil da corrupção, da ganância desenfreada, do povo pobre e que já foi amedrontado um dia, e que hoje já nem consegue mais. Do povo que acha tudo normal e aceitável. Que é pobre, fútil e cada vez mais pobre e que ainda assim consegue aglomerar uma das maiores massas consumistas do planeta. Que bate recordes e mais recordes de permanência no orkut. Que se esbalda no uso dos aparelhos celulares da moda mais do que qualquer nação de primeiro mundo. Mas que se entulha de analfabetos, famintos e desempregados. Que recebe os piores salários e paga os maiores impostos. Que não tem direito a ser atendido com dignidade nas delegacias (repletas de corrupção), nas escolas e nem sequer nas filas de hospitais. Do crime organizado que toma conta das regiões de baixa renda, das viaturas policiais e até mesmo dos gabinetes dos governantes. Governantes que só defendem os torpes interesses de quem lhe interessar e continuam a se eleger e reeleger e se perpetuar no poder indefinidamente. O Brasil de Iranice e de tantos outros monstros criados à imagem e semelhança de uma sociedade podre e sem escrúpulos que se degrada cada vez mais. De gente que morre nas ruas. De fome, de assalto, de bala perdida. De doenças que se alastram pelos berços mais pobres e desprotegidos até se formar em epidemias incontroláveis. Do cara que fura a fila, cola na prova, avança o sinal vermelho, excede o limite de velocidade, dirige embriagado, joga lixo na rua, se droga, se vende, se trafica, se corrompe, se destrói. E aos outros. O país que condena a cólera de Suzane (que a prisão lhe guarde) e que, pelas costas, é conivente com a fúria hedionda de Iranice. Do marido que matou a esposa e do torcedor que jogou uma bomba no estádio. Do garoto que morreu por causa de um par de tênis e daquele que o matou por uma pedra de crack. De todos aqueles assassinos, corruptos, covardes e ladrões que vão se vestir de amarelo e torcer pelo Ronaldinho na Alemanha. De todos aqueles que vão cantar o hino nacional de dentro da cadeia e dos muitos outros que vão cantar de fora, mas deveriam estar lá dentro. De todo mundo que vai torcer pelo Brasil e gritar em coro como o seu país é um verdadeiro paraíso. De futebol, mulatas, samba e carnaval. De um povo conivente com a pobreza, a violência, a corrupção e a total ausência de índole. O país do povo brasileiro, de Ronaldinho e do penta. Do time que eu quero ver perder a Copa e do povo que eu queria ver dar a cara a tapa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115140651673790297?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115140651673790297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115140651673790297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/06/da-srieiranice-uma-brasileiraparte-iii.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;da série&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Iranice, uma brasileira&lt;br&gt;&lt;font size=&quot;-1&quot;&gt;parte III - eu quero ver o Brazil perder a copa&lt;/font&gt;'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115046990260452997</id><published>2006-06-21T06:56:00.000-03:00</published><updated>2006-07-31T11:23:29.053-03:00</updated><title type='text'>três pontosEmmy (na dinâmica de um paliativo)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;eu não vou te mandar flores no dia seguinte pela manhã. no máximo, te acordar com um sorriso e um ‘bom dia’. não vou te fazer promessas, nem tampouco cumpri-las. nem te levar para jantar à luz de velas, abrir a sua porta do carro ou te buscar no trabalho. eu não quero companhia para ir ao supermercado, ao shopping, à livraria. nem para comer pizza nos domingos à noite. eu não queria companhia para ir ao cinema, nem para assistir a um dvd comendo pipoca na tua sala. não queria alguém que me recebesse em casa ao fim do dia com propostas e desejos. não pediria para você me acompanhar nos meus jogos, festas ou nas visitas à família e aos amigos. nunca quis conhecer teus pais. não pediria que fosse comigo ao dentista. não te chamei para uma viagem de férias a dois. não te forcei a me dar teu telefone e atender às minhas chamadas. não te iludi com promessas e presentes e não fui eu quem encontrou tantas dificuldades para tudo. da minha parte, na verdade, o teu acesso sempre foi muito facilitado. quando se quer, se faz. e ‘impossível’ é uma palavra que não deve nunca ser usada em vão. eu queria apenas alguém para dividir a cama nas noites frias. que me cedesse o colo, o busto e um afago. uma companhia para os dias de ócio e tédio. e uma companheira para algumas madrugadas de sexo, ameno ou virulento, tanto faz. um tanto quanto fugazes, madrugadas regadas a vinho barato e embaladas por clássicos do &lt;em&gt;rock n’ roll&lt;/em&gt;. parece pouco, não é mesmo? e realmente é. tão pouco que, para isso, até você servia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115046990260452997?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115046990260452997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115046990260452997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/06/trs-pontosemmy-na-dinmica-de-um.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Emmy &lt;font size=&quot;-1&quot;&gt;(na dinâmica de um paliativo)&lt;/font&gt;'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115140635691047330</id><published>2006-06-13T08:04:00.000-03:00</published><updated>2006-06-28T15:04:17.866-03:00</updated><title type='text'>da sérieIranice, uma brasileiraparte II - Yes, nós temos Ronaldinho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Iranice é uma brasileira. Viúva. Mãe de dois filhos (não é preciso licença nem comprovação de sanidade mental para isso). Já foi casada duas vezes. O primeiro marido morreu (ela mandou matá-lo). O segundo não morreu por pouco. A gente já conhece essa estória. Só finge que não. Tem por toda a parte. Iranice não tem freios morais ou noção do valor de uma vida. Ela perdeu isso, ou talvez nunca tenha adquirido. Patologicamente, não poderia ser enquadrada como psicótica. Tem noção do que faz e de tudo o que fez. Sabe que poderia ser punida pelos seus crimes, mas sabe que não o será. Seria uma psicopatologia, talvez. Provavelmente nem isso. Ela é apenas uma em meio a tantos. Apenas mais uma brasileira. Um povo sofrido, embrutecido, emburrecido, entorpecido... que aprendeu a aceitar o hediondo como cotidiano. Ninguém se espanta mais com nada. Jovens de classe média vestem kimonos e saem se espancando pelas ruas. Ateiam fogo em índios, indigentes, mendigos – “ninguém se importa com eles”. Gente se espanca, se rouba, se mata, se vende, vandalisa e ninguém se espanta mais com nada. Policiais são corruptos, advogados são corruptos, promotores são corruptos, juízes são corruptos, políticos são corruptos... e ninguém mais liga. Um maluco e sua esposa matam uma atriz famosa a facadas e todo mundo se veste de indignação. Uma garota mata os pais pra ficar com a herança e o povo se ergue em indignação. Jovens se juntam ao crime organizado, matam, se drogam, se ferem, roubam... e ninguém presta atenção. Criam-se significados distintos para o que é certo, o que é justo e o que é legal, quando, na verdade, tudo deveria fazer parte de um conceito único e indivisível. Os três, um só. Mas ninguém se importa com isso. Somos corruptos desde o fundo da alma até a cútis. Desde o motorista que acelera no sinal amarelo até o policial que recebe propina pra facilitar a rebelião. Desde o juiz que liberou o filho da cadeia e lhe deu um emprego público até o advogado que levou o celular para a prisão. Desde o cara que colou na prova até o outro da mala do mensalão. Desde o pedreiro até o presidente. Somos todos. Eu, o Lula, Iranice, Suzane, e até mesmo você, que aceita tudo isso. Porque nós somos o país do futebol, do carnaval, da mulata gostosa, do clima tropical, do turismo sexual, do ‘jeitinho’ e do Fernandinho. Porque nós somos nacionalistas e patriotas e nos vestimos de amarelo na copa do mundo. Porque aqui nunca teve guerra. Somos um povo pacifico, pacato e alegre. Alegria, alegria... esse é o povo do Brasil. Porque a humanidade é podre, mas o brasileiro é, acima de tudo, um covarde. Mas nós temos dois Ronaldinhos e somos penta. O que mais importa? Se pudermos continuar vendendo a nossa imagem de alegria e felicidade, de carnaval e futebol, de um povo que sofre, mas não perde o rebolado, de um povo que nunca passou por guerras, furacões, terremotos e que, por isso, somos felizes. Porque, afinal, nós somos penta. E é isso o que vale. Nós somos penta e eu quero ver o Brasil perder a copa do mundo. Mas quer saber? No final, tudo vai continuar igual.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115140635691047330?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115140635691047330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115140635691047330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/06/da-srieiranice-uma-brasileiraparte-ii.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;da série&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Iranice, uma brasileira&lt;br&gt;&lt;font size=&quot;-1&quot;&gt;parte II - Yes, nós temos Ronaldinho&lt;/font&gt;'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114985071048667649</id><published>2006-06-08T07:56:00.000-03:00</published><updated>2006-07-03T19:42:10.033-03:00</updated><title type='text'>três pontosPalavras</title><content type='html'>Olhe nos meus olhos e enxergue o efeito sísmico do nosso silêncio.&lt;br /&gt;Ouça os recordatórios gravados nas paredes da casa, o latejar da nossa carne ferida pelos ecos intermitentes incontidos nos vãos entre as suas-minhas palavras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras que se dizem com raiva ou com ternura&lt;br /&gt;Palavras que se perdem no vácuo da distância e do tempo&lt;br /&gt;Palavras que se dispersam na ausência ou que ressoam nos sentimentos&lt;br /&gt;Palavras que se vão e se vêm&lt;br /&gt;Palavras que ficam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras que latejam na memória das dores já mortas e das feridas não esquecidas&lt;br /&gt;Palavras cheias de culpa&lt;br /&gt;Palavras de desculpas&lt;br /&gt;Palavras vazias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras que dizem a verdade&lt;br /&gt;Palavras que mentem&lt;br /&gt;Palavras que dizem o que querem dizer&lt;br /&gt;Palavras que não devem se dizer&lt;br /&gt;Palavras que se preferem não ditas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras em jogos, palavras de ódio, palavras de amor&lt;br /&gt;(seja lá o que elas queiram dizer)&lt;br /&gt;Palavras de ironia, palavras sarcásticas, palavras de dor&lt;br /&gt;(eternas enquanto duras)&lt;br /&gt;Palavras em código, palavras incógnitas em claves de sol&lt;br /&gt;(decifra-me ou te devoro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras quentes e palavras frias&lt;br /&gt;Olhares que dizem tudo (silêncios...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras que não se ouvem, palavras que não se dizem&lt;br /&gt;Palavras entre quatro paredes&lt;br /&gt;Palavras lânguidas, palavras lambidas, palavras pélvicas&lt;br /&gt;clitorislinguístico pubianolíquido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras que têm cor&lt;br /&gt;Palavras em branco e preto&lt;br /&gt;Palavras acima de qualquer suspeita&lt;br /&gt;Palavras abaixo do equador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras que só ferem porque dizem a verdade, mas principalmente, porque são proferidas por quem se sabe gostar de si.&lt;br /&gt;Porque se assim não o fosse, seriam nada mais que palavras tropeçando ao vento, cavalgando a esmo no silêncio das verdades não ditas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114985071048667649?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114985071048667649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114985071048667649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/06/trs-pontospalavras.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Palavras'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114833524963972174</id><published>2006-05-25T16:12:00.000-03:00</published><updated>2006-08-04T19:36:17.206-03:00</updated><title type='text'>angel of silence: dois anosrestos imortais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E você me pergunta agora de que valeu tudo isso? Eu te repondo: valeu muito para mim. Mesmo tendo chegado ao fim. Porque as risadas que demos juntos não foram falsas, foram gargalhadas desferidas com muita satisfação e cumplicidade. Porque as pizzas e lasanhas que comemos juntos aconchegados em nossa cama eram simples e sem pompa nenhuma, mas tinham muito mais sabor do que aquelas que desfrutamos em qualquer restaurante italiano. Porque os fins de semana que passei em sua companhia foram muito mais divertidos do que o tempo do colégio, da escola, da faculdade e valeram mais do que quaisquer viagens de férias a Disney ou a Paris ou Buenos Aires ou qualquer praia deste nosso vasto litoral, sem sombra de dúvida. Porque as tardes em frente ao vídeo K-7 vendo e revendo filmes antigos foram muito mais interessantes do que qualquer ida ao cinema para assistir aos &lt;em&gt;blockbusters&lt;/em&gt; da temporada. Porque a marca de teus dedos e tuas impressões digitais repousam até hoje firmes na pele de meu braço esquerdo por conta dos apertos que você dava quando se assustava assistindo filmes de terror. Porque o cheiro de teu perfume ainda povoa meus lençóis e travesseiros inundando meu quarto e me fazendo lembrar de cada noite que deixamos de sair em companhia de nossos amigos para ficarmos a sós. Porque as madrugadas que rasgamos juntos naquela cama que tantas vezes teve de ser concertada pela manhã ocupam lances enormes de memórias que nunca serão apagadas ou reescritas por ninguém mais que não seja você. Elas foram mais aprazíveis do que todas as festas e baladas e noitadas e luais e reuniões de amigos e &lt;em&gt;happy hours&lt;/em&gt; dos colegas de trabalho e peladas com os colegas do colégio e sarais e sessões de teatro ou de cinema ou shows de rock ou de MPB ou conversas de barzinho ou qualquer outra coisa que já tenha feito ou que venha a fazer. Porque o efeito daquelas noites ainda ressona demasiado forte nas minhas vísceras, na minha cútis, no meu humor, na minha vaidade. Por que nada do que passamos foi em vão? Porque foi inigualável e insubstituível. Porque foi único em todas as formas. Porque, por mais que o tempo tenha passado, por um dado momento, congelado por eras em meus sentidos, nós bebemos do supra-sumo do que se pode esperar de uma iteração entre dois seres. Porque, mesmo que tudo hoje seja findo, nós podemos levar conosco para sempre a noção real e palpável do que pode ser a felicidade. Não, nada na nossa história, do inicio ao fim, pode ser dito em vão. Digo que não. Porque vou viver feliz até o último dos meus dias por ter a certeza de que vivi algo tão forte que tempo algum será capaz de apagar. Porque ninguém será capaz de fazê-la esquecer-me nem por um instante, assim como aqui, em mim, você jamais terá substituta á altura. Porque cada uma das nossas noites foi insuperável em sabor e candura. Porque, por mais que me esforce, não sou capaz de pensar em você de nenhuma forma que não seja minha. Minha amante, minha mulher, ou simplesmente minha. No sentido mais forte que esta palavra possa ter. Porque noites em claro, do escurecer ao raiar do dia, ao lado de quem se ama, não são apagadas da lembrança como os dados de um disquete mofado. Porque se fosse só pela comodidade de um orgasmo matinal resolveria meu problema sozinho sem ter de me ocupar do seu prazer exigente. Porque era no seu prazer exigente onde realmente residia a minha satisfação. Porque poucos homens sabem dar prazer e realmente satisfazer uma mulher. Porque muitas mulheres já me viram gozar, mas poucas foram capazes de me fazer sentir prazer de verdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114833524963972174?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114833524963972174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114833524963972174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/05/angel-of-silence-dois-anosrestos.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;angel of silence: dois anos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;restos imortais'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114833453297002572</id><published>2006-05-23T01:47:00.000-03:00</published><updated>2006-05-22T18:53:00.120-03:00</updated><title type='text'>três x quatroPessoas</title><content type='html'>não sei qual a impressão que deixo nas pessoas&lt;br /&gt;mas sei que não me importo com ela.&lt;br /&gt;prefiro ser taxado de radical a abrir mão de mim mesmo&lt;br /&gt;nem que seja apenas em nome das boas relações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não gosto de comentários maldosos&lt;br /&gt;lançados sobre corpos já estendidos ao chão, inertes e indefesos&lt;br /&gt;não gosto de constatar o óbvio, nem de rir da miséria alheia&lt;br /&gt;gosto menos ainda de quem o faz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;faço comentários impróprios sempre que me é oportuno&lt;br /&gt;desafio convenções e testo a paciência dos outros&lt;br /&gt;para saber sempre aonde se pode chegar&lt;br /&gt;nunca sei a hora de parar, mas me irrito com quem insiste em bater sempre na mesma tecla&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;detesto pessoas falsas, mas não me disponho a ser sempre sincero&lt;br /&gt;detesto auto-piedade, mas tenho uma forte tendência a ser sempre a vítima&lt;br /&gt;odeio ser a vítima,&lt;br /&gt;mas me utilizo disso sempre que me defendo de mim mesmo e dos meus próprios erros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não tenho medo de dizer o que penso mas me apavoro com a idéia de estar errado&lt;br /&gt;insisto em meu ponto de vista até que não me restem mais argumentos&lt;br /&gt;na dúvida, duvido, até de mim mesmo&lt;br /&gt;não me considero infalível, mas detesto ter que admitir os meus erros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;odeio ser julgado, mas julgo a tudo e a todos&lt;br /&gt;crio idéias pré-concebidas, alimento pré-conceitos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sou machista, não sou racista, não sou homofóbico&lt;br /&gt;não sou fascista, nazista, anarquista nem niilista, também não sou xenofóbico&lt;br /&gt;não tenho medo da pobreza, nem mesmo dos pobres&lt;br /&gt;tenho horror à burrice e também aos esnobes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perdoai os ignorantes, pois estes não sabem o que dizem&lt;br /&gt;condenai os idiotas, covardes, vilões e hipócritas&lt;br /&gt;odeio violência, mas estou sempre pronto pra guerra&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114833453297002572?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114833453297002572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114833453297002572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/05/trs-x-quatropessoas.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três x quatro&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Pessoas'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114777624950297265</id><published>2006-05-17T08:41:00.000-03:00</published><updated>2006-05-17T08:37:34.696-03:00</updated><title type='text'>três pontosna arquitetura de um paliativo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu sei que não é você. Desde o primeiro instante eu já sabia. Não, eu não quis nem tentei me enganar. Sabia desde o princípio o que estava fazendo e o que estava acontecendo. E sabia também que não era você. Mas me permiti a cometer este erro (se é que se pode chamar algo assim de erro) por acreditar que viver vale mais a pena do que planejar futuros perfeitos e porque não pretendo esperar como um vegetal ambulante pela pessoa que vai caber em meus sonhos absolutamente inerte no trono do meu apartamento até que a morte chegue. Ela pode chegar antes e, além do mais, viver é viver. Me acostumei a divagar através de máximas e axiomas, tanto meus quanto alheios. Não desisti ainda. Estou muito jovem para isso e a minha natureza sedenta por paixões e emoções não me permitiria. Mas procurar demais cansa, e às vezes da vontade mesmo é sentar e esperar. Até porque já me dei conta que as pessoas certas só aparecem quando não estão sendo esperadas (ou procuradas). Nessas horas a solidão é o pior refúgio e ter o meu corpo como cárcere privado só me dá barato em situações especificamente momentosas. Embora já tenha desenvolvido inúmeros métodos para manter-me concentrado em mim mesmo (uma postura um tanto egocêntrica, é verdade), burlando o tédio a partir de elementos interiormente montados e planejados para estarem sempre a disposição. Aquele gosto amargo e seco de solidão que nos impele incontrolavelmente na direção de outrem continua vindo à tona de repente, e ainda que continue a ser uma árdua tarefa diligentemente evitá-la, esta amargura não é inesperada e, portanto, não está além de qualquer controle. Fato este que traz você, inexoravelmente, aqui. Sim, eu sei que não é você, mas isso não torna o seu beijo menos adocicado e sua pele menos macia. Não é você aquela que me trará conforto nos dias de grande tormento, aquela que fará meus brios tremerem intensamente em resposta a um toque levemente sutil e incendiário, que desafiará meus instintos mais primitivos com sua sensualidade, a minha personalidade mais intensamente arredia com seu toque de genialidade e a minha incansável proficiência com sua inteligência esguia e sua ironia e sarcasmo. Não, definitivamente, não é na sua companhia que desejava comer pipoca na cama assistindo um filme de aventura despretensioso enlaçado em um abraço aconchegante e ébrio de carinho. Não é o seu corpo que deveria estar ao meu lado requentando meus lençóis no frio do inverno, mas o seu calor, por hora, já é gostoso o bastante. E experimentando mais uma vez o frescor de teus lábios divago leve, nadando entre meus aforismos de estimação. Enquanto não encontro a pessoa certa, sigo divertindo-me com as erradas. Evidentemente, com tudo às claras. Para que nunca venha a culpar-me de tê-la ludibriado. Nosso caso segue assim, um pacto. Desde que você aceite aproveitar de mim o que tenho a oferecer-lhe. Escolha. A escolha é a mãe de todas as questões. Em todo caso, daqui pra frente, a responsabilidade é unicamente sua. Pois, infelizmente, ainda não foi dessa vez. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114777624950297265?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114777624950297265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114777624950297265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/05/trs-pontosna-arquitetura-de-um.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;na arquitetura de um paliativo'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114777597364928957</id><published>2006-05-12T23:35:00.000-03:00</published><updated>2006-05-16T07:59:35.800-03:00</updated><title type='text'>três pontosNo fim do Beco, uma Parede</title><content type='html'>O que eu espero? não espero nada.&lt;br /&gt;O que eu quero? tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que ligaria? só porque você pediu. se não pedisse, não ligava.&lt;br /&gt;Como já disse, não espero nada mesmo.&lt;br /&gt;Não ligaria porque acho que não daria em nada. mas como você pediu...&lt;br /&gt;Sim, eu sou insistente, persistente, até teimoso.&lt;br /&gt;Mas só com aquilo que eu acho que vale a pena.&lt;br /&gt;(Estou me dando, a seu respeito, o malefício da dúvida)&lt;br /&gt;Malefício sim, por que não!?&lt;br /&gt;Não considero que uma dúvida possa ser benéfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem eu sou? Essa é difícil...&lt;br /&gt;Uma entidade aparentemente complexa, na verdade simples.&lt;br /&gt;Fruto de uma mente abarrotada de idéias e teorias caóticas, muitas vezes sem sentido.&lt;br /&gt;Reflexo condicionado de algo que alguém viveu no passado e que eu vivo até hoje.&lt;br /&gt;Mas na verdade não sou nada do que você vê, sequer existo.&lt;br /&gt;Sou fruto de sua imaginação, realimentação dos seus desejos.&lt;br /&gt;(Existem pessoas com tanta força de vontade que são capazes de gerar na matriz agentes iterativos sem correspondentes no mundo real – teorias pueris de um cérebro em expansão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que te incomodo? Porque sou como sou.&lt;br /&gt;Um tanto misterioso, um tanto sincero,&lt;br /&gt;digo sempre o que penso e de você, é isso que espero.&lt;br /&gt;Porque sou diferente daqueles que você conheceu.&lt;br /&gt;Porque não reajo como você espera, não te dou tudo o que me pede.&lt;br /&gt;Porque personifico o oposto de um ideal que você nunca viveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo que você idealizava com a certeza de que não existia.&lt;br /&gt;Uma segurança, uma forma de certificar-se daquilo que jamais encontraria.&lt;br /&gt;Mas eu estou aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é sempre assim? Arisca, insinuante, dominadora, intrigante,&lt;br /&gt;frívola, sagaz, rebelde, cheia de si, cheia de mim, indomável...&lt;br /&gt;Eu não! Sou freqüentemente bem pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não é fácil? Já percebi, mas eu também não sou.&lt;br /&gt;Insisto até o fim, não desisto jamais.&lt;br /&gt;Você não é de se dobrar para os homens?&lt;br /&gt;Não se preocupe, já tenho experiência com isso.&lt;br /&gt;E como eu já disse: eu quero tudo, e não desisto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É disso que você tem medo.&lt;br /&gt;Alguém que não é superficial com você.&lt;br /&gt;Alguém que a quer por inteiro e não pela metade.&lt;br /&gt;Alguém que vai te ligar amanhã, mesmo depois que a noite passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você se intriga eu insisto&lt;br /&gt;Mas e você? vai querer ser dobrada por mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te ligo amanhã sem falta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114777597364928957?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114777597364928957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114777597364928957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/05/trs-pontosno-fim-do-beco-uma-parede.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;No fim do Beco, uma Parede'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114708355873489702</id><published>2006-05-08T07:18:00.000-03:00</published><updated>2006-05-08T08:35:51.230-03:00</updated><title type='text'>divagar imprecisonoite de domingo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;20:54. Eu só queria já estar em casa, em cima do meu quarto e dentro da minha cama, ou quase isso. Vejo no vidro da janela do ônibus um reflexo translúcido do meu rosto enquanto atravesso uma região desconhecida do itinerário que me faz recordar um bairro onde jamais estive da cidade onde nasci e que não visito há tempos. Uma estranha sensação de &lt;em&gt;deja vu&lt;/em&gt; às avessas. Os escassos raios de luz artificial emitidos pelos tubos fluorescentes montam uma imagem de aspecto bizarro no lado de dentro da janela ao meu lado. Um rosto pálido e cansado. Cara limpa, cabelos penteados e barba feita. Os olhos fundos e o semblante abatido são as marcas que não podem ser apagadas por um banho. Marcas de dias de profundo desgaste físico e psicológico. Relatos em minha pele de uma vida dupla marginal. Meio séria, meio vagabunda. O ardor nos olhos e as dores nos músculos são os efeitos psicossomáticos dos males profundos que se abatem sobre minha consciência num fim de noite como este. Um ponto final de profundidade numa oração superficial de duas noites e dois dias de prazeres vãos. São momentos assim que levam minha mente a divagar de forma imprecisa e disforme. Formulando sentenças que se iniciam pelo meio buscando sempre um inicio lógico sem nunca chegar ao fim. Sendo freqüentemente interrompidas pela metade. Seja lá onde for a metade de algo que não começa e nem mesmo termina. É sempre em momentos assim que as idéias tomam forma em minha mente liquefeita que se expande em inconsciência para tentar contê-las. Inutilmente. Desço do ônibus e perco a imagem que me acompanhava da janela para passar a interagir com ela. Sinto o bafo gélido que a noite sopra em meu pescoço dolorido ressecar a minha pele e meus lábios já bastante machucados. Sigo colhendo trechos de conversas e fragmentos de memória, reagrupando-os com a ajuda dos agentes inanimados das calçadas semi-desertas da noite úmida e fria para compor frases de filosofia volúvel, edificadas com palavras que se perdem no soprar dos ventos em meus cabelos e no barulho dos carros que cruzam meu caminho para casa. Os versos que construo com precisão milimétrica se desmontam em contato com o ar e se desfazem na brisa sob a penumbra de um poste que teima em piscar de forma quase estroboscópica, atordoando minha visão já comprometida pelo cansaço e pelo sono. Instante em que me reconheço frágil por ser tão dependente de uma máquina estúpida como um computador para guardar em pastilhas de silício e discos magnéticos tudo aquilo que minha imaginação de ciclos incontáveis consegue produzir numa velocidade maior do que minha memória volátil pode armazenar de forma segura. Como a maioria das palavras que organizo de forma poética, dialética, apaixonada ou crônica que nunca são lidas por ninguém, pois se perdem no esquecimento do vão infinito de minha subconsciência. Assim como as frases que desfiro neste exato momento. Abro o portão de ferro. O barulho é tão incômodo que meus ouvidos parecem querer desligar. Meu equilíbrio, já comprometido, sofre um rápido apagão entre os degraus de um dos lances intermináveis de escadas que parecem crescer cada vez mais. O abrir da porta gera um alívio imensurável e indescritível. O turbilhão de emoções desconexas se desfaz diante da visão de cotidiano atordoante que invade minhas retinas. A bagunça na sala assusta, o cheiro no banheiro incomoda, a louça na pia aterroriza pela perspectiva. Os últimos restos de memórias remanescentes dos dias que parecem não querer ir. As roupas jogadas e o cheiro de perfume, feromônio e secreções que toma o quarto já nem são perceptíveis. A cama desfeita há dias como se aguardando pela minha chegada, pronta para me receber de braços abertos. Pego uma revista em quadrinhos e apago sobre ela ainda na quinta página. Segunda-feira pela manhã todas as escalas terão retornado a zero.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114708355873489702?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114708355873489702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114708355873489702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/05/divagar-imprecisonoite-de-domingo.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;divagar impreciso&lt;/font&gt;&lt;br&gt;noite de domingo'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114682927520983147</id><published>2006-05-05T08:38:00.000-03:00</published><updated>2006-05-05T08:41:15.216-03:00</updated><title type='text'>três pontosTalking About</title><content type='html'>Falo de dor e tristeza porque a beleza da vida não é capaz de despertar a mesma comoção a meus olhos desgastados de tanto observar um mundo injusto&lt;br /&gt;(ou talvez por não encontrar inspiração no que me é cotidiano)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo da maldade humana por acreditar que não exista ser vivo mais egoísta e incapaz de disseminar a bondade do que estes mamíferos que caminham eretos sobre a superfície há poucos milhões de anos e já se sentem donos de tudo&lt;br /&gt;(ou talvez por acreditar que falar de caridade e boas ações não me daria tanto ibope)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo do meu ódio às injustiças porque não acredito que alimentar este ódio em meu peito vá realmente me fazer algum mal físico&lt;br /&gt;(ou talvez por medo de confessar amor pelas pessoas a minha volta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo de mentiras e traições porque não acredito em fidelidade e nem na sinceridade dos homens e suas relações de troca e interesse&lt;br /&gt;(ou talvez para não parecer fraco ao ser sincero com as pessoas que gosto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo de amores que nunca tive por falta de alguém de verdade para amar&lt;br /&gt;(ou porque ninguém acreditaria nas histórias fantásticas dos amores que realmente vivi)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114682927520983147?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114682927520983147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114682927520983147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/05/trs-pontostalking-about.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Talking About'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114656744147709144</id><published>2006-05-02T07:51:00.000-03:00</published><updated>2006-05-02T20:03:07.876-03:00</updated><title type='text'>três pontosNúmeros</title><content type='html'>Sempre que desconecto a mente do trabalho deixo o pensamento percorrer caminhos tortuosos.&lt;br /&gt;Hora levado pelo vento, hora montado na imaginação, muitas vezes na inspiradora vontade de ser livre.&lt;br /&gt;Outras sendo guiado pela minha geométrica percepção do mundo a minha volta, fortemente distorcida pela sua influência.&lt;br /&gt;Cavalgo a esmo pelo deserto de recordações suas, contando aquelas que permanecem comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto as horas que passo ao lado do telefone a espera de uma ligação.&lt;br /&gt;Me perco em meio aos meus dedos enquanto a conta trafega para o infinito.&lt;br /&gt;Estouro o número de bits a que tenho direito em meu corpo e recomeço a contagem.&lt;br /&gt;Desisto, já perdidas as vezes em que voltei de dez a zero em menos de uma semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorro a agenda do celular tocando em um punhado de números que me trariam você.&lt;br /&gt;Casa, celular, trabalho, escola, amigas, vizinha, mãe... um amontoado de códigos anexados a um nome que, não parece, mas fazem todo o sentido para mim.&lt;br /&gt;Recolho notas de compra, de contas, de ligações infrutíferas, de gastos de meu tempo vão,&lt;br /&gt;que perdeu a linearidade dias atrás, quando passou a caminhar a esmo seguindo memórias sem data, sem relógio, sem direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Circulo por caminhos já atravessados e tempos já idos, recolhendo os &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;cacos&lt;/span&gt; de meu ego desfragmentado, deixados como trilhas intermináveis ao longo dos caminhos que me levaram a você.&lt;br /&gt;Frações de um ser incompleto que você rejeitou enquanto descascava minha mente diluída.&lt;br /&gt;Me moldando, me formatando, me arredondando. Apenas para facilitar os cálculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomponho-me em meio aquele punhado de nomes e números codificados em um pequeno e apertado display.&lt;br /&gt;Anoto, calculo, reconto os beijos que te dei, o número vezes que te toquei, as partes de teu corpo que acariciei.&lt;br /&gt;Quantas palavras trocadas, quantas promessas quebradas, quantas noites vividas, quantas manhãs interrompidas.&lt;br /&gt;Flashes de memórias que me torturam com os pensamentos errantes que percorrem os labirintos de minha mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Números números números...&lt;br /&gt;por que penso tão melhor em meio a criptografia dos teus números?&lt;br /&gt;Números são apenas números...&lt;br /&gt;e os números são sempre tão frios...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114656744147709144?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114656744147709144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114656744147709144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/05/trs-pontosnmeros.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Números'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-115140617956783262</id><published>2006-04-28T07:59:00.000-03:00</published><updated>2006-06-28T16:14:28.826-03:00</updated><title type='text'>da sérieIranice, uma brasileiraparte I - O País do Futebol</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Iranice é uma brasileira. Nasceu pobre e trabalhou muito na vida. Não que isso tenha melhorado muito a sua condição – “vai dando pra se virar”, ela diz. Iranice não confia nos homens. Claro, tem o pai e os dois filhos, mas nos outros não. Na verdade, eu nem sei dizer se ela gosta mesmo dos homens. É meio que uma necessidade sexual, e só. Já viveu com alguns deles, mas sempre lhes impondo a própria independência. Ela é um tanto quanto... digamos... indócil (!?). Enfim... ah, e não pegue no cabelo dela. Nunca. O seu segundo marido a puxou pelos longos cabelos uma vez e ganhou uma cicatriz no rosto. De uma ponta a outra do rosto. Não, não foram unhadas. Foi uma faca mesmo. É, essa é Iranice. Como eu sei disso?! Ela me disse. Não exatamente a mim, mas a algumas amigas. Na verdade algumas transeuntes desconhecidas com quem se protegia da chuva numa parada de ônibus. Eu apenas ouvi. Ouvi enquanto ela lhes narrava a sua história. Em detalhes. Sem o mínimo pudor, vergonha, cuidado ou embaraçamento. Assim, ao ar livre. Pra quem quisesse acompanhar. Ela não confia nos homens, mas não desiste dos seus relacionamentos. Com o seu segundo marido ela viveu por cerca de uns 5 anos. O episódio da facada se deu mais ou menos no meio disso. O resto do tempo em que estiveram juntos ela andava sempre armada. “O meu pai tinha uns contatos e me conseguiu uma”. Você ‘conseguiria’ uma arma pra sua filha se proteger do marido? Pra ela ser processada por tentativa de assassinato? Duas vezes? Sim, a primeira foi a facadas (isso, naquele mesmo fatídico dia), a segunda a tiros. Em público. No meio da rua. Uma senhora morreu nesse dia. Ataque cardíaco, bala perdida, que diferença faz?! Claro, Iranice precisava proteger os seus filhos. Filhos do seu primeiro casamento. Ela é viúva. O primeiro marido morreu. Foi assassinado. Ela mandou matá-lo. Contou isso às ‘amigas’ na parada de ônibus. Sem vergonha, sem medo, sem pudor, sem culpa. E sabe o que é pior? Nenhuma das suas ‘ouvintes’ se mostrou minimamente estarrecida com a sua história. Minimamente constrangida ou incomodada. Se apenas ouvissem já seria hediondo. Mas elas até concordavam. Surreal. Eu nem quero saber o que diabos os seus dois maridos fizeram com ela. Certamente eram tão ‘santos’ quanto a própria. Ou piores. Assim como, certamente, o serão seus filhos quando crescerem. Iranice tem apenas 28 anos. E conta a sua história no meio da rua. Sem pudor, sem remorso, sem constrangimento, sem desculpas. Dizem que os ricos é que nunca são presos nesse país. Iranice não é rica. Nunca foi. Ela continua livre por aí. E não é a única, certamente. Ela é um retrato. Retrato de um país que já não é capaz de se indignar de verdade. Aliás, indignar-se, sim. Que o diga a Suzane Von Richtofen (que o sistema penitenciário a tenha). Mas só quando isso acontece nas altas rodas. Em rede nacional, de preferência. Não com Iranice. Ela não deve ser tão perigosa quanto a Suzane, não aparece na TV, por isso ainda está livre por aí. Sem pudor, nem culpa. Retratando uma sociedade em que adolescentes de classe média se juntam a gangues de lutadores de jiu-jitsu pra parecer sempre mais fortes. Ateiam fogo em índios que dormem na calçada e se safam impunes. Onde jovens desfavorecidos não pensam sequer duas vezes antes de se alistar ao crime organizado. Onde a corrupção já nem mais revolta. Ninguém estranha quando um guarda lhe pede suborno no trânsito e ninguém sabe como ocorrem tantas rebeliões. O único lugar do mundo onde existe a noção diferenciada do que é certo, justo e legal. Quando na verdade tudo deveria ser uma coisa só. Onde o patriotismo ascende forte de 4 em 4 anos e as crianças aprendem desde cedo a venerar uma bandeira que não representa nada além de um time de futebol. Esse é o país em que vivemos. O país de Iranice (não mexa com seus cabelos, por favor...). E a humanidade que nós temos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-115140617956783262?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115140617956783262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/115140617956783262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/04/da-srieiranice-uma-brasileiraparte-i-o.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;da série&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Iranice, uma brasileira&lt;br&gt;&lt;font size=&quot;-1&quot;&gt;parte I - O País do Futebol&lt;/font&gt;'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114604793346887196</id><published>2006-04-26T07:37:00.000-03:00</published><updated>2006-04-26T08:02:48.736-03:00</updated><title type='text'>três pontoslibertas quae sera tamen</title><content type='html'>quase acredito que as diferenças entre o certo e o errado são assim tão gritantes a ponto de fazer qualquer um perceber o caminho definitivo a ser seguido sem tropeçar entre os trilhos e cair do lado contrário da linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quase percebo todas as verdades que se escondem nas confusas passagens por onde trafeguei em vão, em busca de desejos fúteis e inúteis, embora de sabor insuperável&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quase desejo mais alguns problemas em meu caminho apenas como uma nova prova de potencial guardado em minhas mãos calejadas de tanto penar para superar os desafios anteriormente lançados sobre meus ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quase alcanço a liberdade do porto seguro definitivo de minha trajetória, mas resvalo no passado e me liberto do presente para sangrar o horizonte tentando prosseguir no processo de ampliar as fronteiras do futuro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o meu futuro imperfeito, mas de traços riscados por mim&lt;br /&gt;de florestas de concreto armado e paisagens cinzentas, mas repletas da mais intensa e fustigante essência viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;intensidade, profundidade, substância e coragem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quase me mantenho são&lt;br /&gt;quase me mantenho sóbrio&lt;br /&gt;quase me liberto de meus próprios medos para ser livre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na ânsia de deixar de ser um reles quasimodo homem para voltar a ser um ser inteiramente completo. e não mais apenas um quase... quase anfíbio, que se divide entre dois &lt;em&gt;habitats&lt;/em&gt; diferentes, mas não se sente parte de nenhum...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nômade entre as cidadelas utópicas de um elo com um mundo perdido&lt;br /&gt;ou quase...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114604793346887196?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114604793346887196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114604793346887196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/04/trs-pontoslibertas-quae-sera-tamen.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;libertas quae sera tamen'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114511059933623249</id><published>2006-04-13T11:03:00.000-03:00</published><updated>2006-04-17T11:19:57.476-03:00</updated><title type='text'>curtasModus Operandi</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sempre teve poucos amigos. Os quais estavam sempre mudando. Suas amizades foram sempre assim, mutantes. Primeiro na família, os primos, depois no bairro onde morava, então na escola, na outra escola, no condomínio pra onde se mudou e, enfim, na universidade. Mas seus atuais amigos, aqueles que reencontrou após anos de afastamento e com quem anda freqüentemente agora, são os mesmos do colégio. Menos um: seu melhor amigo. Este ele conheceu por acaso, nos corredores da universidade, tinham um colega em comum. “e aí!? beleza?” “tudo certo.” “falou.” Foi sempre assim, durante muito tempo. Até que, após longos meses, num dia chuvoso e de mal com a vida. “cara, tenho que te dizer uma coisa.” “diz.” “te acho um grande babaca.” “serio!? coincidência! eu também. nunca fui com a sua cara”. Nunca mais se separaram. Criaram um laço vital, a um e ao outro. Saíam, bebiam, se embriagavam, voltavam pra casa (de um ou de outro) e vomitavam até a última víscera. Chamavam de tia um à mãe do outro. Tornaram-se íntimos. Montaram uma banda de rock. Underground até a última ponta. O baterista era um amigo em comum. Mas quem dava o tom, quem decidia os caminhos, era sempre ele. Sempre foi de difícil convivência, não era muito de ceder, quebravam o pau de vez em quando, mas se suportavam assim. Em nome da música. As brigas davam ibope. Uma vez foram parar na delegacia, saindo de lá direto para o estúdio. Fizeram sucesso. Cantaram na TV. Gravaram CD. Filmaram vídeo-clipe. Chegaram ao topo, ao estrelato. Se drogavam juntos, levaram um ao outro para o hospital um sem número de vezes. Overdoses, comas alcoólicos, induzidos ou não. Viviam intensamente. Até aquele carnaval. Salvador, Bahia. Quando aquela banda, em cima daquele trio elétrico verde limão com amarelo-manga começou a tocar uma música sua. Seu mundo desabou ali. Queria se esconder. Queria sumir. Quando o repórter que fazia a cobertura nacional o encontrou na saída perguntou de pronto. Pensou em bater no repórter, por pouco não o fez. Pensou em rasgar o verbo: “Estou chocado! Isso é uma afronta! Estou horrorizado com isso! É um crime à música de verdade!”, mas uma outra banda já havia tentado algo parecido e não deu muito certo. Preferiu ser polido: “estou realmente surpreso. não esperava por isso. foi uma coisa muito importante para mim. acho que chegou o momento de repensar toda a minha carreira e fazer uma reavaliação. alguma coisa, definitivamente, está muito errada!” É... ser polido não era muito com ele. A carreira foi repensada. Brigas, desavenças, questões a muito varridas para debaixo do tapete eclodindo, vindo à tona. Banda desfeita, cada um seguiu seu rumo. O baterista virou cineasta. Os dois seguiram na música. Tentou ser mais underground. Seu amigo fez sucesso sendo &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt;. Tentou &lt;em&gt;grunge&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;punk&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;pós-punk&lt;/em&gt;. As comparações eram afiadas e desconcertantes. Percebeu-se decadente e pensou em desistir. Num ultimo suspiro, optou pela MPB. Reergueu sua vida, sua dignidade, sua carreira. Pelo menos não caiu na tentação de ser 'romântico', desse fosso não se volta. Reencontrou o amigo num desses festivais da vida. Saíram juntos, tomaram um porre, voltaram para o hotel aos vômitos. Rolou uma &lt;em&gt;jam-session&lt;/em&gt; no palco do festival e na semana seguinte foram presos: porte de drogas. Não deu em nada, era só um baseado dessa vez, mas deu publicidade. Já começam a pensar em um retorno triunfante: acústico MTV e tudo o mais. A emissora garante que vão encher os bolsos de dinheiro. As cifras já compraram todos os ideais de um jovem rebelde sem causa. Depois desse projeto já planejam outra banda, dessa vez só os dois. Vão tentar algo diferente. Quem sabe um lance mais &lt;em&gt;light&lt;/em&gt;, mais &lt;em&gt;soft&lt;/em&gt;, mais &lt;em&gt;diet&lt;/em&gt;, mais &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt;. Dinheiro é dinheiro, &lt;em&gt;brother&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114511059933623249?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114511059933623249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114511059933623249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/04/curtasmodus-operandi.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;curtas&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Modus Operandi'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114444935578833076</id><published>2006-04-07T19:34:00.000-03:00</published><updated>2006-04-15T11:10:35.690-03:00</updated><title type='text'>da sérieComédia Romântica</title><content type='html'>- ai, socorro! vai, vai, vai, vai. assim. não! pára! isso. isso. hmmm... ai, ai... sim! assim assim isso isso isso...&lt;br /&gt;- dá pra fazer silêncio, por favor? tá atrapalhando a minha concentração aqui.&lt;br /&gt;- eu gosto de falar assim. me dá mais ânimo.&lt;br /&gt;- se você precisa tanto se manifestar podia se contentar em ficar gemendo. ou se mexendo, como todo mundo faz. essa sua gritaria me desconcentra.&lt;br /&gt;- eu tô num momento importante. essa parte é mais difícil pra mim. vê se me ajuda e tenta ser mais compreensivo...&lt;br /&gt;- isso que você está fazendo chama-se ‘vídeo-game’ e não ‘coisa importante’. além disso, você não precisa falar pra interagir com o monitor. pra isso existe o teclado.&lt;br /&gt;- e isso que você está lendo chama-se revista em quadrinhos. não precisa de concentração pra entender.&lt;br /&gt;- aí é que você se engana. essas histórias são bastante complexas. você devia ler comigo também. podia ser divertido. não é muito diferente de cinema.&lt;br /&gt;- sei, e é muito educativo também.&lt;br /&gt;- mais do que passar a tarde jogando Zuma, certamente.&lt;br /&gt;- ajuda na coordenação motora e na capacidade de raciocínio e concentração.&lt;br /&gt;- claro. esqueci que você ainda está desenvolvendo a sua parte motora. você só tem 24 anos, né?!&lt;br /&gt;- hmmmmmpft!! também me relaxa, desopila e diverte, tá bom?! e me distrai enquanto você se ocupa dessas revistas aí.&lt;br /&gt;- aahhh!! o problema é esse, então?!&lt;br /&gt;- o quê??&lt;br /&gt;- você tá com ciúmes e querendo atenção.&lt;br /&gt;- não. tô me divertindo e relaxando.&lt;br /&gt;- então eu arrumo outra coisa relaxante pra gente se divertir juntos.&lt;br /&gt;- hmmmmm... o quê? ei!! ai, socorro!! (...)&lt;br /&gt;- ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114444935578833076?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114444935578833076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114444935578833076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/04/da-sriecomdia-romntica.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;da série&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Comédia Romântica'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114345871587982520</id><published>2006-03-27T08:22:00.000-03:00</published><updated>2006-04-07T19:33:38.940-03:00</updated><title type='text'>aventuras de charloteOnírica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se não estivesse dormindo acharia que era louca. Estava perdida numa biblioteca tão grande que talvez não houvesse livros o bastante no mundo para preenchê-la por inteiro. Sabia que era um sonho porque seus sonhos são meio assim mesmo. Exagerados. E têm um clima meio super-8 também. Foi quando viu um unicórnio negro passando desde a sala de leitura em direção a um corredor. É... ela costuma ter sonhos estranhos mesmo. Talvez por causa das batatas fritas frias do &lt;em&gt;drive tru&lt;/em&gt; do McDonalds, elas sempre a deixam de mau humor. Prometeu a si mesma que passaria a comer no Bob’s daqui pra frente enquanto tentava seguir o unicórnio através do corredor. Até se perder naquele labirinto de paredes coloridas. Percorreu os corredores cantarolando e assobiando, enquanto percebia as paredes mudando de cor. Passou por corredores escuros e salões que brilhavam de tão iluminados. Até chegar àquela porta amarela no fim de um corredor cinzento. Era de se esperar que fosse uma porta enorme e pesada, talvez com motivos estranhos e uma enorme gárgula na frente, mas era apenas uma porta de compensado de madeira. Deixou de lado o anticlímax daquele sonho e adentrou um quarto com paredes de madeira e poucos móveis. Havia várias janelas de onde se via um bosque iluminado de um lado e uma escura floresta do outro. Sobre a mesa no centro, um livro coberto de poeira e uma caixa. Soprou a poeira do livro que não tinha nome e tomou-o nas mãos para ler. Foi quando ouviu uma voz vindo lá de fora. Correu até a janela da direita e viu aquele homem barbudo e sisudo, sentado sobre uma nuvem bem abaixo do firmamento. Ele olhou firme nos seus olhos e sorriu. Voltou-se para o livro e viu, sobre o parapeito da outra janela, uma rosa. Ouviu um trovão e virou-se assustada. Ele já não estava mais ali. Abriu a janela, observou aquele céu limpo e azul e devolveu o sorriso. Lembrou-se da história de Pandora e abriu a pequena caixa sobre a mesa. Lá estava ela. A esperança. Junto a algo mais. Zeus havia deixado-lhe um presente. Foi até a janela à esquerda buscar a rosa e viu do lado de fora o unicórnio que seguira até ali. Montado sobre ele, um homem. Um homem sem face. Vestido de negro, com um sobretudo e um chapéu verde-musgo. Ele abriu a janela e dirigiu-se a ela em silêncio. Encostou-se na janela e, apesar da ausência de um rosto, ela conseguiu perceber o sorriso que nasceu de seus lábios. O vento forte bateu a janela e, ao abri-la novamente, não havia mais nada. A não ser a velha floresta escura e coberta de neve. Guardou a rosa entre as páginas do livro, deitou-se próximo à lareira e dormiu. Acordou de manhã em seu quarto, e correu para a janela onde se via um belo céu de poucas nuvens. Sobre a cama havia um livro, com uma rosa dentro. Embaixo dela, uma caixa. E entre os lençóis, o presente de Zeus. Lembrou do homem sem face e sorriu com o livro em suas mãos. Não esperaria vê-lo de novo e descobrir o seu rosto, mas guardaria consigo a certeza de que um dia, quando menos esperasse, isso aconteceria. &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Charlote &lt;/span&gt;era apenas uma menina, mas tinha a beleza de uma mulher feita e a certeza de quem sabia muito bem o que queria viver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114345871587982520?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114345871587982520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114345871587982520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/03/aventuras-de-charloteonrica.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;aventuras de charlote&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Onírica'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114181595698408375</id><published>2006-03-20T08:04:00.000-03:00</published><updated>2006-03-27T08:22:31.283-03:00</updated><title type='text'>rapsódia românticaCopperwheels of Catharin</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;não. eu não quis acreditar, e não quero ainda, mas depois da última noite não há mais como negar o efeito desses encontros. isso já se tornou um tormento diário com hora marcada para mim. como pude deixar acontecer? eu te digo: deixei porque sequer me dei conta, até então. deixei porque parecia impossível que você fosse capaz de burlar todas as minhas defesas com essa sua meiguice e essa cândida pseudo inocência despretensiosa e desatenta. mas como seguir negando agora? e como conviver com a idéia absurda de que não há como? de que eu não posso? não quero, mas quero ao mesmo tempo e simplesmente não posso. fato que faz do meu livre arbítrio um sopro numa corrente. depois de tantas tentativas de me tornar senhor de meu destino, vejo cair por terra meus esforços numa avalanche torrencial de desejos inocentes. eu, que já me considerava curado da adolescência, que já havia desistido de me esforçar para não ser mal, que já havia sucumbido à condição de cafajeste sem limites ou escrúpulos (ou ao menos tentava), tenho agora que ouvir você me mostrar o quanto ainda posso ser bom. me trazendo de volta a essa vida de consciência e realidade controladoras. agora procuro me desvencilhar dos efeitos desse absinto inflamado que você despejou em minhas veias e tudo que enxergo é a absoluta falta de luz no fim do túnel. porque a responsabilidade que eu já havia esquecido me impede de seguir em frente ao mesmo tempo em que a causa dela me prende como uma âncora ao chão. quando a percepção da realidade revelou-me as novas perspectivas na última noite, tudo o que pude fazer foi negar, mas já era tarde. era tarde porque, em essência, eu sou isso tudo o que você despertou em mim, e nada daquilo que tentei sustentar abduzindo a mim mesmo num meio inóspito intrínseco a meu corpo. porque quando a grande foda do ano se transforma em um mero exercício de obrigação e culpa meus sentidos se desligam e não me deixam mais absorver o mundo a minha volta. porque ela estava ali, a minha frente, ardendo de desejo, e tudo o que eu conseguia imaginar era o seu rosto latejando em minha mente, sufocando meu peito e me impedindo de respirar. porque foi por sobre ela que transcrevi cada linha de tudo o que escrevo agora para você, desde a minha alma até o branco de minhas memórias. porque eu preciso de alguém que me desperte mais do que tesão. já cheguei ao cúmulo do absurdo e, deste ponto, não há mais para onde descer. fiz poucas coisas tão sem sentido na minha vida quanto isso. transar com uma mulher pensando em outra é algo que não me dá barato. e isso tem que significar alguma coisa...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114181595698408375?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114181595698408375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114181595698408375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/03/rapsdia-romnticacopperwheels-of.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;rapsódia romântica&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Copperwheels of Catharin'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114181618367019952</id><published>2006-03-08T08:08:00.000-03:00</published><updated>2006-03-20T13:57:57.863-03:00</updated><title type='text'>espelhosSadness for breakfast</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela trabalhou no IML por 17 anos. Desde o fim da faculdade. Deparou-se com todo o tipo de imagens e situações desagradáveis e repugnantes que se possa e que não se possa imaginar. Lembra-se muito bem da sensação de nojo que até hoje não deixou de sentir em alguns dos casos mais repulsivos. E nunca esqueceu das diversas vezes em que vomitou e passou mal diante de alguns dos corpos, imagens e odores com que, aos poucos, se familiarizou ao longo dos anos. Sempre foi consciente do preço que estava pagando por viver aquela vida. A frieza com que era obrigada a enfrentar o dia a dia da sua profissão, por vezes, espantava até a si mesma. Mas ela se preparou muito para aquilo. E já é extremamente preparada para encarar todo o tipo de casos que caem inertes sobre a sua mesa de autópsias dia após dia. Não há mais nada que a assuste. Ela estará sempre pronta para tudo. Menos para aquilo. Ela sabe que deveria ter considerado essa hipótese desde o primeiro dia. Sabe que esse era um dos fatores que deveriam ter pesado na decisão que tomara há 17 anos e que a levou desde a residência no hospital de doenças renais até àquele laboratório policial, àquela sala tomada por gavetas de corpos conservados em formol e àquela mesa. Mas, por algum motivo que desconhece e hoje amaldiçoa enquanto busca não morder os próprios lábios até sangrá-los, essa possibilidade nunca antes fora levantada. Enquanto busca se recompor do horror que vai povoar os seus piores pesadelos por longos e longos meses a seguir desta data e se levantar para encarar novamente, e de forma profissional, o seu trabalho e aquela imagem aterradora. Não seria a primeira vez que se confrontava com tal coisa. Mas nunca antes poderia supor que isso poderia atingi-la com tamanha força. Não recebeu nenhum telefonema. Não fora chamada para tomar nenhum tipo de providencia. Ninguém a procurou para dar-lhe a notícia. Era o dia do seu plantão. Sua hora de folga para um café acabara de se encerrar. Era a sua vez de descer até a garagem para acertar os termos do desembarque. Recebeu o presunto como já fizera com tantos outros. Assinou a papelada e puxou a maca até o setor de conferência. Abriu o zíper do ‘saco’ plástico e fitou a face trágica da morte beijando seus olhos e secando sua garganta. No corpo em cima da maca, agora descoberto, reconheceu a face do seu melhor amigo. E num instante intocável entre os dígitos do relógio tentou de diversas formas assimilar a informação recém adquirida e desfazer as nuvens negras que a impediam de processar o evento e compreender o impensável. Procurou manter o controle, pois sabia não poder entrar em pânico. Mas já estava. Algo que nem em seus desvios de conduta mais intensos permitiu-se imaginar. Nem em seus mais instáveis momentos pessimistas. Entrar em choque e desmaiar era tudo o que mais queria naquele momento. Fugir da irrefutável realidade que descia sobre sua cabeça com força descomunal. De que ninguém chega a sua repartição a bordo daquele carro e enrolado em uma sacola preta se estiver, minimamente, bem. Tentou emergir da angústia que se instalava e pediu para que alguém tomasse os cuidados que se via incapaz de tomar. Voltou à sala e se pôs à frente da mesa por longos e intermináveis minutos. Esperou retomar o controle dos próprios nervos, sentou-se no chão sobre pilhas de jornais velhos e catou o celular dentro da bolsa para ligar para o seu filho. Parou por um instante e buscou palavras que não era capaz de encontrar em seu vasto vocabulário. Respirou fundo e encontrou um mínimo gole de calma em meio ao próprio desespero. Baixou a cabeça e reviu a imagem de um sorriso plácido, uma gargalhada impetuosa, festas, bares, amigos e viagens. Reviu momentos de alegria, cores, capas de LP’s de vinil, um violão, cerveja, taças de vinho e noites de sexo que nunca voltarão a acontecer. Ergueu os olhos e contemplou mais uma vez aquela figura imóvel sobre a mesa que parecia dormir o sono dos mais justos. Perdeu o fôlego por um instante, buscou mais um gole de ar e, enfim, conseguiu chorar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114181618367019952?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114181618367019952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114181618367019952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/03/espelhossadness-for-breakfast.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;espelhos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Sadness for breakfast'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-114044267485471424</id><published>2006-02-20T10:35:00.000-03:00</published><updated>2006-02-20T11:10:29.576-03:00</updated><title type='text'>divagar imprecisoquando não houver mais carnaval...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;“além do mito que limita o infinito. além do dia-a-dia que esvazia a fantasia.”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda hoje penso no que me faz pensar em você dessa forma. No que me fez pensar em você de tal forma. No que me faz falta e no que, na verdade, nem era mesmo importante. Em meio às minha tantas dúvidas e conflitos internos eu sei, que na verdade as respostas nunca me escaparam. É tudo apenas uma questão de perspectiva. Em meio a tantas inverdades que vida nos impõe, há aquilo que realmente vale a pena e aquilo que é efêmero e descartável. Como tantos seres que nos cruzam o caminho e se vão, sem deixar vestígio qualquer. Sem tocar nossas almas. O que sobra de importante de nós mesmos nos outros é aquilo que compartilhamos de verdade. Não apenas desejos e prazeres, mas prazeres e desejos profundos. É o que nos faz crer que para tudo há uma saída. Não é o prazer de uma conquista de uma noite apenas ou o saciar de um instinto vazio que se perde de repente num gozo. É aquilo que faz um encontro valer uma vida e que raramente se encontra, porque poucas pessoas sabem o que procurar para sanar o vácuo que lhes habita o peito. Não é tesão fumegante que queima como fogueira, nem paixão avassaladora que se apaga como vela. É a &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;cumplicidade&lt;/span&gt; que se edifica a muito custo e cuidado. E que não se desmancha ou desbota nas tintas do tempo. Aquilo que me faz ver que um beijo sem alma são apenas lábios se lambendo e ter a certeza de que, por mais que eu seja vago, você ainda me entende. E entende a cumplicidade dos códigos, das meias palavras e entrelinhas que nos haviam e nos entrelaçavam em meio a tantos sem que ninguém percebesse. Dos nossos segredos e beijos secretos. Dos nossos olhares e piadas internas, aferindo encantos ao que era apenas melodia pueril. Das taças de vinho com &lt;em&gt;pizza&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;spaghetti&lt;/em&gt;. Da companhia. Conversas noturnas, madrugadas de prazeres que se desfiavam em diversos níveis ao nosso enlace e terminavam sempre num suave ‘bom dia’. Porque é no ‘bom dia’ que a magia se desfaz. É quando do que era encanto se faz sentimento. Sobre roupas intimas que habitavam o &lt;em&gt;carpet&lt;/em&gt; e se trilhavam desde o sofá da sala até enroscarem-se entre os lençóis de uma cama que não era apenas minha, nem sua tampouco. E era, ambos ao mesmo tempo. Sendo um em dois que vivem a mesma vida. Uma vida nossa. Com o peso e a responsabilidade que se tem de uma vida que divide a mesma cama. Porque ‘nós’, nesse contexto, ganha uma força que seria ímpar se não fosse paradoxo. Porque ‘nosso’ é mais forte do que ‘meu’ ou ‘seu’ e implica, necessariamente, na inexistência de ambos e, ao mesmo tempo, na desistência de posses. É um contrato que se assina por baixo de lençóis e só se revoga sob a pena e a dor do flagelo à própria vida. Que, não sendo mais sua, implica em ser também de outrem. Em nós, não se assinam promessas ou dívidas, mas as certezas dos instantes que não podem ser tomados por terceiros. Os encontros que não podem ser vividos por terceiros. E as lições que não se aprendem com terceiros. E que se leva uma vida toda sem esquecer. Quando você me ensinou a abdicar da maldade, não me mostrou como abdicar de você. Isso eu tive de aprender sozinho. E como tudo o que se aprende sozinho nessa vida, também teve o seu preço. E tão caro quanto abrir mão da liberdade, também o é abdicar da saudade. Do carinho, da companhia, do abraço quente, dos olhares, da ternura, das lágrimas divididas e dos sorrisos compartilhados. Da mão firme que te conduz através da dor, da mão suave que lhe conforta na escuridão. Das palavras e olhares trocados em madrugadas de calor em meio ao frio das ruas. Dos detalhes, manias, rotinas, risadas, afagos, caretas, piadas, próprias e impróprias. Dos programas, saídas, bebidas, cores, cheiros e gestos que só se sabem entre nós. Das dúvidas e certezas que só se constroem em duplas e daquilo que só se cabe entre nós. Dos muitos e nadas a fazer juntos e sempre juntos e apenas juntos e até dos pequenos detalhes separados que se diluem nos parcos espaços que se vivem juntos. Dos desejos e saudades e medos e ansiedades. Daquilo que só se revela em silêncios e particulares, aquilo que só eu lhe sei e apenas você me sabe. Dos segredos de alcova e do colo onde se dorme o sono dos &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;anjos&lt;/span&gt;. De tudo que nos traz a certeza de que, mesmo quando não houver mais tesão, ainda assim será um belo dia. Isso é o que se chama cumplicidade. Todo o resto é apenas confete e nada mais que poesia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-114044267485471424?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114044267485471424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/114044267485471424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/02/divagar-imprecisoquando-no-houver-mais.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;divagar impreciso&lt;/font&gt;&lt;br&gt;quando não houver mais carnaval...'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-113931850796480212</id><published>2006-02-07T10:20:00.000-03:00</published><updated>2006-02-07T10:21:47.976-03:00</updated><title type='text'>curtasCentral do Brasil</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando o viu na parada de ônibus seu coração deu um salto. Percebeu que ele iria subir e se olhou no reflexo da janela. Ajeitou o cabelo, se endireitou na cadeira rapidamente e ficou aguardando. Ele era exatamente o seu tipo de homem. Achou-o muito bonito e simpático logo de cara. Desejou imediatamente conhece-lo. Se acreditasse em amor a primeira vista pensaria que era este o caso. E mesmo não acreditando, já estava quase pensando o mesmo. Ele subiu no ônibus e já a viu antes mesmo de procurar um lugar para sentar-se. Observou todos os assentos e percebeu-a olhando para si. Até que virou o rosto. Olhou para a rua e, em seguida, abriu a bolsa e começou a mexer lá dentro. Pensou em sentar ao seu lado, mas não percebeu nenhum tipo de retorno aos seus olhares. Desistiu. Sentou a sua frente, sempre a olhando fixamente. Sem se mover. Ela ergueu os olhos um instante, deixando a bolsa de lado e fitou-o mais uma vez, voltando-se repentinamente para o chão logo depois. Ele simplesmente sorriu. A viagem era longa, havia tempo. Ele ia permanecer ali sentado. Observando e aguardando um sinal verde. Qualquer forma de pedido de aproximação. Pacientemente. Ela permaneceu toda a viagem assim, inquieta. Revirava os olhos e fitava o chão, o teto, a janela, a rua, os outros passageiros, mas nunca ele. Orgulhosa demais. Preferia ficar ‘na dela’. Ele a observava atentamente e, diante de suas constantes fugas de olhares, apenas sorria. Sorria e continuava observando. Pensou em se levantar e sentar-se no banco vazio ao lado da moça, mas, não recebendo nenhum tipo de retorno às suas investidas, não viu motivos para trocar de lugar. As paravas se seguiam, umas as outras. Enquanto ela ficava nervosa com aqueles olhos que não desistiam de observá-la e aquele corpo que insistia em permanecer distante. Até que chegou a vez de seu terminal. Ergueu-se e foi até a porta, posicionando-se próximo a ela, sem nunca tirar os olhos de cima da garota. Ela se enervou mais uma vez. Seu coração disparou e, instintivamente, virou o rosto para a janela da rua, com ar de abuso. Mais uma vez, ele apenas sorriu. Pensou em encará-lo também. Em devolver o sorriso. Mas era orgulhosa demais para tanto. Queria que ele falasse com ela, mas não queria puxar conversa. Morria de medo de parecer fácil. Tinha pavor de parecer oferecida. Ele se postou em frente a ela e apenas manteve-se observando. Aguardando. Esperando por um sinal qualquer. Um olhar, um sorriso, um gesto, até uma mexida no cabelo já servia. Mas não teve nada. Não recebeu nenhuma resposta senão a indiferença. E como não era médium ou cartomante, deduziu o óbvio: sem chance. “Será que ele não vai fazer nada?” pensou. “Não consegue enxergar o que está tão claro na frente dele?” Será mesmo? Percebendo a redução na velocidade do ônibus, posicionou-se para descer e deu uma última olhada, na esperança de alguma resposta positiva. Baixou a cabeça, com ar de desapontamento e torceu a boca. “Fazer o quê?” pensou. Desceu as escadas enquanto ela levantava o olhar rapidamente. Apenas para perceber o semblante desapontado do seu pretenso-suposto-pretendente que já ia embora. Colou-se na janela e, quando ele se virou para um último olhar, jogou-se assustada de volta na cadeira. Passou o resto do caminho chamando a si mesma de burra e imbecil. Nunca mais se viram, desde então.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-113931850796480212?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/113931850796480212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/113931850796480212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/02/curtascentral-do-brasil.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;curtas&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Central do Brasil'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-113770906292673128</id><published>2006-01-19T19:16:00.000-03:00</published><updated>2006-08-03T13:33:04.603-03:00</updated><title type='text'>três x quatrofor all things we should leave behind (and everything that never dies)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu sei que não sou nenhum pouco fácil. Não costumo facilitar muito as coisas e, freqüentemente, tenho o mau hábito de dificultá-las bastante. Como quando pareço absurdo. Como quando pareço sarcástico. Ou quando parecia não me importar com seus caros apelos e era, na verdade, apenas a minha forma torta de lidar com o sofrimento e a dor iminente. Negando-me a encará-los de frente. Como se não importasse como ou onde fosse, seria sempre difícil de viver os fatos. Como ainda é difícil aceitar a idéia de subtraí-la como se não tivesse a importância que na verdade sempre terá. Mesmo sabendo que é parte do fardo da vida e da constante evolução. E como fingir que não importa o quanto isso lhe importa e lhe diz respeito? Se sempre me importa o quanto isso lhe importa, e sempre importará. Se sempre terá de mim o mesmo carinho e a mesma ternura que lhe dispenso agora e desde sempre. Tudo igual, ou quase. O que não significa que me prendi ao passado ou deixei de viver o futuro. Já faz tempo que aprendi a viver sem você e há muito já me habituei a viver completamente sozinho. Ainda assim, não é difícil perceber que isso não me é, nem nunca será, confortável. E quem se refaz por completo de todas as suas perdas? Ninguém, por certo... Eu sei que você reconstruiu sua vida e, mesmo sendo isso que eu realmente queria, ainda me é estranho encarar as novas formas do mundo à minha volta e tornar-me indiferente à falta que me faz. Você e a nossa vida. Sobretudo a nossa vida. É uma certa resistência às mudanças inevitáveis que se contrapõe ao pavor que mantenho enraizado por tudo aquilo que é imutável. Embora reticente, eu gosto das mudanças freqüentes e das idas e vindas constantes a que me submeto. Das trocas de rumo, mudanças de rota, vislumbres de novos e revistos horizontes. Gosto quando o mundo se refaz em cores diferentes e até dos tons de cinza que se desmembram dos pretos no branco dos meus olhos. Mas são as cores amareladas dos tormentos pretéritos que abomino e procuro evitar. Não sou preso ao passado. Mas às emoções e sabores ainda presentes na lâmina amarga da saudade que perfura minha carne. Principalmente quando invade espaços ainda não preenchidos de meu corpo. Deixando vazar junto ao sangue lembranças, cheiros, gostos, cores, texturas, imagens, risadas e choros e sons de respirações, músicas e suspiros. E quando a vida se reconstrói ao longo da envergadura de meus braços, embora isso implique sempre, e inevitavelmente, em demolição e desmanche de alguns dos pilares já estabelecidos e, freqüentemente, bastante sólidos. Implodindo em angustias e feridas expostas, muitas delas profundas. Em meio a dúvidas inquietantes e certezas angustiantes que transpiram da minha natureza conflitante. Da minha impulsiva coragem de ir, mais e mais longe. Por não saber ser ainda a hora de ficar. Ou por não saber ter ainda a coragem de parar. Por não conseguir poder decretar o sempre adiável deflagrar do inevitável momento de ser, enfim, estável. Um ir com sabor de vitória misturado a um deixar com gosto de saudade. Uma apreensão carregada de tristeza e medo de um futuro familiarmente estranho. Pode ter sido profunda dor, mas a verdade é que: no fundo, no fundo, tudo o que eu sei fazer é partir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-113770906292673128?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/113770906292673128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/113770906292673128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/01/trs-x-quatrofor-all-things-we-should.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três x quatro&lt;/font&gt;&lt;br&gt;for all things we should leave behind&lt;font size=&quot;-1&quot;&gt; (and everything that never dies)&lt;/font&gt;'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-113740827235099486</id><published>2006-01-13T07:41:00.000-03:00</published><updated>2006-01-16T07:44:32.366-03:00</updated><title type='text'>rapsódia românticada leveza de não ser</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Procuro administrar a loucura intrínseca ao meu ser numa roda periodicamente oscilante que redireciona meu comportamento para cada fase do modo que melhor me convém. Ora libertando-a em doses homeopáticas, ora reprimindo-a numa garrafa de vidro em meu peito, ora abusando dela indiscriminadamente, mas sempre sustentando o controle das cordas. Amarro a pulsante vontade que tenho de jogar tudo para o alto e partir em busca de novos rumos entre as cordas da minha guitarra e a carrego comigo junto à mochila nas costas para tê-la como âncora e ponto de partida quando todo esse desejo atravessar o novo ciclo e se fizer latente como uma saudade que poderá me trazer de volta. Sigo assim, fazendo o agora ter sentido mesmo que não combine com o depois. Cansei de pensar no antes. Cansei de planificar o amanhã com nanquim em folhas papel vegetal tamanho planta. Cansei de não fazer o que quero sempre que isso implica invariavelmente em não ser o que sou. Passei a planejar os segundos restantes de minha existência sem contar com a possibilidade que eles somem mais do que algumas horas e caí na estrada sempre curvilínea dos meus novos dias. Mas guardei um conjunto de agendas anuais com projetos pré-datados para serem contemplados cada um a seu tempo. Desisti de ser livre e me deixei levar por seu encanto. Assumi minha maldade e busquei redenção, mas não criei arrependimentos nem mesmo pedi perdão. Guardei meus segredos entre os anéis dos meus dedos e os deixei à vista de seus olhos, para que pudesse desvendar meus mistérios e assim se enlaçar em minha personalidade escorregadia. Deixei minha loucura explodir no brilho do teu olhar cintilante e ameno. Escorregar pelo teu rosto e cair no chão repetindo o molde de sua expressão desentendida e se quebrar, desfazendo minhas crenças. Perfilando a verdade à minha frente, assumi a vergonha de negar os fatos. Que foi loucura pensar em você, que foi capaz de me capturar por ser exatamente o oposto de tudo aquilo que idealizei para mim. Um reflexo de mim mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-113740827235099486?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/113740827235099486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/113740827235099486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2006/01/rapsdia-romnticada-leveza-de-no-ser.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;rapsódia romântica&lt;/font&gt;&lt;br&gt;da leveza de não ser'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-113509647142327437</id><published>2005-12-20T13:38:00.000-03:00</published><updated>2005-12-27T12:58:53.256-03:00</updated><title type='text'>lutoFlores de plástico não morrem</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;“é tão estranho, os bons morrem jovens”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu queria conseguir sorrir. Como uma forma de fazer-lhe uma homenagem. Do tipo de homenagem que você merece. Feliz. Alegre como você sempre foi. Eu queria conseguir chorar. Chorar descompassadamente, com a ferocidade de um animal selvagem ferido. Maldizer o mundo e a todos. Maldizer os idiotas que se aglomeram uns sobre os outros tornando esse planeta insano e imundo. Mas nem uma coisa nem outra eu consigo. Só consigo nada fazer. Procurar perguntas que ficarão sem respostas, procurar culpas que não serão cobradas, procurar uma fuga, um vácuo, um lugar para me esconder até que as perguntas ecoem e cheguem aos seus ouvidos e, quem sabe, lhe tragam de volta. E não ser obrigado a levantar a cabeça e olhar adiante como se qualquer coisa que não esse retorno pudesse dirimir essa dor e desalento. Essa vacuidade e a sensação de impotência diante de fatos já consumados. A indignação com a morte que, com tanta gente podre para levar embora, escolheu justamente você. Alguém que ainda tinha tanto de bom a fazer. Alguém que tanto de bom já havia feito. Alguém que nunca devia partir... E por que tenho eu, agora, que levantar os olhos e seguir adiante? Olhar o mundo e fitá-lo de frente. Encarar a vida e construir um futuro tão brilhante quanto o seu. Por quê? Se por mais que a cena se repita eu não consigo acostumar-me a isso. Se você vai embora assim, sem avisar a ninguém. Sem que ninguém esperasse. Como se fosse menos doloroso e doentio se assim não o fosse. Como se, por mais que se espere e se saiba, não fossemos todos sempre pegos de surpresa. Foi para isso que vim de tão longe? Apenas para sentir falta daqueles que nunca mais voltarão? Se a vida não é justa, quem dirá a morte. Quem me dera poder agora reerguer-me e levar a rua um sorriso tão grande e quanto o seu. Mas tudo de repente parece tão sem sentido quanto sem sentido realmente parece que é. Sorrisos, fotos, cadernos, outdoors, pessoas conversando, pessoas rindo, pessoas simplesmente se olhando. Beijos, bocejos, abraços, apertos de mão. Sorvete, chocolate, cerveja, cachaça com limão. Jogos de basquete, campeonatos de futebol, pelada no domingo, jogos de botão. &lt;em&gt;Shows&lt;/em&gt; de rock, solos de guitarra, taças de vinho, acordes de violão. Porres de &lt;em&gt;whisky&lt;/em&gt;, cigarros no cinzeiro, festas de varar a madrugada, danças de salão. Dançar, cantar, ouvir, falar, beber, se embriagar. &lt;em&gt;Champaigne&lt;/em&gt; ou guaraná. Me explica como pode a vida acontecer se você não está mais aqui para viver? Quando puder entender, aí sim, poderei, não me conformar, mas arrefecer esse sentimento de revolta. Ficar feliz pela sua vida, seus feitos, sua vitalidade, juventude e sua alegria contagiante. Seu jeito sempre contundente de dizer a verdade, de aconselhar, de consolar, se ser amigo. Com seu abraço forte e confortante. Com suas frases fortes e reconfortantes. Com sua vida, que transbordava aos que se faziam companheiros. E é o que nos resta. Apenas acreditar. Acreditar que, onde quer você esteja, estará sempre aqui comigo. Que seja ou não ateu, será bem recebido aonde quer que vá, como o bom homem que sempre foi. Que eu posso guardar comigo o seu exemplo de força, caráter, dignidade e lealdade. Aprender com você a ser sempre melhor. Aproveitar da vida tudo o que ela tem para dar e, acima de tudo, buscar ser sempre feliz. Tão feliz quanto possível. Eu, seus amigos e todas as suas viúvas. Todos nós. Companheiros e irmãos. Um dia seremos. Fique em paz, com os anjos que hoje sorriem consigo e se alegram com a sua presença, e que Deus o guarde. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-113509647142327437?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/113509647142327437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/113509647142327437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/12/lutoflores-de-plstico-no-morrem.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;luto&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Flores de plástico não morrem'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-113347491374728767</id><published>2005-12-01T19:07:00.000-03:00</published><updated>2005-12-02T07:53:33.840-03:00</updated><title type='text'>da sérieComédia Romântica</title><content type='html'>– oi!&lt;br /&gt;– oi.&lt;br /&gt;– como é que você tá?&lt;br /&gt;– melhor do que esperava.&lt;br /&gt;– a Clarisse me ligou ontem.&lt;br /&gt;– eu já imaginava.&lt;br /&gt;– ela disse que você não foi nada romântico.&lt;br /&gt;– bela desculpa!&lt;br /&gt;– porra! era o aniversário dela!&lt;br /&gt;– e o que você queria que eu fizesse? fui lá na casa dela. levei o presente. qual o problema?&lt;br /&gt;– podia tê-la levado pra jantar.&lt;br /&gt;– foi ela quem me levou pro sofá. pra ver a novela.&lt;br /&gt;– e você achou que ela queria ficar só vendo novela?&lt;br /&gt;– era o que parecia!&lt;br /&gt;– arfff... homens!!&lt;br /&gt;– o que!?&lt;br /&gt;– custava ser romântico uma vez na vida?&lt;br /&gt;– romântico?! romântico... romance não existe. é uma lenda!&lt;br /&gt;– pois é!! mas ainda tem gente que gosta.&lt;br /&gt;– gosta nada! vocês nem sabem o que é isso...&lt;br /&gt;– como é!?!?&lt;br /&gt;– é verdade! quer ver? vamos a um exemplo: um cara que você nunca viu na vida te aborda num ônibus. ele diz que talvez nunca mais vá te ver de novo e por isso não podia perder a oportunidade. ele te pede apenas uma chance e o teu telefone. você dá?&lt;br /&gt;– claro que não!!&lt;br /&gt;– tá vendo?! acabou de matar o teu romance.&lt;br /&gt;– um ônibus não é nada romântico!&lt;br /&gt;– não é romântico ou não é 'chique'?!&lt;br /&gt;– como é?!&lt;br /&gt;– é isso!! o cara podia achar que você é a mulher da vida dele, mas você não lhe deu a menor chance.&lt;br /&gt;– romance é muito mais do que isso.&lt;br /&gt;– é?! o que? flores?!&lt;br /&gt;– por exemplo.&lt;br /&gt;– tá massa. se você fica com um cara numa balada e, no dia seguinte, ele te manda flores. você se encontra com ele de novo e começa a namorar? ou não?&lt;br /&gt;– ei!! peraí!!&lt;br /&gt;– não!! você nunca faria isso!! só mesmo um louco, desesperado ou algum babaca completamente sem noção mandaria flores para alguém que só conhece há um dia. você iria é fugir dele.&lt;br /&gt;– tá ! mas...&lt;br /&gt;– pois o teu romance acaba de morrer pela segunda vez!&lt;br /&gt;– as coisas não são assim.&lt;br /&gt;– ok! então me diga: você vê um cara que te interessa numa festa e ele vai falar contigo. só que fica tímido e não consegue dizer nada de futuro. você fica com ele ou dispensa?&lt;br /&gt;– ô! você quer que eu fique com um cara que nem sabe conversar?&lt;br /&gt;– ele pode estar só nervoso porque não te conhece ainda! além do mais, se você nem quis conhece-lo pode ter dado um fora num gênio, num grande artista, poeta, escritor ou sei lá! E tudo porque ele não soube 'chegar junto', não teve 'lábia' pra te levar 'no papo'. será que só eu acho isso ridículo?!&lt;br /&gt;– sim! mas romance pode estar em muitas outras coisas.&lt;br /&gt;– exemplifique!&lt;br /&gt;– jantar à luz de velas, por exemplo.&lt;br /&gt;– é?!? com quem?!? com o teu namorado? que por acaso é teu vizinho e você conhece desde que nasceu?!?! você tem certeza de que gosta dele ou só está acostumada demais a tê-lo por perto??&lt;br /&gt;– bom...&lt;br /&gt;– pois é! como eu disse: romance não existe. isso que você chama de romance eu chamo de regras-para-uma-pacífica-convivência-conjugal. são apenas dogmas.&lt;br /&gt;– então me beija!!&lt;br /&gt;– quê?!?&lt;br /&gt;– agora!!&lt;br /&gt;– ãh?!?&lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-113347491374728767?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/113347491374728767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/113347491374728767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/12/da-sriecomdia-romntica.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;da série&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Comédia Romântica'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-113213897735275039</id><published>2005-11-16T08:01:00.000-03:00</published><updated>2006-08-03T13:30:28.536-03:00</updated><title type='text'>três x quatroin the cold november rain</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando estou assim, à procura de algum tipo de definição e linearidade em minha própria imagem é porque, na certa, já me perdi de mim, de tudo, dentro de um espelho. Eu pareço mesmo inconstante, talvez um pouco confuso. Misterioso, eu diria. É claro que fica difícil manter qualquer mistério quando meus olhos falam pelos cotovelos. Isso me rendeu o hábito dos óculos escuros e uma certa fotofobia. Juntando à minha enorme teimosia, é fácil entender essa impressão complicada. Complexo, como eu prefiro me definir. Demasiado analítico e racional, mas nem sempre. Aliás, impressiona como se pode ser tão inteligente e se ver sempre caindo tantas tolas e repetidas vezes nas mesmas falhas inconseqüentes. Embora não seja inconseqüente. Às vezes bem que gostaria de ser. Em outras até ajo como se o fosse, nas vezes mais erradas geralmente. Esse jeito contemplativo também é reflexo disso. É timidez. Não se percebe depois que você me conhece há algum tempo, mas eu sou mesmo tímido. Parece piada, eu sei. É difícil entender como alguém tão inseguro consegue transpirar tanta autoconfiança a ponto de até mesmo amedrontar aos outros. Ninguém imagina o quanto eu preferia não ser assim. Por vezes rola mesmo uma certa dificuldade de aceitação interna. Às vezes olho para a cara dos &lt;em&gt;nerds &lt;/em&gt;que costumam freqüentar bancas de revistas à procura de HQ’s e me pergunto se também sou daquele jeito. Nessas horas tenho vontade de me atirar da ponte. Não do viaduto, mas da ponte mesmo. Pois, caso sobreviva à queda, não corro o risco de ser socorrido e ainda tenho a água para completar o serviço por afogamento se não for o bastante. Deve ser alguma falha de caráter, ou algo pior. Eu diria que ninguém consegue descer às profundezas da própria alma, encarar toda a maldade que ali reside, intrínseca ao seu ser, e emergir ileso de lá. Sempre nos restam as conseqüências. Como fantasmas vivendo em sua cabeça e batendo papo com a sua consciência. Não é fácil conviver com os próprios receios, com a falta de tato para lidar com estranhos, com uma aguçada consciência corporal e metafísica inutilizada por uma total inépcia nos relacionamentos. Com as próprias escolhas erradas e a falta que certas respostas lhe fazem. A falta que alguns valores inconseqüentes insistem em fazer. Mas, mais difícil ainda, é continuar fazendo força para parecer inteiro quando você se sente, por definição, incompleto. Como se faltasse uma vida para preencher um vazio obliterante em uma mente apenas consciente. Vida, mente, alma, corpo, consciência, coração. Como se eu pudesse realmente compreender e reconhecer o que ainda falta e resta de mim mesmo. Como se eu não soubesse qual a peça que continuamente não encontro e teimo em procurar. Incessante insucesso. Então me pergunto como é possível alguém conseguir comportar um poço de contradições tão profundo no interior do próprio cerne. É mais uma pergunta que ficará ecoando sem resposta no volume do meu cérebro. Como? Eu não sei... talvez nunca saiba. Só sei que este sou eu. E assim vou seguindo. E aos trancos e barrancos, sobrevivo... Talvez pareça ridículo falando tudo isso. Talvez esteja apenas sentindo falta de alguém, ou de algumas pessoas. Ou talvez esteja apenas me sentindo sozinho. Enfim, ninguém tem nada com isso, não é mesmo? Apenas eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-113213897735275039?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/113213897735275039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/113213897735275039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/11/trs-x-quatroin-cold-november-rain.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três x quatro&lt;/font&gt;&lt;br&gt;in the cold november rain'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-113084250578808334</id><published>2005-11-01T07:53:00.000-03:00</published><updated>2005-11-01T08:11:32.080-03:00</updated><title type='text'>três pontosCaixa de Pandora II</title><content type='html'>Rotas, caminhos, passos, colisões...&lt;br /&gt;Escolhas, erros, conseqüências...&lt;br /&gt;Dúvidas, dívidas, culpa...&lt;br /&gt;Absurdo seria se eu nunca tivesse de pagar por erros que não foram meus&lt;br /&gt;Absurdo seria se a ressaca não passasse com mais uma dose&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente cresce... e aprende&lt;br /&gt;A vida me tornou maleável, o tempo me fez mais dócil&lt;br /&gt;Enxergando as possibilidades, fazendo escolhas e assumindo as conseqüências&lt;br /&gt;Não uma, mas muitas vezes na vida...&lt;br /&gt;Absurdo seria se eu nunca mentisse&lt;br /&gt;Absurdo seria se uma banda de rock fosse capaz de salvar o mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi que a vida passa e que o mundo gira, mesmo quando a gente pára.&lt;br /&gt;Aprendi a estar só, e a estar acompanhado também.&lt;br /&gt;Aprendi que nada na vida é definitivo, mas algumas coisas podem vir a ser...&lt;br /&gt;Absurdo seria se eu fizesse sempre as escolhas corretas&lt;br /&gt;Absurdo seria se os americanos comprassem o planeta Terra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi que as pessoas vão embora e não estarão ao seu lado para sempre.&lt;br /&gt;Aprendi que algumas delas voltam, outras não...&lt;br /&gt;Aprendi a aproveitar as companhias enquanto elas ainda me acompanham, tanto melhor quanto possível (mas apenas quando vale a pena).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior desafio da vida é vencer o medo de vivê-la plenamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a ser paciente (com as pessoas, não com o tempo).&lt;br /&gt;Aprendi a dizer o que penso (mas apenas quando for preciso).&lt;br /&gt;Aprendi a dizer não (mas sei que é muito bom dizer sim).&lt;br /&gt;Aprendi a não limitar experiências por culpas, dogmas ou outras banalidades.&lt;br /&gt;Aprendi que as relações não têm regras (a não ser aquelas que tolamente nos impomos).&lt;br /&gt;Absurdo seria se eu me apaixonasse sempre pela pessoa certa&lt;br /&gt;Absurdo seria se eu deixasse de fazer tudo aquilo que sei que está errado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desaprendi a confiar, mas aprendi a conviver.&lt;br /&gt;Desaprendi a me entregar, mas aprendi a me adaptar.&lt;br /&gt;Aprendi que nada é mais valioso que a verdade, a qualquer preço.&lt;br /&gt;Aprendi a construir e a destruir uma relação.&lt;br /&gt;Aprendi que nada é mais prazeroso do que a cumplicidade.&lt;br /&gt;Aprendi que nada salva uma paixão da ruína se não houver amizade (e quem há de negar que esta lhe é superior).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a domar preconceitos e crendices infundadas.&lt;br /&gt;Aprendi que nada é mais poderoso do que a vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida me fez forte, o tempo me fez seguro, a maturidade (que ainda não tenho) tem me feito mais dócil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso saber viver...&lt;br /&gt;não hoje, mas cada dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-113084250578808334?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/113084250578808334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/113084250578808334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/11/trs-pontoscaixa-de-pandora-ii.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Caixa de Pandora II'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-112998561903600753</id><published>2005-10-21T09:49:00.000-03:00</published><updated>2005-10-22T09:55:21.636-03:00</updated><title type='text'>três pontosStrawberries</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;&lt;em&gt;Nada como dores novas para arrefecer as dores antigas.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da próxima vez que vieres alojar-se dessa forma causticante em meio às minhas víceras com tanto desconforto gostaria que, ao menos, tentasse mandar aviso com antecedência para que eu possa guardar espaço em minhas entranhas para hospedar, sem tanto desprazer e desespero, à senhora e a todos os seus servos hediondos que a acompanham sempre. A mentira, em primeiro lugar. Que esconde fatos, destrói a confiança, desmonta relações e é capaz de desfazer um mundo sobre os pés dos homens. É como uma lápide sobre uma verdade enterrada viva. Quando se quebra, a verdade que dali emerge sempre causa dores incríveis. Quanto mais antiga for a verdade enterrada, maior a dor que ela provoca ao sair. A culpa e o arrependimento também. Que sempre caminham juntos. Atormentando a alma e mutilando a mente. Encurralando os sentidos e provocando cada vez mais erros. O ódio, que ofusca a sensibilidade humana e nos impede de enxergar o perdão. Que se alimenta de nossas fraquezas e nos torna cada vez mais susceptíveis a afundar em mais sentimentos ruins. O mais poderoso de todos os seus servos, capaz de destituí-la de seu papel de efeito para realocá-la na posição de causa, onde se torna ainda mais perigosa e implacável. Nem ouso falar também do seu irmão mais próximo, o amor. Sob o risco de me retumbar piegas e desnecessariamente vago. Quero também aproveitar para guardar um mínimo espaço em meu peito. Não para a senhora, que nele por vezes nem cabe, mas para a vida. A quem conhecemos através de ti e por quem sempre caímos em retorno ao vosso seio febril. A quem, em sua completude, nos recompensa com outros presentes em contra-peso. Um espaço mínimo que seja, para que possa guardar em mim uma reles lembrança da beleza da natureza e das pequenas coisas da vida que ainda conseguem me fazer sorrir. Ainda que ínfima e timidamente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-112998561903600753?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/112998561903600753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/112998561903600753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/10/trs-pontosstrawberries.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Strawberries'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-112869527738366815</id><published>2005-10-07T11:26:00.000-03:00</published><updated>2005-10-07T11:29:26.543-03:00</updated><title type='text'>divagar imprecisoPiés Descalzos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sabe o que é ter preguiça de existir? Não é preguiça de agir, de fazer, de falar ou ouvir. É quase como uma preguiça de estar vivo, mas pior. Sabe o que é ter vontade de sumir? Não sumir no sentido figurado de querer desaparecer dos olhos dos outros (ou de todos), mas de sumir mesmo. Sumir do mundo. Deixar de fazer parte dele por uns tempos. Tipo como ser congelado num bloco de gelo e lá permanecer até que a medicina futura seja capaz de encontrar uma cura milagrosa para a falta de saco. Essa sim, no sentido figurado, por favor. Já se sentiu sozinho? Sozinho mesmo, não solteiro. Não solitário ou sozinho numa luta ou em um ideal. Não por falta de alguém a quem recorrer. Está mais para ser contemplativo, como quem se sente sozinho dentro de si mesmo ou dentro de seu próprio mundo, porque no mundo externo não se encontra abrigo ou algo a que se ajustar. É como estar num quarto escuro, sem portas ou janelas, sem luz, paredes ou chão sob os pés. Ouvindo apenas os ruídos emitidos pelo próprio corpo. É como sentir-se só através de uma avenida movimentada ou no meio de um show de rock da sua banda favorita. Num mundo que não lhe pertence, na multidão que não lhe contém. Parece estranho sentir-se só e ainda querer sumir? Mas é estranho mesmo. A solidão é a pior das prisões. É como se não houvesse nada que lhe impedisse de sair de onde está, mas também não restasse lugar algum para aonde ir. É como gritar sem ser ouvido, sequer por si mesmo. É como querer lutar, mas só ter a si mesmo para vencer, e ainda assim continuar perdendo. Render-se ao flagelo da miséria humana por não conseguir enxergar por outros olhos que não os seus próprios vícios. É não poder ser compreendido porque o ser humano só consegue enxergar a amargura que existe em si mesmo. Aquilo que emana do coração dos outros é tão somente um reflexo opaco dos seus próprios sentidos. Mas e você? Já teve preguiça de existir?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-112869527738366815?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/112869527738366815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/112869527738366815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/10/divagar-imprecisopis-descalzos.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;divagar impreciso&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Piés Descalzos'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-112775334234471622</id><published>2005-09-26T03:48:00.000-03:00</published><updated>2006-02-02T10:11:00.586-03:00</updated><title type='text'>divagar imprecisoSabbath</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já desci aos portões do inferno tantas vezes que nunca imaginei que pudesse haver um lugar ainda pior. Existe: o porão. O fundo do poço de todas as metáforas. Um lugar aonde nada pode piorar ainda mais. É frio, escuro, úmido, sujo e fétido. Tão longe da superfície que não se pode enxergar a luz. Nenhum único raio de luz. As paredes ásperas se fecham num espaço tão pequeno que mal dá para se mover. A gente fica sempre de pé, tentando se sustentar sem ajuda das paredes o quanto der. O chão é tudo menos firme. Como uma mistura de areia molhada com lodo. Uma gosma que exala um odor tão forte que você nunca consegue se acostumar, por mais tempo que passe no lugar. Cada movimento dos pés faz o fedor subir mais e mais forte. Por isso é sempre melhor se manter estático. Poderia ser pior se os sapatos estivessem encharcados até as meias. Mas quem chega até aqui tem, por premissa, já estar descalço. A contra-gosto, claro. A viagem nem sempre tem volta. A sensação, o cheiro, as dores, na alma e nos músculos, parecem infindáveis. É como se o seu corpo fosse apodrecendo, se desfazendo como um leproso. Perdendo os pedaços lentamente, de modo a prolongar o sofrimento. Afinal, não se pode ir tão fundo para morrer tão cedo. É preciso penar. Nem todos aqui acumulam as mesmas culpas, mas todos dividimos a mesma conta. É o ambiente propício para se desistir de lutar. Frio, dor, culpa, amargura, desespero e medo. Não sobram sentidos no corpo para bons sentimentos ou emoções. Só para alimentar a pena de si mesmo. É preciso muita força para sair. Para subir. Força que se desmancha pouco a pouco na amargura que toma conta da sua alma. Ainda mais quando se consegue tomar fôlego e se ouve de imediato o ruído. Aquele barulho que a terra emite pouco antes de te tragar mais fundo. Um som que pode ser ouvido até na superfície, mas que só se torna evidente longe de todos os outros sons que lhe desviam a atenção. Apenas aqui, onde o silêncio e a solidão imperam, a não ser pelos barulhos emitidos pelo próprio corpo. E Este ruído. Da lama se assentando para descer mais, das paredes se afunilando, dos vermes e baratas se esgueirando por entre os dedos dos meus pés. Do meu corpo escorregando até os joelhos nesse caldo incolor de lodo, fungos e lama. É um aviso de que a minha jornada será ainda mais longa. Estou ainda fixando meus pés para subir. Depois de algumas semanas o sarcasmo intrínseco ao meu ser encontra uma válvula para emitir uma reação. Numa irônica e leve risada. Desce?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-112775334234471622?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/112775334234471622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/112775334234471622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/09/divagar-imprecisosabbath.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;divagar impreciso&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Sabbath'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-112669442402190261</id><published>2005-08-11T07:38:00.000-03:00</published><updated>2005-11-01T08:08:25.726-03:00</updated><title type='text'>três pontosSaudade...</title><content type='html'>de comer macarrão com frango&lt;br /&gt;de pão integral e queijo branco&lt;br /&gt;de filé com cheddar&lt;br /&gt;de macarronada com chá mate&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de beijo escondido&lt;br /&gt;de abraço quente no frio do inverno&lt;br /&gt;de café da manhã &lt;em&gt;diet-light&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;de quem sempre me deu tanto e sempre pediu tão pouco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de quem me xingava&lt;br /&gt;de quem se desfazia em lágrimas por qualquer coisa e se acabava de rir por nada&lt;br /&gt;de quem me fazia comer brócolis&lt;br /&gt;de quem faz caretas como ninguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de quem fazia ‘barulhos loucos’ com a boca quando achava que não tinha ninguém por perto&lt;br /&gt;de quem dançava feito doida quando eu fingia que não estava olhando&lt;br /&gt;de quem reclamava igual quando eu fazia alguma coisa e também quando eu não fazia nada&lt;br /&gt;de quem ficava jogando no pc quando deveria estudar depois reclamava sem parar da falta de tempo pra tudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de quem me fazia sorrir&lt;br /&gt;de quem me fazia chorar&lt;br /&gt;de quem sempre arrumava uma briga no almoço pra fazer as pazes no jantar&lt;br /&gt;de quem me abraçava e cuidava de mim&lt;br /&gt;de quem pedia colo e chorava descompassadamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de quem ‘pirava em si própria’ e me pirava junto&lt;br /&gt;de quem fazia manha&lt;br /&gt;de quem falava sério&lt;br /&gt;de quem me pedia com carinho&lt;br /&gt;de quem me mandava aos berros&lt;br /&gt;de quem não me deixava dormir à noite&lt;br /&gt;de quem eu não deixava dormir de manhã&lt;br /&gt;de quem sabia de tudo mas continuava achando que não sabia nada (ou fingia pra me fazer explicar tudo de novo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de quem gritava que nem louca pela casa&lt;br /&gt;de quem me dava força&lt;br /&gt;de quem me consolava nas horas difíceis&lt;br /&gt;de quem eu nunca quis magoar, mas acabei magoando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de quem não podia ver uma máquina fotográfica&lt;br /&gt;de quem sempre me ‘abandonava’ na fila do supermercado&lt;br /&gt;de quem me fazia esperar na secção de frutas&lt;br /&gt;de quem devorava seus chocolates em poucos minutos (e os meus também)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de quem brigava, esperneava, xingava, mas depois sempre se acalmava&lt;br /&gt;de quem não me entendia, mas pelo menos se esforçava bastante&lt;br /&gt;de quem estava tão perto e de repente ficou tão longe&lt;br /&gt;de quem eu nunca vou me esquecer, e levarei comigo até o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ffffff;"&gt;&lt;em&gt;“porque cada dia é nosso dia pra construir, fortalecer, melhorar cada vez mais essa união... a cada dia são novas descobertas, novos prazeres e eu só posso dizer q estou muito feliz por estar ao seu lado...”&lt;br /&gt;X.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-112669442402190261?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/112669442402190261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/112669442402190261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/08/trs-pontossaudade.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Saudade...'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-112344867594502377</id><published>2005-07-20T18:03:00.000-03:00</published><updated>2005-10-21T13:39:04.776-03:00</updated><title type='text'>três pontosPegadas nas areias da praia em Havana(ou àquela última noite sóbria)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eram seis da manhã. Em casa, já era dia claro, mas não aqui. A penumbra ainda clareava enquanto a neblina desfazia a madrugada. Eu sentia o frio ressecar os meus lábios e encobrir minha pele enquanto tentava lembrar de um horizonte limpo e suave. De sensações que ainda arrefeciam as dores do meu corpo cansado. Dos raios de sol que surgiam por entre as dunas, refletiam no mar e tocavam meu rosto. Da brisa forte, sempre precisa, que levantava a areia e jogava-me os cabelos à face. Da maresia que embaçava meus olhares confusos. Das noites de intensos apelos, regadas a vinho barato, ao som de músicas que ninguém ouvia. Das frases feitas e roubadas. Dos acordes de guitarra acompanhados por vozes roucas de cerveja. Da forma como a minha natureza dissonante entrava em harmonia com aquela paisagem de vidas destoantes aglomeradas em perfeitos tons de cinza. É assim que revejo cada traço do caminho. Cada decisão que, ponto a ponto, me trouxeram até aqui. E em meio às linhas mais tortas, ergo uma taça do mesmo vinho que não bebemos naquela noite de fevereiro, cujo gosto ainda seca em minha garganta como se o fora, descendo pelo esôfago e subindo à cabeça junto à certeza de que, naquele momento, minha vida mudava para sempre. E ela nunca mais foi a mesma. Bebamos então desta taça e façamos um brinde. Àquela última noite sóbria. Aos encontros e desencontros, retornos e despedidas. Àquela primeira partida de basquete. Àquela primeira mesa de bar, e a todas as outras. À primeira provocação respondida, e à primeira não respondida também. Ao primeiro soar das cordas de uma guitarra. Àquele primeiro feriado de pés descalços sobre as areias quentes de havana. Esta noite eu proponho: a vocês, mais um brinde; e ao amanhã, um belo e sonoro ‘foda-se’ bem pronunciado. Porque a amizade é para sempre, mas a vida é apenas agora... &lt;em&gt;carpe diem&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-112344867594502377?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/112344867594502377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/112344867594502377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/07/trs-pontospegadas-nas-areias-da-praia.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Pegadas nas areias da praia em Havana&lt;font size=&quot;-1&quot;&gt;&lt;br&gt;(ou àquela última noite sóbria)&lt;/font&gt;'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111923213351628359</id><published>2005-06-20T14:00:00.000-03:00</published><updated>2005-06-19T22:52:58.610-03:00</updated><title type='text'>três pontosisland dreams</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;em&gt;"Gosto dos homens que têm um futuro e das mulheres que têm um passado."&lt;/em&gt; (&lt;strong&gt;Oscar Wilde&lt;/strong&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cautelosamente pousando meus últimos passos por entre os corredores escuros e encharcados de memórias de tantos que por ali já passaram e aprenderam e cresceram e viveram. Revejo a saga de que fiz parte e bebo deste orgulho que transborda por entre as brechas de cada porta. Deixo meu nome na parede da ante-sala e sigo pelo deleite das lembranças que circulam por entre as minhas artérias. De ter feito parte de algo tão grande e de ter colhido os frutos deste caminho tão duro. Do tempo em que estive misturado entre todos aqueles que já vieram e por aqui já deixaram um pedaço de si. Levando consigo uma fração de todas as parcelas que aqui se somaram em forma de grande fim. Partes da “elite intelectual deste país” tão pouco nobre. Extraídas das palavras daquele homem que tanto tentamos, mas nunca compreendemos por completo. Que, tal qual um pontífice, agrega seus súditos com fé em torno de si. Que ergueu seu império a custa de muito suor e o rege hoje, do alto de toda a sua excentricidade de maestro que se sobressai aos aplausos dirigidos a sua orquestra tão bem montada e ensaiada, com polidez e sapiência dignas da sua nobreza. Que mantém viva e transpirando a sua paixão pelo trabalho e pelo engrandecimento de sua nação. Fazendo-se mistério e inspiração. Inspiração que nos trouxe, tantos, ao redor de uma mesma távola. Cautelosamente percorro uma última vez o caminho que me traz a lembrança antecipada de uma saudade que me acompanhará pelo resto da vida, assim como a influência adquirida que nunca se fará dispersa em minha alma. A saudade dos dias que passaram rapidamente, das finas paredes de compensado, das conversas e companhias tão diversas e, ao mesmo tempo, tão semelhantes. Do som das máquinas que se mantinham ligadas desde primeiro raio da aurora até os últimos momentos de cada crepúsculo. Invadindo muitas vezes a solidão de noites frias de inverno e o silêncio das madrugadas de trabalho que pareciam não ter fim. Tentando sempre prever os caminhos da natureza e logrando tanto sucesso em suas operações infindáveis a ponto de nos instigar a coragem de enfrentar os desafios de mais difícil compreensão. Das ruas que desenhavam cada contorno desta cidade. Das extremidades paradisíacas. Das festas, dos lugares, das pessoas, dos olhares. Tão diferentes do meu. Da nova percepção de mundo que me acompanhará daqui pra frente. Da ilha que hoje estende seus limites aos continentes em torno do globo através de nós. Aprendizes, arautos e filhos bastardos do conhecimento. É chegada a hora de partir em busca do que somos e de tudo aquilo que um dia seremos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111923213351628359?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111923213351628359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111923213351628359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/06/trs-pontosisland-dreams.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;island dreams'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111876791129699616</id><published>2005-06-14T13:46:00.000-03:00</published><updated>2005-06-14T13:55:55.200-03:00</updated><title type='text'>espelhosPrisões sem Muros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sabia que daquela noite não passava. Esperara por tal momento há meses. Queria muito estar ali, entre eles, convivendo e vivendo plenamente. Era a declaração de independência psicológica que tanto aguardava. Disse aos pais que estaria em um grupo de estudos. Que virariam a noite, se necessário, até cumprir todo o conteúdo. Mentiu. Pela primeira vez. Dentro do carro teve ânsia de vômito, mas segurou a onda e não deixou ninguém perceber. Era uma pessoa adulta, madura e dona de si. Não poderia se deixar ver aos vômitos daquela forma. Passado o mal estar, veio a eufórica ansiedade pela noite que lhe aguardava. Apesar de toda a vontade, até então contida, de ser diferente, de ingressar naquele mundo, de se sentir livre de verdade e de sentir-se, enfim, de posse do seu próprio nariz, era impossível não sentir medo em tais circunstâncias. Era impossível libertar-se por completo daquele receio de que tudo desse errado, fatidicamente errado ou até tragicamente errado. O medo de ter suas ações descobertas. Queria sentir-se livre, mas tinha consciência de que não o seria de verdade. Que no fundo, teria de manter a imagem daquele modo de vida regrado, responsável e ainda infantil. Seus 14 anos recém completos não lhe faziam romper a barreira da adolescência diretamente para a condição adulta. Embora assim o acreditasse, no fundo, sabia que não. Dali por diante sua vida seria isso, pura pose. Uma vida dupla e marginal. Fingir para a família que mantinha sua castidade, puerilidade, responsabilidade de criança estudiosa e aplicada, com um belo futuro à vista. E fingir para os seus amigos que se sentia absolutamente à vontade naquele meio, entre aquelas pessoas, em todos aqueles ambientes e situações. Apresentar-se frágil para uns e forte para outros. Mesmo sendo bem pouco do primeiro e quase nada do segundo. Dali para frente passava a guardar em si duas identidades, ambas falsas. Duas vidas de mentira. Durante o dia, esconder as marcas de furos, os brincos, os &lt;em&gt;piercings&lt;/em&gt;, as carteiras de cigarro e os odores trazidos consigo da noite. E à noite, esconder os livros, as roupas claras de grife chique e os poucos brinquedos que ainda faziam parte de seu cotidiano. Atravessava ali a fronteira e sabia não poder tomar o caminho de volta. Mas continuou assim mesmo. Morrendo de pavor e enchendo-se de teimosia. Em meio a &lt;em&gt;drinks&lt;/em&gt; exóticos e conversas que pouco compreendia, sentiu o frio na barriga quando percebeu que era chegada a hora. O clímax definitivo daquela noite de aventuras perigosas. Dos saquinhos se perfilavam aquelas fileiras brancas e todos começavam a por os pequenos canudos nas narinas e partir rumo a suas torpes viagens. As agulhas ficariam para outro dia. Um passo de cada vez. Ela respirou fundo e foi em frente. Sabendo que daquele dia em diante sua vida jamais seria a mesma. Embora chegasse ali em busca da alforria de sua antiga condição, embarcava numa nova prisão na qual se veria imersa sem desejos de libertar-se. Até hoje...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;em&gt;* Trecho de &lt;/em&gt;Espelhos&lt;em&gt;, título provisório de um romance ainda incompleto by&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Che&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111876791129699616?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111876791129699616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111876791129699616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/06/espelhosprises-sem-muros.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;espelhos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Prisões sem Muros'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111831749142491602</id><published>2005-06-09T08:42:00.000-03:00</published><updated>2005-06-10T12:46:06.930-03:00</updated><title type='text'>três pontosZumbis</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;&lt;em&gt;what’s in your head? in your head…&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquela tarde fria de sábado volta à minha memória toda a vez que me recordo de você. Assim como tantas outras passagens de nossa vida que foram compartilhadas com tanta afeição. Você de braços abertos e ombro amigo, sempre a disposição nas horas mais difíceis. Com sua sagacidade marota me desafiando sempre a ser cada vez melhor em tudo. Cuidando e sendo cuidada por mim. Nossa amizade de respostas incompletas, mas nunca de meias palavras, que hoje, à distância, me falta mais do que nunca. Aquela tarde se mantém presente como um marco de confiança e entrosamento. Você do seu lado da linha, com sua voz aveludada de contornos frágeis no falar e tão sensualmente encorpada no cantar, e eu do lado de cá, com minha pouca experiência, dando corpo àquele momento de surrealismo moderno ao soar das cordas de minha guitarra que me conduzia a acompanhá-la numa canção nunca antes tocada por mim. Um arranjo de rara beleza modulado pelas parvas freqüências audíveis da rede telefônica. Ensaio acústico sem estúdio. &lt;em&gt;Outdoor&lt;/em&gt;. Rico no experimentalismo da nossa liberdade poética. Éramos nós, abraçados num enlace de fibra óptica. Instantâneos insólitos, inesperados e inesquecíveis. Inesquecíveis como a sua voz de poder imensurável no tocar em meu peito. Como você, minha irmã, minha filha, minha mãe, companheira. Minha amiga de todas as aventuras fantasiosas que parte e me deixa esse liquidante rastro de saudade. A você, agora, dedico esta canção, que hoje eu canto pela segunda vez.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;em&gt;“another head hangs lowly...”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111831749142491602?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111831749142491602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111831749142491602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/06/trs-pontoszumbis.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Zumbis'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111790327013082350</id><published>2005-06-03T13:39:00.000-03:00</published><updated>2006-08-03T13:22:15.886-03:00</updated><title type='text'>curtasSangue e Fritas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tomara banho de rosas naquela tarde, cheirava como as próprias. Exalava o seu perfume que se confundia com o das flores pelo jardim. Mas ele só conseguia sentir o odor forte do seu sangue. Um cheiro forte invadia suas narinas e fazia sua língua salivar e sua garganta secar. Seus olhos tremiam de tanto desejo e sua pele ardia. Ele tinha sede. Fitou-a desde a janela da torre com uma firmeza incomparável que a fazia gelar a espinha. Sentiu aquele calafrio descer desde a nuca através do pescoço, ouriçando-lhe os pêlos de todos os membros. Sentiu aquela presença nefasta no despejar de um jato de adrenalina em suas veias, disparando sua freqüência cardíaca e intensificando ainda mais o cheiro que subia de seus poros e o fazia sentir cada vez mais sede. Virou-se subitamente cruzou o olhar da criatura que já brilhava em sua direção com seu poder irresistível. Ela tremeu, mas o frio que lhe descia até o cóccix retornava subitamente como um calor que lhe subia desde a virilha até o pescoço. Caminhou em sua direção, compartilhando de seu desejo, suas fantasias, sua sede. Percorreu a calçada de mármore que a conduzia através do jardim em direção a escada. Subiu degrau por degrau, enquanto já conseguia sentir o peso da sua mão apertar-lhe o pescoço. Ela já o desejava como nunca antes desejara ninguém mais na curta vida que lhe foi permitida viver até aquele momento. Postou-se em frente à porta, esperou-a abrir por completo e adentrou o salão daquela enorme e sombria mansão de paredes tão antigas quanto a própria criatura que habitava aquela fortaleza. Sequer percebeu o peso com que a porta se bateu, sozinha, às suas costas, deslocando com ferocidade o vento que levantava o seu vestido. Desfez os laços no decote e deixou as vestes descerem ao solo, revelando seu corpo esguio de belíssimas formas e textura suave como a seda mais cara de sua época. Caminhou por entre os corredores úmidos do castelo até alcançar as sujas e fétidas masmorras que a levariam aos aposentos do seu predador. A última porta, enfim, se abria. Seus olhos a ofuscavam com um brilho escarlate tão forte quanto o sol. Ela já não via mais nada, já não pensava mais nada, já não sentia mais nada a não ser aquele desejo. Ele aproximou-se de sua nova consorte com profundo deleite e abriu a boca com a ânsia de um faminto, mostrando suas lisas e brilhantes presas, ao passo em que ela erguia a cabeça e deixava cair sobre um ombro os longos cabelos negros, deixando a mostra sua suculenta jugular. Avançou como uma fera sobre sua caça e...*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(escuridão...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eeei!!!&lt;br /&gt;- O que foi isso??&lt;br /&gt;- Faltou luz...&lt;br /&gt;- Que saco!!&lt;br /&gt;- Será que estragou o DVD??&lt;br /&gt;- Se estragar a gente processa a concessionária e fatura uma nota.&lt;br /&gt;- A-hám! Até parece...&lt;br /&gt;- Tá bom...&lt;br /&gt;- E então? O que a gente faz agora?&lt;br /&gt;- hmmm...&lt;br /&gt;- O quê??&lt;br /&gt;- Eu posso te levar pra cama, morder seu pescoço, sugar todo o seu sangue até fazer de você minha escrava sexual, para realizar todos os meus desejos... que tal?!&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;- Pega ali uma vela na cozinha, por favor.&lt;br /&gt;- ... tá, já tô indo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111790327013082350?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111790327013082350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111790327013082350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/06/curtassangue-e-fritas.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;curtas&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Sangue e Fritas'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111703386169349339</id><published>2005-05-25T12:03:00.000-03:00</published><updated>2005-05-25T12:11:01.696-03:00</updated><title type='text'>angel of silence: um anodisritmia melódica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tento parecer inteiro, mas tudo o que tenho são partes randômicas de uma melodia com tons e compassos variados e desconexos vibrando em meus tímpanos e atormentando meu cérebro. Quando caio no abismo deixado entre minhas próprias palavras não encontro mais elementos para me reagrupar e voltar a ser único. Indivisível. Tento insistentemente ser palpável, mas perco-me sempre no vago arquétipo de ser abstrato em meio a um aglomerado caótico de elementos disrítmicos, incompreensíveis como um todo e subjetivos um a um. A subserviência de minhas frases se desfaz quando ensaio uma leve imersão em ambiente coeso e o silêncio absorve meus olhos. Os rastros na areia de minhas múltiplas personalidades trafegam em rumos distintos como se repelindo uns aos outros, deixando sozinhas as pegadas de um eu confuso e tolo que se perde num caminho sem destino, levado por um impetuoso devaneio impreciso de desejo por nada. O silêncio e o nada são absolutos em sua inexistência. Absorto em idéias que não se completam, espalho-me ao seguir do vento pela incapacidade de ser contido em essência por um corpo desfragmentado e disforme. Meu ser se derrama fluido pelos esgotos fétidos de uma mente insana e se amontoa em um canto asséptico buscando uma vez mais assimilar uma forma que não seja sua, mas seja sólida. Subjetivo em consciência, abstrato em essência. Furta-cor inodoro irreal invisível insolúvel insensível inepto. Planejo enredos e destinos. Concebo personagens e figurantes. Projeto edifícios e construo cidades. Desenho uma vida em palavras esferograficamente precisas e resvalo num ponto de fuga qualquer, tecendo meus traços e escondendo a mim mesmo. Criatura abjeta e atormentada. Elemento infantil de inocência maculada. Acorde menor de escala atônica incompreensível. Adolescente impassível convalescente de incoerência e subjetividade abarrotado de boas intenções. Quase sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111703386169349339?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111703386169349339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111703386169349339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/05/angel-of-silence-um-anodisritmia.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;angel of silence: um ano&lt;/font&gt;&lt;br&gt;disritmia melódica'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111687246389715075</id><published>2005-05-23T15:16:00.000-03:00</published><updated>2005-05-23T15:21:03.903-03:00</updated><title type='text'>três pontosmudanças</title><content type='html'>Quase apegado às novas formas que meu cotidiano tomou, tento me concentrar num caminho ainda infindo e me manter seguindo em frente. Rumo ao futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase que completamente desapegado à vida que já me pertenceu, que ainda espera o meu retorno, mas duvida muito disso, tento esconder minha ansiedade pela oportunidade de voltar atrás. Rumo ao passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase cansado das séries de repetições e reavaliações a que tenho sempre me submetido, tento me concentrar sempre no que ainda há para ser apreendido, e me desespero com a idéia de já ter esgotado todas as novidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase decidido a tomar um novo caminho, tecer uma nova teia e buscar novos horizontes. Busco saciar a minha sede, a minha fome, o meu desejo por mais. Seguir novos rumos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase livre do gosto amargo das feridas já fechadas, das mensagens enviadas, das verdades digeridas, re-avalio a possibilidade de voltar a ser quem eu era, mas sem perder de vista quem eu sou. Recuperar a velha ótica sem perder a nova visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase curado do receio, do medo, dos dogmas, livre das fronteiras e cercas de meu velho mundo, sigo em minha jornada. Crio meu novo universo a partir de CDs antigos e filmes clássicos. Projeto um novo planeta em guardanapos descartáveis e me transporto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo viagem.&lt;br /&gt;Navego esse mar de vinho tinto.&lt;br /&gt;Rumo ao desconhecido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111687246389715075?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111687246389715075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111687246389715075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/05/trs-pontosmudanas.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;mudanças'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111616035241658766</id><published>2005-05-14T11:15:00.000-03:00</published><updated>2005-05-15T10:21:53.670-03:00</updated><title type='text'>lutoLast Tears</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;&lt;em&gt;May God bless the King...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Queria estar ao seu lado agora para segurar sua mão e amparar esse momento tão difícil, assim como você amparou tantas das minhas tristezas e certamente ampararia mais esta se pudesse. Queria ajudá-lo a caminhar quando suas pernas perderam a força, assim como você ajudou-me a dar os primeiros passos quando eu ainda nem tinha forças nas minhas. Queria ver o seu último sorriso escapar de seus lábios cansados, assim como você viu aquele primeiro sorriso que arrancou-me com suas brincadeiras tão singelas e tantos outros que me deu realizando os meus sonhos infantis. Queria ter beijado o seu rosto e enxugado a sua última lágrima, assim como tantas vezes você me beijou e enxugou tantas das minhas lágrimas com seu carinho, cuidado e aquela atenção que somente você poderia me dar. Queria ter estado presente quando seus olhos secaram e o último suspiro deixou o seu corpo, assim como você esteve lá quando eu respirei sozinho pela primeira vez e a dor de conhecer um novo mundo me fez soltar o mais inocente dos choros. Queria ter estado ao seu lado quando a luz se apagou para os seus olhos assim como você esteve presente para vê-la invadir os meus desde os primeiros dias. Mas o que eu queria mesmo agora era estar ao lado de todos aqueles que o amam e poder abraçá-los e dividir essa dor que você não pode mais abrandar com seu sorriso de olhar meigo e sincero. Queria ter estado com você nesses dias em que não estive e, quem sabe, sem essa culpa de não tê-lo feito, essa dor não parecesse tão amarga quanto parece a essa distância. Queria encontrar o chão sob os meus pés para poder caminhar até você lhe dizer o quanto o amo. Queria ter tido tempo para dizer-lhe isso mais uma vez. Mas agora me diz você o que é que eu posso fazer para tirar do meu peito essa dor e essa culpa que vai me acompanhar por todos os meus dias, que só agora me dei conta, são finitos. E me diz por que, ironicamente hoje, o dia está tão lindo, e da minha janela dá pra ver uma antena de TV. Pois esse azul no céu sem nuvens parece tão mais triste e melancólico do que é a vida de costume. É sufocante imaginar que um novo dia raiou e você não mais está aqui para vê-lo, ou senti-lo. E eu não sei o que dizer, nem mesmo o que fazer. Pois embora as objetivas estejam sempre denunciando o quanto de mim é puro reflexo seu, eu não consigo pensar em como pode ser, daqui pra frente, a vida sem você. Tenho certeza, os céus se abriram para recebê-lo. E eu só agradeço por ser o que sou e prometo fazer bom uso de tudo o que me ensinou. Eu serei sempre forte, pois guardo o seu orgulho comigo. Talvez a minha pouca fé não me dê alicerces para me restabelecer tão rápido quanto deveria, mas ainda assim eu grito: “que Deus abençoe e guarde o Rei”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111616035241658766?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111616035241658766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111616035241658766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/05/lutolast-tears.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;luto&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Last Tears'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111590198890498930</id><published>2005-05-12T09:42:00.000-03:00</published><updated>2005-05-12T09:46:28.910-03:00</updated><title type='text'>três pontosRitual de Passagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma sensação de vazio avassaladora te absorvendo desde as raízes dos cabelos até as unhas dos pés, passando por cada vértebra da coluna, desligando as conexões do sistema motor. Mãos geladas, suadas e tremulas, assim como as pernas e demais partes do seu corpo. Uma sede que te consome de repente, que você vai tentando matar com essa saliva insossa e seca, mas não consegue. Vontade de fugir, de correr, de sumir, de se esconder. Um fosso sem fundo, negro, úmido e frio sob seus pés. Falta de chão, de teto, mas não de paredes. Paredes que te apertam, que se fecham sobre você sem deixar espaço para se locomover, sem deixar espaço para se mexer, sem deixar ar para se respirar, sem deixar corpo para se sentir. Vão apertando, apertando, apertando. Primeiro seu corpo, depois sua cabeça, sua alma em seguida, depois o seu peito e por fim, seu coração sendo feito mínimo, parado, assustado. Apertado e parecendo que vai desaparecer ali dentro de seu tórax dolorido. Uma dor sufocante que parece imortal. Uma dor dilacerante que parece insuportável. Uma sensação de impotência, incapacidade de mudar os fatos, de transformar a realidade. Uma vontade gritante de retroceder no tempo e alterar a sorte. Uma culpa inafiançável de não ter feito, de não ter dito, de não ter pedido, de não ter sorrido, de não ter abraçado, de não ter vivido. Um desejo incontrolável de caminhar para traz e agir diferente, de pedir desculpas, de dizer que sente, de dizer que gosta, que admira, que confia, respeita, ama. De dizer que vai sentir muita falta. Um eco ressonando em seu tímpano como um badalo de um sino enorme que repete cada palavra dita insistentemente para um interlocutor que não se faz presente. As palavras indo e voltando com força, como se precisassem ser ouvidas, como se precisassem ser digeridas e como se fossem ecoar para sempre no silêncio das respostas que não são mais dadas. Um sentimento de perda que parece que nunca será superado, porque realmente nunca o será. Uma ausência que se fará sentir constantemente até um sempre que só terá fim quando finados forem também os seus dias. Um desalento e um desconsolo simétricos a todos os afluentes do seu corpo que quer se contorcer diante da luz de um novo dia que agora só chega para você. Uma tristeza inconsolável e uma angústia inconformada com a imutabilidade dos fatos. Com a irreversibilidade daquele destino. Uma necessidade incompreensível de se despedir de alguém que já se foi e já não pode mais ouvi-lo. Que já partiu e nunca mais irá voltar. Um olhar choroso, acompanhando cada passo do trajeto definitivo daquele corpo que podia ir aonde quisesse, mas que agora jaz vazio e inerte com uma expressão incolor e difusa. Uma receita de simbolismos que não ajudam a arrefecer o abalo provocado por um evento que te pega sempre de surpresa, por mais que se esteja a sua espera. Um último adeus sem resposta. Uma necessidade de levantar a cabeça e seguir em frente mesmo que lhe falte um pedaço do corpo, mesmo que haja uma ferida que parece que nunca vai cicatrizar, mas que você sabe que um dia cicatriza. Mesmo que seja imprescindível, poupar da luminosidade do dia os olhos pálidos e o corpo cansado, escondidos por traz de lentes e vestes negras. E por fim, a certeza de que as coisas retornam sempre ao normal, mesmo que seja uma nova normalidade completamente diferente. É a vida que segue em seu curso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111590198890498930?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111590198890498930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111590198890498930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/05/trs-pontosritual-de-passagem.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Ritual de Passagem'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111574222508408801</id><published>2005-05-10T13:00:00.000-03:00</published><updated>2005-05-10T13:23:45.106-03:00</updated><title type='text'>três pontosEsquiz(it)ofrenia</title><content type='html'>Ouço vozes por trás da porta que me dizem para ser mais maleável, que o meu agir sempre correto pode não ser assim tão correto ou que deveria ser menos ágil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço vozes que vêm da parede que me alertam para desconfiar de tudo e de todos, fechando espaços vagos em posições estratégicas que propiciam ataques traiçoeiros e oportunistas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço vozes embaixo da cama que se propagam pelos cantos do quarto me impelindo a levantar e correr mundo a fora em busca de um lugar seguro ou simplesmente ao encontro de diversão, doses e overdoses de formas estranhas de diversão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vozes ecoam pelo banheiro e lambem meus ouvidos de forma causticante e libertina, me pedindo amor, me pedindo dor, me pedindo ações e reações, me propondo tudo aquilo que me disponho a não ser e fazer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço vozes de dentro do armário, elas me repreendem de maneira impiedosa, me pedindo que seja mais severo com os outros e menos comigo mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço vozes dentro de um copo d’água que me exigem atenção, que querem ser ouvidas, atendidas e não contestadas ou ignoradas, querem de mim a mim mesmo e tudo o que sou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço as vozes que me vêm do peito que me dizem quem não sou, sem nunca esclarecer aquilo que realmente sou, criatura de hábitos estranhos e estranha forma de observar o mundo à sua volta, com olhos críticos e implacáveis, lotado de idéias pré-concebidas e imutáveis acerca de tudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço todas as vozes, mas não as atendo, são como torneiras pingando a noite pedindo para seguir a gravidade. Não tomo atitudes, me contenho...&lt;br /&gt;Sou esquizofrênico consciente, finjo que não me escuto e faço-me parecer normal&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111574222508408801?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111574222508408801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111574222508408801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/05/trs-pontosesquizitofrenia.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Esquiz(it)ofrenia'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111539379331312314</id><published>2005-05-06T12:35:00.000-03:00</published><updated>2005-05-06T12:44:40.656-03:00</updated><title type='text'>divagar imprecisoEu, primeira pessoa do plural</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Anos a fio fugindo de modelos, quebrando paradigmas e ainda assim buscando aceitação apesar de toda a teimosia. Após a constatação da invariável rejeição social por tudo aquilo que não se molda aos padrões, o abater da desistência se instalou em definitivo. Obter aceitação de um mundo capitalista sócio-classista preconceituoso e egoísta não me fará gozar em momento algum. Então foda-se. Eu não preciso ser normal. Não quero ser normal. Não tenciono enquadrar-me em protótipos pré-moldados de grupos e tribos urbanas com seus rituais e vestimentas típicas nem pretendo agregar elementos externos a minhas diversas naturezas para fazer pose. Nunca fiz parte de gangues juvenis com seus gritos de rebeldia desfocada e sua antimoda &lt;em&gt;fake-underground&lt;/em&gt; em casca, mas capitalista em essência, e também nunca me encaixei nos bueiros high-societies burgueses com seus arquétipos de educação, falas pré-aprovadas, encontros pré-marcados, gestos pré-decorados e sorrisos decorativos. Odeio gente chique – eu não uso sapatos! E prefiro parecer estranho a ser considerado normal. Sou obscuro, obtuso, obsceno, atrevido, hiper-ativo, insolente. Misterioso, mas sincero. Translúcido, embora resguardado. Borbulhante de opiniões, com atitude contida, mas incisiva. Reluto contra os preconceitos que insistem em entrincheirarem-se em meu tutano, mas mantenho idéias pré-concebidas e discuto em contestação. Escritor anônimo, profissional autônomo. Autômato. Liberal e libertário, mas não liberto. Lutando para ser livre. Provar pra todo mundo que não preciso provar mais nada pra ninguém. Nada além do que já foi provado. E conquistar cada vez maior espaço. Disseminando minha verve fulgurante e explodindo a minha dissonância ao sabor dos ventos, agregando-me às mentes abertas. Mesclando idéias e conceitos por força da maleabilidade poética. Característica supravital da poesia, que é modelada na visão de quem a escreve para encaixar-se na vida de quem a lê. Pluralidade intelectual interpretativa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111539379331312314?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111539379331312314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111539379331312314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/05/divagar-imprecisoeu-primeira-pessoa-do.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;divagar impreciso&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Eu, primeira pessoa do plural'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111391182517121046</id><published>2005-04-19T08:56:00.000-03:00</published><updated>2005-04-19T08:57:05.173-03:00</updated><title type='text'>da sérieComédia Romântica</title><content type='html'>– e aí?&lt;br /&gt;– beleza?&lt;br /&gt;– belê! e aí?&lt;br /&gt;– e aí o quê?&lt;br /&gt;– e aí?!&lt;br /&gt;– o quê porra!?&lt;br /&gt;– como foi?&lt;br /&gt;– como foi o quê?&lt;br /&gt;– ah, você sabe.&lt;br /&gt;– o quê?&lt;br /&gt;– como foi ontem?&lt;br /&gt;– ontem!?&lt;br /&gt;– é, ontem...&lt;br /&gt;– você tá falando do Fábio?&lt;br /&gt;– isso! e aí? como foi?&lt;br /&gt;– como foi o quê? não foi nada, ora.&lt;br /&gt;– não rolou?&lt;br /&gt;– não rolou?! é claro que não!!&lt;br /&gt;– por quê?&lt;br /&gt;– porque não, ora? não tinha nada pra rolar.&lt;br /&gt;– ah, qual é? claro que tinha. todo mundo viu.&lt;br /&gt;– viu nada. a gente tava só conversando. não tem nada a ver... e ele ainda ficou puto e disse que não quer mais falar comigo.&lt;br /&gt;– claro que tem a ver. a gente sabe...&lt;br /&gt;– não tem, porra! desencana! ele é meu amigo.&lt;br /&gt;– e daí?!&lt;br /&gt;– e daí que não tem nada a ver.&lt;br /&gt;– por quê não?!&lt;br /&gt;– porque não. a gente é amigo.&lt;br /&gt;– cara, que viagem é essa? nada a ver...&lt;br /&gt;– nada ver é você ficar abusando aí.&lt;br /&gt;– nada a ver você dar um fora no cara por causa disso.&lt;br /&gt;– ai, que é isso!? não viaja! ele é meu amigo, não rola!&lt;br /&gt;– a Taty também é minha amiga, e daí?!&lt;br /&gt;– ela é sua namorada!!!&lt;br /&gt;– mas é minha amiga também, porra!!&lt;br /&gt;– ah, mas é diferente. não viaja!&lt;br /&gt;– não viaja você, guria!! deixa de ser hipócrita! o Giba também é seu amigo e você nem se importou com isso.&lt;br /&gt;– ei, espera aí, tá!? também é diferente.&lt;br /&gt;– não, não é. você devia deixar de ser hipócrita e falar que não fica com o Fábio porque não acha ele interessante, porque ele é feio ou sei lá o quê, mas não vir com essa desculpinha ridícula.&lt;br /&gt;– não é nada disso, tá!? é só amizade entre a gente, não tem nada a ver e pronto.&lt;br /&gt;– eu odeio essa conversinha idiota, viu!&lt;br /&gt;– que nada, cara. você tá louco... ficar com amigo não tem nada a ver...&lt;br /&gt;– esse papinho é que não tem nada a ver.&lt;br /&gt;– qual é, hein?! você ficaria com uma amiga sua?&lt;br /&gt;– o que tem de mais?&lt;br /&gt;– ah, que é isso? uma pessoa que você conhecesse há anos?&lt;br /&gt;– bom, não é o caso em questão, mas mesmo assim: o que é que tem!?&lt;br /&gt;– putz! nada a ver, viu!&lt;br /&gt;– qual é o problema??&lt;br /&gt;– você ficaria comigo?&lt;br /&gt;– por que não?&lt;br /&gt;– ficaria?&lt;br /&gt;– mas é claro!&lt;br /&gt;– aahh... sai dessa! você tá louco.&lt;br /&gt;– como é que é?!&lt;br /&gt;– eu não ficaria com você.&lt;br /&gt;– não?!&lt;br /&gt;– claro que não. nunca!&lt;br /&gt;– ah é?!&lt;br /&gt;– é sim!&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;– porra, tá massa então...&lt;br /&gt;– hein?!&lt;br /&gt;– nada...&lt;br /&gt;– o que foi?!&lt;br /&gt;– nada, deixa...&lt;br /&gt;– o que foi?!&lt;br /&gt;– nada! esquece. sai. não tô a fim de falar mais nada...&lt;br /&gt;– como é?!&lt;br /&gt;– nada, porra!! não quero falar com você!&lt;br /&gt;– o que foi?! eeeeeeeii!!! não me deixe falando sozinha, saco!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111391182517121046?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111391182517121046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111391182517121046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/04/da-sriecomdia-romntica.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;da série&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Comédia Romântica'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111297944832670494</id><published>2005-04-07T23:54:00.000-03:00</published><updated>2005-04-11T09:24:09.013-03:00</updated><title type='text'>três pontosToque</title><content type='html'>Queria tocar a sua mão delicada&lt;br /&gt;e sentir a maciez perfumada do seu tato.&lt;br /&gt;Queria tocar os seus cabelos&lt;br /&gt;e sentir o perfume que deles exala.&lt;br /&gt;Queria tocar a sua pele alva&lt;br /&gt;e sentir o eriçar suave dos seus pêlos clamando por enrolarem-se aos meus.&lt;br /&gt;Queria tocar o céu da sua boca&lt;br /&gt;e sentir o seu hálito gostoso invadir a minha garganta.&lt;br /&gt;Queria tocar o meu rosto em seu colo&lt;br /&gt;e sentir o frescor de seu feromônio entrincheirar-se pelos meus poros.&lt;br /&gt;Queria tocar a língua em teus seios macios&lt;br /&gt;e deles sorver esta essência que alimenta meu organismo.&lt;br /&gt;Queria tocar a pele de seu pescoço com meus lábios indóceis&lt;br /&gt;e sentir o suor que lhe desce a nuca lavando seu prazer.&lt;br /&gt;Queria tocar o seu prazer com meus lábios&lt;br /&gt;e sentir o seu gosto descer junto às suas secreções enquanto você pede por mais de mim.&lt;br /&gt;Queria tocar o seu corpo&lt;br /&gt;e sentir o calor dos seus hormônios atravessar a minha pele e aquecer o meu peito.&lt;br /&gt;Queria tocar a sua alma&lt;br /&gt;e nela sentir o sabor da sua libido fervendo de tesão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria sim, nossa! Queria muito mesmo.&lt;br /&gt;Queria você. Queria...&lt;br /&gt;Mas isso era quando eu podia respirar...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111297944832670494?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111297944832670494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111297944832670494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/04/trs-pontostoque.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Toque'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111261548750383667</id><published>2005-04-04T06:07:00.000-03:00</published><updated>2005-04-04T08:51:27.503-03:00</updated><title type='text'>três pontos03.04.05</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;um&lt;/span&gt;: covarde não é o homem que sente medo, mas aquele que se deixa paralisar por ele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a espera já terminou, e você continua contando&lt;br /&gt;a maré já baixou, e você continua nadando&lt;br /&gt;o elevador já parou, e você continua subindo&lt;br /&gt;a estrada já acabou, e você continua andando&lt;br /&gt;o poço secou, e você continua cavando&lt;br /&gt;o seu tempo esgotou, mas você continua tentando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;dois&lt;/span&gt;: todo o homem de caráter e personalidade, que acredita naquilo que faz, deixa sempre um legado para os seus netos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a música terminou, mas você continua cantando&lt;br /&gt;a partida acabou, mas você continua jogando&lt;br /&gt;a roleta parou, mas você continua torcendo&lt;br /&gt;as lágrimas secaram, mas você continua chorando&lt;br /&gt;a dor já passou, mas você continua gritando&lt;br /&gt;a guerra já acabou, e você continua lutando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a estória já terminou, mas ainda não teve um fim&lt;br /&gt;a vida continua, mesmo que você teime em continuar me apagando&lt;br /&gt;oito, nove, dez...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111261548750383667?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111261548750383667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111261548750383667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/04/trs-pontos030405.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;03.04.05'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111116079204621122</id><published>2005-03-18T12:41:00.000-03:00</published><updated>2005-03-18T13:08:24.050-03:00</updated><title type='text'>três pontossteps by tears</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Decepção. Sensação de impotência. De inépcia. Torturar-se por ser incapaz de virar as costas para tudo e seguir outro rumo livre da culpa pelo fracasso. Desculpas que não consolam. Teorias que não provam. Suspeitas que não se confirmam. Dúvidas sem respostas. Perguntas que não se calam. Dores que não cansam de gritar, desde o fundo da alma, latejando em seu ouvido interno. Aglomeração de sentimentos confusos e amargos que rasgam as paredes do estômago e sobem até a glote, queimando o esôfago e mastigando o coração que ainda se contorce em busca de um lugar nesse peito apertado. Falta de ânimo, entusiasmo, força, coragem. Medo de continuar falhando, caindo, sentindo, doendo. Vontade de cerrar os olhos e se fechar em casulo. Tal qual uma borboleta que se recusa a voltar a ser lagarta. Esconder-se do mundo em si mesmo e esquecer que a vida passa lá fora, com o girar do planeta, enquanto a estática o domina. Inconformismo e desejo de mudar os sonhos, as pessoas, a vida e você mesmo. Descaso que não se quer fazer presente em meio ao desacreditar na desimportância dos fatos. Lágrimas que não se permitem chorar. E essa vontade inexplicável de abrir os olhos e erguer-se do chão novamente sem receio de voltar a cair quantas vezes forem necessárias. Até se aprender a caminhar sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111116079204621122?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111116079204621122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111116079204621122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/03/trs-pontossteps-by-tears.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;steps by tears'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-111039067102275102</id><published>2005-03-09T15:07:00.000-03:00</published><updated>2005-03-09T20:09:30.960-03:00</updated><title type='text'>contos lúdicosOlímpica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Atenas, aurora do século XXI. Quando adentrou o salão tomado por uma leve penumbra parecia que o próprio Apolo sangrava aquele templo levado por seus &lt;em&gt;grifons&lt;/em&gt; a iluminar o ambiente. Seu brilho magnânimo clamava toda a atenção para si. Com sua beleza escultural conduzida com graciosidade por uma personalidade jovial, feminina e meiga. Graciosa em seu caminhar, aquela deusa parisiense, entidade quase mítica, desfilava pelos corredores tal qual uma imagem viva de Afrodite seguindo em direção à escada. Seus cabelos flutuavam sobre os ombros, tamanha a leveza de um caminhar elegante e, ao mesmo tempo, infantilmente desleixado. Subiu três degraus e em seguida... caiu. Tropeçou e foi ao chão, tomando ainda mais as atenções de todos, sem exceção. Ao levantar-se, aquele sorriso amarelo e envergonhado só amplificou ainda mais sua graça angelical que se espalhava pelos salões. Ergueu a cabeça e retomou seu caminho até tê-lo interrompido por um singelo e atrevido – psiu! De início fingiu não ter ouvido nada e prosseguiu, mas já observando atentamente pelo canto do olho cada pessoa a sua volta, como se querendo descobrir o responsável pela audácia. Psiu! Outra vez. Assim já é demais. Que é hein!? Tamanha surpresa estaria estampada em sua face delicada não fossem os óculos escuros que abaixava lentamente para melhor observar... a estátua. Estaria ela louca? Sabes quão graciosa és, não? Quem? Eu? Sim! Claro. Quem mais seria? Quem mais seria!? Quem mais seria você, ora. Sua expressão estupefata denunciava a confusão de pensamentos que se abatiam sobre si naquele instante. Não podia conceber a idéia, mas estava acontecendo e ela não era louca, pelo menos não que soubesse. Mas o seu interlocutor era mesmo a estátua logo a sua frente. Falou comigo? Sim. Quem mais neste recinto poderia ter-me chamado a atenção? De fato, ela chamava a atenção. Ainda mais agora. Aquela figura de formas bem modeladas, estática em pleno corredor, com seu belo rosto de menina bem postado sobre um escultural corpo de mulher feita, exalando seu perfume de anjo por todos os salões e vãos intermináveis de livros e mais livros, a desprender toda a sua atenção a uma única figura de bronze e mármore sem vida. Enquanto tantos transeuntes ali passavam desejando uma mísera migalha da atenção daquela guria e não recebendo nada. Por que não poderia ela também ser percebida por uma estátua? Tudo bem que a estátua a notasse ali, todo mundo nota, mas daí a conversar com ela... estátuas não falam. O que você quer? Nada. Sou apenas uma estátua, o que mais eu poderia querer a não ser um pouco de conversa? Conversa!? Sim, não quer sentar aqui e conversar comigo? Bem, eu estou com um pouco de pressa e... Não me negue o prazer de tão estimada companhia. Pensou um pouco. Que mal poderia fazer? Conversar não faria mal, muito menos com alguém que não pode se mexer. Sentou e passou toda a tarde conversando. E você vai dizer: mas estátuas não falam. Bem, esta falava, e bastante. Sobre música, esportes, filosofia, história greco-romana e até sobre aflições de menina. Voltou para casa feliz pela tarde agradável que teve. &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Charlote&lt;/span&gt; estava triste naquele dia, sua beleza radiante escondia um coraçãozinho apertado e tristonho. Ela é uma pessoa sensível. Não muito normal, mas quem quer ser normal? É autentica e meiga, mas com personalidade muito forte e isso a faz especial. E o que importa se alguém acha que ela é louca por passar a tarde inteira de papo com uma estátua? Já perdera tanto do seu tempo conhecendo pessoas de verdade que se revelaram mais falsas do que aquela pessoa de mentira...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-111039067102275102?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111039067102275102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/111039067102275102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/03/contos-ldicosolmpica.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;contos lúdicos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Olímpica'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-110945204784582055</id><published>2005-02-25T23:52:00.000-03:00</published><updated>2005-02-26T18:40:47.920-03:00</updated><title type='text'>divagar imprecisovinte e quatro meses</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quanto mais escasso fica o meu tempo, mais rápido passam os dias à minha frente. Rápidos como uma flecha. Secos como um golpe de navalha que vai me abrindo marcas por onde escorre o meu sangue ralo. E num piscar de olhos me vejo cercado por pesadelos de dores, de fracasso, de desamparo. Perdido entre as folhas do calendário que se amontoam ao chão. Entre as páginas de revistas relidas e jornais velhos amassados. Entre as chaves dos apartamentos já deixados. Entre as caixas das mudanças de endereço, de e-mails, de telefones, de amigos. Entre livros e gavetas repletas de papeis rabiscados. Entre as lembranças de uma brisa, de um gole, das ruas e lugares, de pessoas e das marcas que nunca me deixaram. Perdido entre mim e o mundo a minha volta, que parece girar em torno do meu eixo para manter-me sempre amarrado no mesmo lugar. Conto aqueles que já se foram, um a um, seguindo adiante em seu rumo e começo a busca desesperada pelo ponto exato do mapa em que perdi a direção correta, caindo nesse abismo. Deixando-me afundar em meus novos defeitos escondidos, esquecidos e recém redescobertos. Procuro erguer a cabeça e tudo o mais que pesa sobre meus ombros para tentar alcançar a superfície de minha alma degolada pela insegurança que me afunda. Buscando um mínimo de ar que me sustente de pé nessa luta interminável por novos dias e me ajude a atravessar o túnel escuro no qual emergi quando observei os meses passarem e deixei que o tempo me engolisse como uma onda em meio a tempestade, arrastando tudo de concreto que ainda me restava para longe. Tomando o chão onde eu não piso e o teto sob o qual não me abrigo, deixando-me só. No mesmo lugar de sempre. Com meus pensamentos desconexos e as mesmas idéias incompletas que ainda clamam por solução. Permaneço com este espírito que se debate por um movimento do corpo e suplica por uma reação. Rezando para que esses dias logo se vão. E que eu determine o fim dos problemas antes que o fim os termine por mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-110945204784582055?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110945204784582055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110945204784582055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/02/divagar-imprecisovinte-e-quatro-meses.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;divagar impreciso&lt;/font&gt;&lt;br&gt;vinte e quatro meses'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-110865073344222242</id><published>2005-02-17T12:59:00.000-03:00</published><updated>2005-02-17T12:17:44.076-03:00</updated><title type='text'>da sérieComédia Romântica</title><content type='html'>ela disse: “sim.”&lt;br /&gt;ele disse: “talvez...”&lt;br /&gt;ela disse: “agora.”&lt;br /&gt;ele disse: “amanhã de manhã.”&lt;br /&gt;ela disse: “eu tô com fome.”&lt;br /&gt;ele disse: “eu também.”&lt;br /&gt;ela gritou: “puta que pariu!!!”&lt;br /&gt;ele não disse nada...&lt;br /&gt;ela disse: “brócolis.”&lt;br /&gt;ele disse: “mortadela.”&lt;br /&gt;ela disse: “faz isso pra mim?”&lt;br /&gt;ele disse: “tá bom.”&lt;br /&gt;ela ligou a TV para ver a novela.&lt;br /&gt;ele ligou o PC para estudar.&lt;br /&gt;ela disse: “bom dia!!”&lt;br /&gt;ele disse: “hmmmmm...”&lt;br /&gt;ela disse: “boa noite.”&lt;br /&gt;ele disse: “zzzzzzzzzzzz...”&lt;br /&gt;ela disse: “eu tô puta!!”&lt;br /&gt;ele disse: “hã?!”&lt;br /&gt;ela disse: “vem aqui em casa.”&lt;br /&gt;ele disse: “eu tô com sono...”&lt;br /&gt;ela disse: “o que você fez?”&lt;br /&gt;ele disse: “nada.”&lt;br /&gt;ela sentou no computador.&lt;br /&gt;ele deitou na cama e ficou olhando para ela.&lt;br /&gt;ela disse: “como foi o seu dia?”&lt;br /&gt;ele disse: “normal.”&lt;br /&gt;ela disse: “você não me dá atenção!!”&lt;br /&gt;ele disse: “como foi o seu dia?”&lt;br /&gt;ela disse: “vem morar comigo...”&lt;br /&gt;ele sorriu...&lt;br /&gt;ela disse: “o que foi?”&lt;br /&gt;ele disse: “nada.”&lt;br /&gt;ela disse um monte de coisas.&lt;br /&gt;ele disse: “a-hám!”&lt;br /&gt;ela disse: “não.”&lt;br /&gt;ele disse: “por quê?”&lt;br /&gt;ela disse: “eu odeio quando você faz isso.”&lt;br /&gt;ele ligou o winamp para ouvir radiohead.&lt;br /&gt;ela disse: “eu gosto de você.”&lt;br /&gt;ele disse: “eu também te amo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;algumas vezes já temos todas as respostas corretas e ainda&lt;br /&gt;assim continuamos à procura das perguntas erradas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-110865073344222242?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110865073344222242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110865073344222242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/02/da-sriecomdia-romntica.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;da série&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Comédia Romântica'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-110666915161547145</id><published>2005-01-25T13:03:00.000-03:00</published><updated>2005-01-25T13:05:51.616-03:00</updated><title type='text'>três pontosAdrenalina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Apegou-se àquelas falsas teorias como se realmente nelas acreditasse piamente. Como se precisasse urgentemente de algo em que acreditar. Vitalmente. Como quem precisa de ar para respirar. Como se o coração lhe pedisse um empurrão para bater. Incapaz de depositar sua fé em qualquer coisa que lhe dessem de mão beijada. Criou por conta própria aquilo em que sustentaria as vigas de que tanto necessitava para reerguer-se daquela vida miserável e atormentada na qual se deixou cair. Por vicio de ser sempre levado pelo vento, se sentia incapaz de levantar a cabeça sozinho. Agregou em si a tristeza do mundo e creditou a terceiros a visão de um novo caminho para livrar-se da culpa insustentável pelas mazelas de seus dias entregando-as a quem lhe fosse maior. Mergulhou e esqueceu. Quando tentou olhar para trás já não via mais vida, humanidade, força, vontade. Tornou-se escravo de suas criações, sem que estas ao menos tivessem vontade própria. Ficou a mercê da própria covardia. À deriva. Até que fosse enfim resgatado de dentro de seu mundo por alguém externo a suas ilusões e lançado de volta aos tormentos da realidade. Sofreu como supunha ninguém poder suportar. Tremia dos cabelos da nuca às unhas dos pés. Sentia o frio, a dor, a angustia, a falta. Sentia o ar puro penetrar os seus pulmões e rasga-los como se fora recém nascido. Sentia uma dor que desfazia suas esperanças e não conseguia compreender como alguém mais ainda poderia lhe dar alguma confiança. Vivia numa realidade incompleta. Seu mundo estava escondido em algum ponto desconhecido do cérebro, seu corpo não suportava o mundo físico e sua mente não concebia a própria existência. Seguiu sendo metade de si, agregando, pouco a pouco, cada um dos pedaços que havia perdido desde o seu mergulho covarde no próprio esquecimento. Cada parte que reencontrava trazia de volta mais uma parcela de dor e culpa e memórias terríveis que preferia não ter. Era o processo do renascimento, sofrível e necessário, que se prolongaria ainda por um longo tempo. Mas sua vontade ainda estava perdida. Seguiu buscando por aquilo que os outros lhe diziam ainda existir dentro de si, numa caminhada que parecia interminável. Pegou um desvio num escorrego da própria auto-flagelação. Deu de cara com o beco, se viu de frente para o frasco. O vício. Um novo mergulho e seu mundo se refazia. Falso, porém inteiro. Imergiu. Retornava ao esquecimento das dores e pesadelos e alguém mais desistia de si. Para sempre. Quantos mais ainda terão de esquecer?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-110666915161547145?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110666915161547145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110666915161547145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2005/01/trs-pontosadrenalina.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Adrenalina'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-110389099166285727</id><published>2004-12-24T09:21:00.000-03:00</published><updated>2004-12-24T09:23:11.663-03:00</updated><title type='text'>três pontosdrinking tears</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aos dias de luta e euforia com a idéia de ser livre. Aos goles de misturas estranhas e bebidas baratas e sentimentos caros. Aos planos traçados e não concretizados, guardados na gaveta para serem expostos em dias mais amenos, que nos venham limpar o pó das juntas e das mentes nubladas da fatalidade que é a rotina dos adultos. Aos valores agregados em nosso peito. Inquietude, impaciência, incautos desejos e medos. Acumulados desde a mais tenra infância até a menos inocente atitude rebelde da torpe adolescência que nos atropelava com teorias e paixões e desesperos. Despreparo que nos impeliu a trafegar sobre as tênues paredes que uniam corpos e separavam faces distintas dos mesmos sentimentos que já impulsionavam nossos pais e que irão, um dia, fazê-lo por nossos filhos. Aos sonhos de paz, de grandeza, de liberdade, de sucesso, de vivências intermináveis e de muitos ‘algos-mais’ a que nos demos direito. Aos dias que já passaram e àqueles que ainda virão. Ao som das guitarras que rasgavam as madrugadas regadas a cerveja, &lt;em&gt;habitat&lt;/em&gt; nosso de cada vida, e nos conduziam às dimensões confusas em que viviam nossas almas. Às canções construídas a quatro punhos e proferidas a dois verbos, trilha sonora da nossa ascensão disfarçada de decadência. Segredos sagrados guardados nas metáforas em verso e prosa. Às memórias gravadas no magnetismo de amizades e laços que se alargam, mas nunca se desfazem. E à saudade... das biografias que um dia leremos ao sabor de queijos e vinhos gelados. Aos fins de semana ‘best-sellers’, encenados como odes nos palcos deste teatro nostálgico que denominamos vida. Aplausos no agora ao nosso passado de tragédias e comédias infantis. De dramas e aventuras juvenis. De novelas e romances pseudo-maduros. De indecências em arpejos sem censura. Erguendo as taças ao vento e bebendo mais um gole de tudo isso. Mais do mesmo. Relembrando como era divertida a tristeza daqueles dias.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-110389099166285727?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110389099166285727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110389099166285727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/12/trs-pontosdrinking-tears.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;drinking tears'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-110319176298663625</id><published>2004-12-16T07:06:00.000-03:00</published><updated>2004-12-16T07:09:22.986-03:00</updated><title type='text'>três pontosCorpo Estranho, Corpo Íntimo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como se já não fosse o bastante ter invadido a minha vida dessa forma, sem pedir licença, sem bater na porta, sem sequer dar um aviso de “ei, estou aqui”. Você tem ainda a ousadia de se infiltrar em meu corpo desse jeito. Agressiva. Penetrando minha pele, invadindo minha alma, se aconchegando em meio às minhas vísceras e ficando. Sem permissão alguma. Como se já não fosse bastante atrevimento de sua parte implantar-se em meus pensamentos e sonhos você, ainda insatisfeita, tem a cara-de-pau de alocar em minha memória seu cheiro, seu jeito, seu gosto, seu toque. Para, através desses implantes, dominar a minha mente e meu corpo. Meus sentidos, que agora lhe pertencem, não conseguem mais distinguir outros olhos ou texturas de pele que não carreguem o código de suas barras. Garras que me dilaceram e separam as partes a serem digeridas por você. Não sem antes me mastigar, triturando minha carne crua e sangrenta, com suas presas enormes e afiadas. Passou a fazer parte de meu ser para que não pudesse expelir sua essência. Para ser invisível aos meus anticorpos e poder circular livremente pelas minhas veias, rasgando-as por dentro e me trazendo essa dor disfarçada de prazer. Como o efeito de uma heroína barata que gera êxtase e depois pavor. Alojou-se em meus pulmões como um edema. Lembrando-me insistentemente, a cada compasso de minha respiração, de sua torpe existência. Cresceu descontroladamente em algum ponto obscuro de meu ser como um tumor maligno, mas não invencível. Tornou-se parte de um passado tragicômico-dramático sem que fosse fatidicamente enterrada junto a ele. Tornou-me hospedeiro de um mal inesgotável que absorve minhas idéias e controla minhas forças ao seu bel prazer. Tornou-se vítima de seu próprio veneno quando passou a depender de mim, meu sangue, minha carne, meu organismo inteiro para suprir sua vida e manter sua sobriedade. Tornou-me vilão de minha própria história, antagonista de alma branca manchada de negro e vinho. Você e seu efeito sobre minha pele. De onde vou expulsá-la sem pesar, sem dó, sem medo de voltar a viver... só. Será extraída como um câncer, antes que me corrompa por completo. Arrancada de meu ser. Nem que pra isso precise perder uma parte de mim mesmo. Um pedaço podre de uma maçã destruída por um vil e asqueroso verme. Um pedaço que você consumiu o quanto pode para continuar vivendo. Um pedaço de carne morta que habita meu corpo e apodrece a minha alma. Um pedaço com o seu nome, Yin de meu Yang. Equilíbrio de forças que será quebrado para que eu renasça das suas cinzas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-110319176298663625?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110319176298663625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110319176298663625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/12/trs-pontoscorpo-estranho-corpo-ntimo.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Corpo Estranho, Corpo Íntimo'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-110262082225085520</id><published>2004-12-09T16:31:00.000-03:00</published><updated>2004-12-09T16:33:42.250-03:00</updated><title type='text'>três pontosVaso de Mármore</title><content type='html'>Que parte de mim deixou de viver quando você virou-me as costas e seguiu em frente jurando que jamais olharia para trás?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que parte de minh’alma, outrora dissecada pelo seu olhar e agora incrédula com o seu cinismo, se enegreceu e virou pó entre meus dedos trêmulos quando você estuprou a minha mente para deixar marcas tão profundas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que parte de minhas funções vitais ficou comprometida com a sua ausência? Que parte de meu cérebro tenta hoje se refazer? Reorganizando as sinapses para tentar reaver os destroços de minha mente que você levou consigo, deixando apenas memórias amareladas gravadas num CD quebrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que parte de meu corpo me restou se tudo o que me pertencia era seu? Em verso, em prosa, em poesia. Em sede, em fome, em dor. Em prazer, em ódio, em amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que parte de meu ‘eu’, confuso e casto, você levou consigo? Deixando-me apenas uma sombra de mim mesmo. Sombra sem luz, sem sol, sem forma e cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que parte de mim foi embora com você? Que parte hoje me falta? Que espaço vazio é esse, sem referência, sem pista, sem uma lembrança qualquer do que já tenha sido, que ocupa meu superego enfermo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando a esmo em busca do que eu sou.&lt;br /&gt;Juntando os &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;cacos&lt;/span&gt; de meu ser que você deixou jogados pelo chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que parte de mim era você?&lt;br /&gt;Que ocupava este espaço hoje vazio, frio e inóspito que me preenche de nada.&lt;br /&gt;Que me transforma disforme.&lt;br /&gt;Que me consome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que havia de mim neste canto hoje tomado pelo vácuo?&lt;br /&gt;Ausência absoluta de tudo&lt;br /&gt;ou nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque se um dia você me foi tudo,&lt;br /&gt;Hoje, sem que você exista, até o nada já deixou de fazer sentido.&lt;br /&gt;A não ser pela total inexistência de qualquer coisa que seja,&lt;br /&gt;no caso você.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-110262082225085520?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110262082225085520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110262082225085520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/12/trs-pontosvaso-de-mrmore.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Vaso de Mármore'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-110172459676001833</id><published>2004-11-29T07:33:00.000-03:00</published><updated>2004-12-01T19:25:13.016-03:00</updated><title type='text'>três x quatroin natura</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;não tenho nenhuma opinião para emitir. faço agente passivo nesse contexto. o que você quiser para mim está bom. nunca vou entender todo o esforço e as horas que desperdiça de frente para esse espelho. olhando, olhando, provando, testando, vestindo, despindo, arrumando, desgostando, mudando e voltando sempre para os mesmos e simples modelos. tanto trabalho que se perde no meu olhar desatento. não, eu não sou desligado. notei a sua presença tão logo ela se fez sentir no recinto e desde então não deixo de olhar para cada detalhe de seu rosto. de admirar sua atitude, sua personalidade, sua meiguice, sua bondade, sua beleza, suas peculiaridades. talvez aluado, mas nada pertinente. se não percebo, por um lado, a tão bem cuidada maquiagem, o novo penteado, as novas roupas, os novos sapatos, noto, rapidamente, o entusiasmo que transparece em seu semblante a cada novidade. não vejo porque isso deva incomodá-la. um dia terá de aprender que a mim não importa o rótulo e a embalagem, mas apenas a qualidade do produto. e que culpa eu tenho de não ser fútil? não gosto do fútil. até aceito o supérfluo, mas o fútil jamais. gosto do simples, não do simplório. não só os metidos são chatos, os simplistas também o são. mas pior do que os metidos a besta são aqueles que se acham demais sem ser. como essa maioria machista ignorante que cria paradigmas de futilidades a serem seguidos cegamente. estúpido é o homem que não consegue perceber a real beleza de uma mulher a não ser por intermédio de sua produção. não acho necessário todo o dispêndio de energia no uso de pinturas no rosto, na pele ou nas unhas, nem no acúmulo e escolha de vestidos e sapatos e saltos e acessórios, para ao final lançar sobre mim o mesmo olhar maroto de sempre que é seu, até mesmo quando acorda. eu já disse que você nunca é tão linda quanto quando acorda com esses olhos inchados, o rosto amassado e aquele pijama velho amarrotado. a real figura de uma mulher só se percebe quando ela dorme. sem disfarces. sem produções... eu sei que você pergunta de forma retórica, esperando apenas uma resposta que amacie seus ouvidos, mas não a minha. eu já lhe disse que por mim tanto faz. é difícil de entender? eu sou assim. gosto de mulher ao natural. de rosto limpo e jeito simples. por mim tanto faz o vestido longo ou as horas no cabeleireiro. nem sequer vou notar diferença no brilho de seus olhos, que são sempre os mesmos. eu não prefiro roupa alguma, ou melhor, prefiro até nenhuma. descalça e descabelada melhor ainda. e sem pintura no rosto, de mascaras já me bastam as emocionais que ostentamos todos os dias. eu ainda procuro para mim uma mulher sem mascaras, ao menos comigo, com quem não precise usar as minhas. será tão difícil entender que é assim mesmo que eu sou? que é disso mesmo que eu vivo? do substancial, que nem sempre é palpável... mas, se faz tanta questão da minha opinião, tudo bem... eu acho que, melhor do que tudo, você fica muito bem com essa camiseta branca básica, uma calça jeans e aquele tênis vermelho. e sem maquiagem nenhuma, por favor, eu detesto gosto de batom.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-110172459676001833?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110172459676001833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110172459676001833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/11/trs-x-quatroin-natura.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três x quatro&lt;/font&gt;&lt;br&gt;in natura'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-110124504203661011</id><published>2004-11-23T18:19:00.000-03:00</published><updated>2004-11-23T18:24:02.036-03:00</updated><title type='text'>divagar imprecisoFumaça e Espelhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não olhe para mim com essa cara de peixe morto como que querendo induzir-me pena de sua vida caricata e sem motivos. Você já me tocou em todos os sentimentos a que lhe dei direito e continua querendo mais. Vem pedir-me por mais do que a sua reles personalidade de borracha pode suportar sem começar a perder a forma. Sem começar a ceder. Não quero ouvir mais uma palavra de seus conselhos sem fundamentos, forjados em sua pseudo-experiência e visão de mundo que na verdade você sugou de mim na tentativa de preencher esse enorme vazio que lhe habita por inteiro e essa carcaça frágil e quebradiça que está agora prestes a se desmanchar diante das verdades que lhe digo. Sermões que reverberam na sua cabeça oca, recheada de teorias depositadas por mim, vindo à tona desde o âmago da alma que você nunca teve como se expelidas do seu estomago em meio a vômitos que me devolvem a essência da qual você se alimentou por tanto tempo e que fizeram de você essa criatura de verdades disformes bem aqui na minha frente. Um reflexo mal-formado e sem vida de mim mesmo. Moldado e manipulado à minha vontade para parecer aquilo que não é. Um clone com personalidade escravizada e inteiramente dependente de emoções que não lhe pertencem. Um ser desprezível, cuja existência sempre esteve atrelada ao consumo exagerado de doses e overdoses dos sentimentos que lhe permiti beber até que se tornassem um vício de vital importância a sua sobrevivência. A sua existência se resume a isso. Uma opaca projeção de meus sonhos que resvalam num plano de fundo negro e tomam forma de uma silhueta cinza batizada com o seu nome. Uma criação de minha mente para dar vazão a desejos caóticos escondidos em uma alma tímida e atormentada. Uma válvula. Personagem que se manifesta sob o meu julgo para permitir o resguardo de minha personalidade dividida. Não exija coisa alguma de mim, pois não terá retorno qualquer a não ser aquele que me convir. Não lhe devo nada que não me seja da vontade. Pois, por trás dessa imagem translúcida refletida numa vidraça de onde ao fundo me observa e condena, você não passa disso: uma sombra sem rosto que me sorveu tudo o que pôde, se apossando de minhas verdades para dar forma a suas palavras sem voz própria. Eu assumo o controle agora.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-110124504203661011?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110124504203661011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110124504203661011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/11/divagar-imprecisofumaa-e-espelhos.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;divagar impreciso&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Fumaça e Espelhos'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-110052684850395144</id><published>2004-11-15T10:50:00.000-03:00</published><updated>2004-11-15T10:54:08.503-03:00</updated><title type='text'>divagar imprecisoPhoenix</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;foi por provocação. você do seu lado da linha e eu aqui, conectados via embratel para discutir e divagar acerca da veracidade dos fatos, da realidade da vida que se molda, da sem-vergonhice masculina e dos nossos erros e acertos. costurando alguns pontos soltos na malha que se desmancha como um véu de noiva em noite de núpcias sedenta de desejo e aterrorizada de medo. foi provocação e nós caímos, ambos, na mesma armadilha preparada, desmontada, remontada e desarmada tantas vezes quantas fossem necessárias até que aprendêssemos a lição. suas palavras, que não se faziam presentes há tempos, a não ser impressas em papel ou compostas por tonalidades bem definidas de verde-azul-vermelho projetadas no tubo de imagem do meu monitor, finalmente podiam ser ouvidas de novo. codificadas, digitalizadas, transformadas em microondas, transmitidas por rotas além da atmosfera e decodificadas em meu celular, elas me abriram, enfim, os olhos para verdades há muito não ditas com tanta veemência e convicção, que por vício e comodismo eu havia jogado num canto subconsciente para que não continuassem a me incomodar. e você, de seu canto, falando e falando e imaginando a minha cara de desgosto ao ouvir aquelas frases sem esboçar a mínima reação, não podia perceber o que se passava deste lado do continente, tão distante, dentro de um apartamento pequeno de mobília rarefeita e sem testemunhas oculares. onde num canto esquecido, entre um móvel e duas paredes adjacentes, meus olhos recém abertos puderam perceber uma presença a mais. de dentro de um casulo pequeno e apertado que se abria diante de mim, um elemento extra se fazia surgir. algo que rapidamente tomou-me toda a atenção relegando você ao incomodo e ensurdecedor ruído de estática. a incerta natureza daquilo que eu acabara de descobrir começou se tornar menos turva e cada vez mais significante. num primeiro ímpeto de tocá-lo fui seguro pelo natural receio do desconhecido, que me levou a jogar uma meia suja apanhada do chão para estudar as reações envolvidas. a curiosidade aumentava à medida que me aproximava do objeto escondido naquele canto inóspito, imóvel como a laje de uma cova. vivo não era, pois não se movia. também morto não parecia, pois o cheiro denunciaria. era algo estranho, não vivo e não morto, sendo então, por exclusão, inanimado. mostrando, portanto, que não se tratava de uma presença, mas sim de uma existência a mais. além de mim. além da sua voz. algo em que, seguramente, eu não deveria por a mão sem antes observar com uma lanterna. prossegui minha aproximação enquanto minhas pupilas se dilatavam para permitir a minha retina perceber as formas existentes no interior daquele vulto que se escondia. o sobressalto me veio ao perceber a real natureza da peça que brotava daquele casulo. aquilo... era eu. um eu não vivo e não morto, nem semi-vivo tampouco. um eu inanimado, nunca antes desperto e que jazia ali, aguardando ser trazido à luz. alguém que não era objeto, mas que também nunca antes foi sujeito. novo, puro, casto. estendi meu braço até alcançar aquela figura por trás do armário pesado e, quando toquei sua face, pude sentir a vida que escoava pelos meus dedos e pernas e cabelos e descia até os pés como água no ralo do chuveiro e me deixava, enquanto a luz que penetrava minhas córneas se apagava como um sopro numa vela. deixei o telefone cair no chão ao desabar do meu corpo sem vida e a célula que me ligava a você via satélite perdeu a conexão. o aparelho foi apanhado por alguém nascido ali, sem testemunhas, sem batismo, sem choro. e o seu telefone permanece gravado como uma chamada ainda a ser completada. até que um dia você receba uma nova ligação deste número, não mais realizada por mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-110052684850395144?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110052684850395144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/110052684850395144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/11/divagar-imprecisophoenix.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;divagar impreciso&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Phoenix'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-109974695819232285</id><published>2004-11-06T10:13:00.000-03:00</published><updated>2004-11-06T10:15:58.193-03:00</updated><title type='text'>três pontosConjuntiva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A última parte de minha personalidade que se perdeu em meio aos vasos sanguíneos que irrigam meu cérebro preguiçoso levou consigo um pedaço ainda maior desta minha já reduzida vontade de retomar as rédeas do meu corpo e reabastecer os meus sonhos, outrora tão grandes. Meus instintos vão tateando cada pedaço do meu âmago na tentativa infrutífera de encontrar qualquer parte de meu ser que se disponha a abandonar o tutano e emergir à epiderme para recobrar-me a forma. Mas tudo que se pode sentir em meu interior é essa alma retraída e cansada que se recusa a levar os olhos à janela com medo de observar o mundo. Fazendo deste corpo meu cárcere privado. Uma carcaça aparentemente vazia e desprovida de ânimo. Uma máquina inoperante aguardando manutenção. Não há nada que o tempo não cure, mesmo que de forma falha e deformada. Busco, num último suspiro consciente, atravessar a porta que separa os corredores úmidos de minha mente, obscurecida pelas teorias incautas e incompletas que ainda teimam em ecoar por entre os vãos de minhas vísceras, enquanto às mesmas se liquefazem em pavor, até alcançar a luz opaca que incide do outro lado. Erguer a cabeça e fitar o olhar vermelho no espelho até convencê-lo, da forma mais incisiva que estiver ao meu alcance, de que ele não passa de uma grande fraude. Para enfim voltar a dormir e, com a mente despoluída de minha própria maldade, esperar para abrir os olhos quando as paredes brancas do meu quarto não mais me ofuscarem com esse brilho escarlate.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-109974695819232285?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109974695819232285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109974695819232285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/11/trs-pontosconjuntiva.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Conjuntiva'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-109944019458128999</id><published>2004-11-02T20:56:00.000-03:00</published><updated>2004-11-10T13:54:20.413-03:00</updated><title type='text'>na teia da aranhaEndoscopia do anti-social</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;&lt;em&gt;Entregues à efemeridade enquanto o substancialismo parece estar ‘fora de moda’&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sociedade moderna é formada, cada vez mais, por uma massa de indivíduos individualmente isolados em contextos individuais de elementos únicos. O ser um só, sozinho. Esse é o novo meio social em que todos se dispõem a viver. O seu próprio. As sociedades individuais que se relacionam intersocialmente, e não mais socialmente. É cada um na sua e por si. É o império do individualismo não relacionado. É a capitalização neo-liberal dos sentimentos e sonhos e planos e cotidianos. É o não somar para não dividir. É o estar só para ser dono de si. Eucentrismo forjado na covardia sentimental em que fomos embebidos. É essa a evolução natural a qual estamos sendo conduzidos? A qual estamos nos conduzindo? A doutrinação de idéias e conceitos e modelos e padrões. Estética, aparência e futilidades. Isso é tudo. A evolução tecnológica nos faz trabalhar cada vez menos com o corpo e, muitas vezes, menos com a mente também. Andamos mais de carro e menos a pé. Trabalhamos cada vez mais e descansamos cada vez menos. Menos sono, menos lazer, menos tempo para comer. Comemos fast-food cada vez mais e nos cuidamos cada vez menos. Mas como a sociedade é um organismo único, embora cada vez mais dividido em células individuais, ela cria suas próprias realimentações de controle. A doutrina da estética. Adolescentes anoréxicas e bulímicas e jovens lipoaspirados, malhados e anabolizados. É o social agindo sobre o indivíduo. Temos de nos encaixar nos padrões de grupo, mas queremos ser únicos e separados dele. Conflito de interesses? Por que as pessoas se esforçam tanto para serem aceitas nos padrões ao mesmo tempo em que se resguardam nos seus casulos para não se desfragmentarem em relações verdadeiras? É o medo. É a mediocridade das relações modernas. Porque é mais fácil abrir mão do que é fugaz. É mais fácil perder o que não é importante. Então vamos viver o efêmero para não correr o risco de sofrer pelo substancial. Vamos nos isolar para evitar problemas de relacionamentos. Vamos ocupar nosso espaço apenas conosco para mantermo-nos, assim, sempre donos de nós mesmos. Vamos ser únicos. Cada um na sua, cada um por si. Não somar alegrias para não ter de dividir as tristezas. Vamos ser superficiais para não enfrentar a difícil tarefa de conviver com a substância do outro. Mas eu não sei ser assim... Quando perdi o medo de me machucar, aprendi a amar. Foi aí então que eu percebi... que já não tinha mais medo de nada. A que sociedade será que eu pertenço?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-109944019458128999?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109944019458128999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109944019458128999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/11/na-teia-da-aranhaendoscopia-do-anti.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;na teia da aranha&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Endoscopia do anti-social'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-109890381939855882</id><published>2004-10-27T16:01:00.000-03:00</published><updated>2004-10-30T11:48:51.070-03:00</updated><title type='text'>três pontosin tense</title><content type='html'>se tivesse de me definir em uma única palavra&lt;br /&gt;seria esta palavra a marca de minha vida&lt;br /&gt;uma vida vivida – de corpo e alma – intensamente&lt;br /&gt;intenso, é assim que sou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;intenso é o meu desejo&lt;br /&gt;intensa é a minha forma de amar&lt;br /&gt;intenso é o meu modo de me apaixonar&lt;br /&gt;e de me entregar por inteiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de me entregar a um grande sentimento&lt;br /&gt;quer seja ele qual for&lt;br /&gt;de me entregar aos meus desejos&lt;br /&gt;e de me entregar a dor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me entrego sem medo&lt;br /&gt;sofro, lamento&lt;br /&gt;recolho os meus sentimentos&lt;br /&gt;e os meus &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;cacos&lt;/span&gt; do chão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e me entrego de novo&lt;br /&gt;sem arrependimentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me entrego a dor&lt;br /&gt;a solidão, a angústia&lt;br /&gt;me afundo num abismo&lt;br /&gt;e não espero por compaixão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não busco consolo&lt;br /&gt;sofro, exageradamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma enchente de emoção me inunda&lt;br /&gt;sentimentos bons, maus sentimentos&lt;br /&gt;me entrego a todos, sem ressentimentos&lt;br /&gt;amo intensamente, sofro intensamente&lt;br /&gt;sorrio e choro, intensamente&lt;br /&gt;buscando a certeza de estar vivendo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dia a dia&lt;br /&gt;intensamente&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-109890381939855882?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109890381939855882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109890381939855882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/10/trs-pontosin-tense.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;in tense'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-109861688953566056</id><published>2004-10-24T08:13:00.000-03:00</published><updated>2004-10-24T08:21:29.536-03:00</updated><title type='text'>três pontosMentiras</title><content type='html'>Virei meu mundo ao avesso para encontrar as respostas que ninguém mais poderia me dar.&lt;br /&gt;Encontrei um punhado de dúvidas que insistiam em se fazer presentes apesar de todos os meus esforços em fazê-las sanar.&lt;br /&gt;Cheguei a conclusões precipitadas, algumas corretas, muitas erradas.&lt;br /&gt;Mas continuo esperando a confirmação de meus anseios.&lt;br /&gt;Condenar os outros sem certezas é apenas injusto, tolice é condenar a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorri realidades distintas, observando o desenrolar dos fatos, captando as cores das paisagens em torno dos caminhos tortuosos por que passei.&lt;br /&gt;Percebi as várias faces da vida que se apresentaram a mim de forma incisiva.&lt;br /&gt;Captando desde o silêncio mais incômodo aos mais belos tons de cinza.&lt;br /&gt;Me descobri sendo franco, transparente, sincero. Paguei o preço de tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a mentir, a dissimular, jogar, torturar, agredir, fingir e ferir.&lt;br /&gt;Aprendi a ser duro, ser forte, ser frio, seco e também a não ser eu mesmo, nunca.&lt;br /&gt;Sofri, chorei, me envolvi, me dissolvi.&lt;br /&gt;Burlei regras, enganei, machuquei, me perdi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi que a vida passa de forma frenética quando você não está vivendo.&lt;br /&gt;Aprendi que a única pessoa que pode viver a minha própria vida sou eu mesmo.&lt;br /&gt;Aprendi que sofria muito mais quando tinha medo de me ferir do que quando tinha coragem de me arriscar.&lt;br /&gt;Aprendi a dizer o que penso e fazer o que quero, custe o que custar.&lt;br /&gt;Aprendi a viver mais e pensar menos, dure isso o quanto durar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre quis conquistar o mundo...&lt;br /&gt;Hoje quero conquistar apenas algumas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-109861688953566056?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109861688953566056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109861688953566056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/10/trs-pontosmentiras.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Mentiras'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-109827660395899638</id><published>2004-10-20T09:47:00.000-03:00</published><updated>2004-10-20T09:50:03.956-03:00</updated><title type='text'>três pontosLabirinto</title><content type='html'>Os caminhos que me trouxeram aqui foram escuros&lt;br /&gt;por eles caminhei cego e em silêncio&lt;br /&gt;buscando uma vela que me mostrasse aonde eu iria chegar&lt;br /&gt;os corredores eram estreitos, frios e úmidos&lt;br /&gt;percorri lentamente cada viela, atento a tudo a minha volta&lt;br /&gt;o eco dos meus passos me seguindo&lt;br /&gt;marcavam o meu compasso arrastado, quase fúnebre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os caminhos que segui até aqui me deixaram tonto, atordoado&lt;br /&gt;me encurralaram em cadeias enormes de escadas e bueiros&lt;br /&gt;tropecei pelos corredores e senti o bafo gélido da solidão&lt;br /&gt;cheguei ao chão, ao fundo, ao fosso de meus instintos mais corruptos&lt;br /&gt;sempre levado pelas trilhas escuras desta estrada sem saída&lt;br /&gt;que me prendeu em suas margens, em seus caprichos&lt;br /&gt;em suas rotas confusas e infinitas, circulares, instáveis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;busco até hoje a saída&lt;br /&gt;a porta certa&lt;br /&gt;uma certa direção&lt;br /&gt;que me leve de volta a superfície&lt;br /&gt;qualquer coisa que se respire&lt;br /&gt;qualquer desejo que não seja vão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para voltar a sentir&lt;br /&gt;para voltar a ser livre&lt;br /&gt;para voltar ao início de tudo&lt;br /&gt;e não ser privado da chance&lt;br /&gt;de tentar de novo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para voltar a ser belo&lt;br /&gt;para voltar ao que quero&lt;br /&gt;para retomar o caminho&lt;br /&gt;e não me privar da oportunidade&lt;br /&gt;de viver outra vez&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-109827660395899638?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109827660395899638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109827660395899638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/10/trs-pontoslabirinto.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três pontos&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Labirinto'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-109812758065532624</id><published>2004-10-18T16:25:00.000-03:00</published><updated>2004-10-18T16:31:12.980-03:00</updated><title type='text'>da sérieComédia Romântica</title><content type='html'>– vamos fazer o quê hoje?&lt;br /&gt;– hein!? nada... ficar em casa.&lt;br /&gt;– ãh!?&lt;br /&gt;– por quê?&lt;br /&gt;– vamos sair...&lt;br /&gt;– ah, não tô a fim...&lt;br /&gt;– por quê?&lt;br /&gt;– porque não quero. prefiro ficar com você em casa.&lt;br /&gt;– que saco!! a gente sempre fica em casa.&lt;br /&gt;– e qual é o problema nisso?&lt;br /&gt;– eu quero sair! ir pra rua! ver gente!&lt;br /&gt;– olha ali da janela...&lt;br /&gt;– hmmpft!!&lt;br /&gt;– o que foi?&lt;br /&gt;– você ainda pergunta?&lt;br /&gt;– eu não quero sair, prefiro ficar em casa...&lt;br /&gt;– você sempre quer ficar em casa. a gente nunca sai, nunca faz nada.&lt;br /&gt;– mas é tão bom ficar em casa...&lt;br /&gt;– você é muito chato!&lt;br /&gt;– eu sei! e você já me conheceu assim. já sabia disso quando nos casamos.&lt;br /&gt;– eu conheci você naquela boate. quando solteiro você vivia na farra.&lt;br /&gt;– eram outros tempos...&lt;br /&gt;– por quê?&lt;br /&gt;– eu era solteiro.&lt;br /&gt;– e agora que casou não pode mais sair de casa?&lt;br /&gt;– pra quê? se eu quisesse continuar com minha vida de solteiro não tinha casado.&lt;br /&gt;– como é!?&lt;br /&gt;– se eu me casei foi pra ficar em casa e não ter que sair correndo atrás de mulher.&lt;br /&gt;– ah, é assim?!&lt;br /&gt;– e também porque eu te amo, amor.&lt;br /&gt;– sei...&lt;br /&gt;– olha, se você quiser sair pode ir só, tá bom?&lt;br /&gt;– posso? não tem problema?&lt;br /&gt;– claro que eu não vou gostar, mas o que é que eu posso fazer!? não posso prendê-la em casa só porque eu não quero sair.&lt;br /&gt;– poxa! mas você nunca quer fazer nada?! eu quero ir pra rua, ver gente! eu tenho amigos também, sabia?!&lt;br /&gt;– chama eles aqui.&lt;br /&gt;– pra quê!? pra ficarmos enfurnados nesse apartamento? ainda mais com você, que não gosta deles...&lt;br /&gt;– não mesmo.&lt;br /&gt;– porra! você é muito bicho-do-mato mesmo!&lt;br /&gt;– por quê? só porque não gosto dos seus amigos idiotas?&lt;br /&gt;– na sua concepção!&lt;br /&gt;– pra mim é o que basta! é a única concepção que eu posso ter.&lt;br /&gt;– que saco!!&lt;br /&gt;– olha, se você quiser sair com eles pode ir. eu não digo nada.&lt;br /&gt;– eu não quero ir sem você. não tem graça!&lt;br /&gt;– você quer a mim ou aos seus amigos?&lt;br /&gt;– os dois!&lt;br /&gt;– mas não pode ter. não ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;– eu sei, você é muito chato.&lt;br /&gt;– então vá fazer o que te der vontade sem mim.&lt;br /&gt;– eu não quero fazer nada sem você.&lt;br /&gt;– então entramos num impasse.&lt;br /&gt;– não dá pra ter um meio termo?&lt;br /&gt;– como um meio termo?&lt;br /&gt;– um meio termo, ora!&lt;br /&gt;– você quer sair de casa e eu quero ficar... você quer ficar comigo, mas eu não quero ir com você. não existe meio termo pra isso.&lt;br /&gt;– a gente sai e volta cedo.&lt;br /&gt;(olha pra ele com aquele olhar que sempre consegue tudo)&lt;br /&gt;– por favooooor...&lt;br /&gt;– aiaiaiai... tá! o quê você quer fazer?&lt;br /&gt;– sei lá?! me diz algo que você queira fazer.&lt;br /&gt;– nada.&lt;br /&gt;– hmmmm...&lt;br /&gt;– vamos ali na sorveteria e voltamos pra casa em seguida.&lt;br /&gt;– não!!&lt;br /&gt;– então resolve você, ora...&lt;br /&gt;– vamos no cinema.&lt;br /&gt;– que tal um DVD?&lt;br /&gt;– aaaaaaargh!!!&lt;br /&gt;– tá bom! tá bom! tá bom! cinema.&lt;br /&gt;– oba!!!&lt;br /&gt;– mas vamos cedo, na sessão das seis. assim estamos de volta até às nove.&lt;br /&gt;– às dez!&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;– nove e meia.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-109812758065532624?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109812758065532624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109812758065532624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/10/da-sriecomdia-romntica.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;da série&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Comédia Romântica'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-109775848622864700</id><published>2004-10-14T09:36:00.000-03:00</published><updated>2004-10-18T16:07:51.153-03:00</updated><title type='text'>três x quatromultipersonagem</title><content type='html'>não se engane, quando faço cara de bobo só escondo meus olhos sagazes da claridade.&lt;br /&gt;planejo cada detalhe da minha reação, meticulosa e minuciosamente.&lt;br /&gt;às vezes não, explodo de repente. chuto o balde, o pau da barraca,&lt;br /&gt;toco fogo em tudo e fico assistindo... no meio da fogueira, no olho do furacão.&lt;br /&gt;não ligo para o que pensa, sou assim: atrevido, inconstante, volúvel às vezes, confuso até.&lt;br /&gt;complicado não! complexo é mais apropriado.&lt;br /&gt;e imprevisível, detesto ser previsível, prefiro ser surpreendente.&lt;br /&gt;e é exatamente assim que você vai lembrar de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com meus cabelos um tanto compridos e embaraçados,&lt;br /&gt;que faço questão de manter sempre no mais cuidadoso desleixo.&lt;br /&gt;mas acredite, é assim que eu gosto.&lt;br /&gt;pra quem!? pra mim mesmo.&lt;br /&gt;assim como minha barba mutante:&lt;br /&gt;ora grande, ora curta, ora cavanhaque, ora mal-feita, ora não-feita.&lt;br /&gt;mas sempre presente, assim como estes óculos escuros.&lt;br /&gt;que escondem os olhos, mas não a visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou isso: um emaranhado de emoções confusas.&lt;br /&gt;um vulcão, ora inativo, ora em erupção.&lt;br /&gt;mas sempre repleto de lava. quente, atrevido, lascivo, vivo.&lt;br /&gt;assim como tudo o que canto, tudo o que falo, tudo o que escrevo.&lt;br /&gt;dual, multifacetado, paradoxal, multicontextual...&lt;br /&gt;sou múltiplo em mim mesmo, múltiplo de mim mesmo.&lt;br /&gt;rearranjo todas as minhas naturezas e as faço colidir.&lt;br /&gt;desmonto meus personagens e me vejo emergir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desenvolvo meu próprio estilo&lt;br /&gt;de ser, de dizer, de cantar, de escrever, de viver, de sentir, de existir&lt;br /&gt;existo em consciência, existo em emoção, existo em loucura, existo em razão&lt;br /&gt;escrevo, divago, questiono, recito, comento, opino, narro.&lt;br /&gt;não chegam a ser ‘&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;cronipoemontos&lt;/span&gt;’ nem são ‘crônicas poéticas’&lt;br /&gt;mas talvez ‘poemas crônicos’.&lt;br /&gt;como crônico é meu desejo de mudança.&lt;br /&gt;camaleônico desejo de renascer. diferente a cada vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às vezes infantil, às vezes adulto&lt;br /&gt;às vezes senil, outras apenas imaturo&lt;br /&gt;sou um programa expandido, compilação de meus erros e acertos&lt;br /&gt;porque a idade cronológica, não mede a extensão da vida&lt;br /&gt;mas como diria Freud: “às vezes um charuto é apenas um charuto”&lt;br /&gt;e um poema, muitas vezes, não é mais do que isso – um poema.&lt;br /&gt;então me passa o cinzeiro por favor.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-109775848622864700?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109775848622864700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109775848622864700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/10/trs-x-quatromultipersonagem.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três x quatro&lt;/font&gt;&lt;br&gt;multipersonagem'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-109762029976372546</id><published>2004-10-12T19:27:00.000-03:00</published><updated>2004-10-16T10:58:24.856-03:00</updated><title type='text'>divagar imprecisoátimo inquântico (ou intervalo de nada)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Paro num ponto qualquer da calçada, interrompendo meu caminho, simplesmente por nada. Tomado por um ralo pensamento perdido num canto qualquer do cérebro que se espalha pelos neurônios e exige todo o córtex para si. Interrompendo meu caminhar, ele se reproduz e se espalha pelo corpo. Uma enxurrada de seus pares me invade de forma instantânea tomando todas as minhas funções num espaço ínfimo de tempo em que posso observar um filme interminável de memórias eclodindo de mim. Um amontoado sem tamanho ou peso de pensamentos dos quais, pelo menos um terço, se referem a ela. Talvez devido ao cheiro forte de batom que se espalha, saído da boca da transeunte que acaba de cruzar meu caminho. Tenho um rápido &lt;em&gt;insight&lt;/em&gt;, suficiente para perceber o quão piegas sou eu por pensar nela ao sentir um cheiro qualquer de batom no meio da rua. Deixo o batom de lado e me concentro no turbilhão de passagens que povoam minha mente. Catalogando memórias ponto a ponto, percorrendo todos os registros e decodificando todos os &lt;em&gt;bytes&lt;/em&gt; existentes na montagem dos &lt;em&gt;trailers&lt;/em&gt; do passado. A vida se atravessa ante meus olhos como se pela hora da morte, fazendo-me recordar de cada detalhe e, pasmem, não me trazendo um arrependimento sequer. A não ser por um punhado de coisas não feitas, parte das quais já devidamente corrigidas. Estendo minha percepção enquanto os carros param ao meu redor e as vibrações sonoras deixam de se propagar através do ar que perde a mobilidade e a fluidez. A existência se apresenta assim, estática. E vai sumindo da visão ao passo em que a inércia se apossa dos raios de luz e das ondas eletromagnéticas que trafegam indiferentes à relatividade da física, mas são incapazes de superar a velocidade do pensamento. O mundo a minha volta desaparece à medida que o tempo pára e cá estou, perdido num vácuo absoluto. Vagando no limbo encontrado num mínimo espaço adimensional de tempo existente entre um milésimo e o milésimo subseqüente de um mesmo segundo. Um ponto de nada no meio do tudo. Um momento surreal de inexistência cósmica provocado por nossa limitada concepção de universo que não admite a existência do espaço sem que aja o tempo para dar-lhe suporte. Estou, instantaneamente, perdido em um meio atemporal e antimaterial. Perco a realidade, perco os sentidos, perco a conexão com o mundo vivo e existo tão somente em subconsciência. E subconscientemente vou deliberando acerca dos mais variados temas. Tomando decisões, tomando nota dos fatos, determinando reações e filosofando a respeito da vida que passava, mas que exatamente no agora, não passa mais. Pára. Inerte, intocável, imutável. É justamente a imutabilidade das coisas que mais assusta. Aquilo sobre o que não se tem poder ou influência. Aquilo que flui independente à minha vontade. É nesta partícula introspectiva de tempo que percebo a sua presença. Ali à minha frente. Estática como o mundo à sua volta. Irretocável. Posicionando-se fora de um plano de consciência. Naquele infinitésimo de realidade não temporal em que tudo é possível no meio do nada que se torna o universo. Num quântico período probabilístico em que todos os corpos podem ocupar qualquer lugar no espaço-tempo. Num instante em que nada existe e tudo pode acontecer até que o último digito do relógio mude completamente de posição nos trazendo de volta à realidade. Lá está você, inexistindo ao meu alcance com seu corpo bem feito de pele delicada e sua face suave de olhar plácido e lascivo. Apenas aguardando o romper daquele infinitesimal instante infinito que se vai quando o tempo retoma o controle do cosmos. Respirando fundo, reorganizo minhas sinapses e reequilibro minha consciência para seguir adiante. Estou parado numa calçada qualquer, numa rua qualquer da cidade que nem sei se é a mesma na qual me encontrava há um mísero segundo atrás, e torno a caminhar em silêncio, dando graças aos céus por aquela ínfima lacuna temporal não ter me consumido por mais de um átimo. Pois desconheço os caminhos tortuosos do meu vago pensar, que me levariam ao longe se tivessem um pouco mais de tempo para tanto. Retomo meu rumo perguntando-me porque falar tanto para não dizer nada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-109762029976372546?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109762029976372546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109762029976372546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/10/divagar-imprecisotimo-inquntico-ou.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;divagar impreciso&lt;/font&gt;&lt;br&gt;átimo inquântico &lt;font size=&quot;-1&quot;&gt;(ou intervalo de nada)&lt;/font&gt;'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-109724268743295474</id><published>2004-10-08T10:35:00.000-03:00</published><updated>2004-10-08T10:38:07.433-03:00</updated><title type='text'>curtasBidimensional</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quem eu sou? Não importa. O que quiser ser seria a resposta. Acordado as três da manhã, bebendo qualquer coisa que ponham em minha mesa, observando em volta, traçando as rotas dos jogos infrutíferos de sedução de uma noite, mais uma noite, inútil de perseguição à idéia de ser livre, melhor, maior. Álcool, cigarros, beijos, abraços, gelo-seco, drum’n’bass, techno, dance, pop-rock, cuba libre na minha camisa e a camisa voa como uma hélice em minhas mãos. Sou livre, sou free, sou eu, sou todos, sou qualquer um. Mais um copo de cerveja e mais euforia. Catalisando um estado de prazer, ela, adrenalina. Mais algumas drogas etílicas misturadas a conversas diversas, fúteis, cabeças, divertidas, inúteis. “block my vision, it’s time to go”. Carro, casa, banheiro, vaso, cama... Silêncio, nada... sonhos... que serão esquecidos ao amanhecer (ou ao entardecer, dependendo da hora em que se acorda). Segunda-feira, 6:30 da manhã. Transporte imediato para outra realidade. A minha era a outra, prefiro mesmo ficar por lá. Alguns arrependimentos, alguns entendimentos, muitas dúvidas e uma baita dor de cabeça. Onde eu estou? Mundo real: trabalho-escola-faculdade-ônibus-trânsito-stress... Uma nova sexta-feira no final do corredor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-109724268743295474?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109724268743295474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109724268743295474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/10/curtasbidimensional.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;curtas&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Bidimensional'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-109706814436893366</id><published>2004-10-06T10:07:00.000-03:00</published><updated>2004-10-25T20:16:28.133-03:00</updated><title type='text'>três x quatroPolaroid em fim de noite</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Agora você me pegou. Falar de mim mesmo? Não tenho muito que dizer, por isso acho difícil, mas vou tentar. Bom, sou difícil de se lidar, menos quando coopero. Acompanhado odeio multidões, prefiro um DVD e pipoca. Solteiro, não tenho limites, estou sempre no meio da muvuca. Fazendo parte dela, sendo engolido, tragado por ela. E me alimentando dela e de quem estiver no mesmo barco. Por outro lado não confio nas pessoas. Tenho poucos amigos, pessoas de extrema confiança, pelas quais tenho grande consideração. Não sou de permitir aproximações facilmente. Tenho uma certa dificuldade em lidar com gente. Odeio multidões. Odeio filas também... ah, e como odeio. Acredito no respeito mútuo e na sinceridade como base primordial de todas as relações, seja de amizade ou qualquer outra coisa. Gosto de ser original e não me prender a modelos. Criei alguns dogmas durante a adolescência porque já tinha quebrado todos os que não eram meus, eles já foram todos quebrados novamente depois de adulto. Não, eu não me considero adulto, mas já com vinte e poucos na cara não dá para me dizer adolescente. Defino-me como pós-adolescente. Sou teimoso ao extremo, exagerado em todas as horas, persistente e insistente com tudo que quero, desde que dependa apenas de mim. Tenho uma enorme dificuldade em depender da vontade alheia, seja para o que for. Aliás, detesto sob todas as formas não ter o controle das situações, quero sempre estar no comando. Em relacionamentos não se pode controlar nada, é verdade... nesses casos me contento em ter total ciência e consciência de tudo, é o mínimo que espero. Costumo ser repetitivo às vezes, me valho freqüentemente de frases feitas, feitas por mim geralmente, e recorro muito aos meus próprios clichês e axiomas. Vivo em constante conflito internamente entre ser original e ser uma cópia, um clone de mim mesmo. Mais um clichê. Evoco palavras que já foram ditas sempre que escrevo para diversos &lt;em&gt;você&lt;/em&gt;’s e &lt;em&gt;ela&lt;/em&gt;’s, personagens incidentais das histórias de minha busca incessante por um único eu submerso. Utilizo-me de meus erros, aprendo com eles e recaio sempre em estratégias reaproveitadas para conseguir o que quero. Adoro esportes, jogo basquete, amo música, toco guitarra, sou viciado em revistas em quadrinhos e escrevo minhas próprias canções. Meu sonho é ter uma banda de rock para nunca mais ter de trabalhar na vida. Ah! Costumo ouvir vozes e ter idéias malucas de vez em quando. Sou esquizofrênico e maníaco depressivo com sérias tendências suicidas. Mas extremamente covarde: morro de medo da morte e é isso que me mantém vivo. O que é isso no meu copo? Olha, quando cheguei aqui depois do trabalho há sete horas atrás era cerveja. Agora eu confesso que não tenho nem mesmo certeza de que esse copo seja mesmo meu. Mas acho que você tem razão, eu realmente não estou em condições de voltar pra casa sozinho. Você me leva então?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-109706814436893366?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109706814436893366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109706814436893366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/10/trs-x-quatropolaroid-em-fim-de-noite.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;três x quatro&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Polaroid em fim de noite'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8515200.post-109689089691511184</id><published>2004-10-04T08:52:00.000-03:00</published><updated>2004-10-04T12:14:05.760-03:00</updated><title type='text'>divagar imprecisoBack to the Beginning, Looking to the Future</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma semana, ela disse. Ou mais, talvez. Uma semana já era demasiado exagero para se esperar, cada dia além disso já passa para o plano do absurdo. Já esperei demais, sempre. Já cansei. Esperar dois anos me parece um tempo razoável, mas uma semana e cada dia além dela já se torna uma tortura descabida. Meus nervos parecem querer me estraçalhar por dentro a cada segundo. Meus pêlos parecem querer se enlaçar pelas raízes. Meus olhos perdidos já não têm foco em mais nada que esteja a distâncias inferiores à do horizonte. Meus pés parecem querer correr, cada qual em uma direção distinta, para fugir da torturante jornada de expectativas, concentrando-se no fazer acontecer, embora meu corpo saiba não poder deixá-los ir. Inconformado, mudo de rota e de planos rumo a outros meios de cura. Paliativos, placebos, ilusões, passatempos. Esse caso tem se mostrado mais interessante do que parecera. Nós, na minha e na sua, minha vida sua vida, meus planos seus planos, meus prazeres e seus deveres, tantos. Um jogo que passa a estranhamente me interessar em demasia. Lances de dados viciados. Sem cobranças, sem esperas, sem fantasias. Num olhar, num respirar, num sufocar, num impulso, num hesitar... e o que poderia ter sido já era. Há sempre o momento certo para tudo o que deve ser. Há coisas que têm de acontecer e não se pode impedir, há coisas que se luta para acontecer e há coisas que se impede que aconteçam. E as regras vão sempre mudando. Como os caminhos do destino, maleável, volúvel, volátil. Segredos existem para serem desvendados, nunca revelados. São somente desabafos que não servem para serem entendidos, nem mesmo por mim. Reflexos de uma dificuldade em responder às expectativas que se criam sozinhas. Uma rejeição velada à idéia de assumir encargos que me cabem além dos que dizem respeito unicamente a mim, responsável por mim mesmo com tantas ressalvas e obrigado a aceitar mais culpas. Já cansado. Cansado de ter de medir as conseqüências de minhas decisões e meus atos na vida dos outros. Por vezes percebendo não ser tão ruim ser sozinho absoluto. Pelo menos quando ando de saco cheio de não ser livre por inteiro. É olhar pra trás e pensar em como seguir em frente, ou seguir sem pensar. Começar do meu próprio início, para não ter de continuar nada. Quero apenas ser dono de mim mesmo e de mais ninguém...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8515200-109689089691511184?l=theangelofsilence.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109689089691511184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8515200/posts/default/109689089691511184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://theangelofsilence.blogspot.com/2004/10/divagar-imprecisoback-to-beginning_04.html' title='&lt;font size=&quot;-2&quot; color=&quot;#ffffff&quot;&gt;divagar impreciso&lt;/font&gt;&lt;br&gt;Back to the Beginning, Looking to the Future'/><author><name>che</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09560123991333832579</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
